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13 de setembro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

EM VEZ DE CANTO, GARGALHADAS

Não imaginas o quanto eu me divirto com a Hermínia. Passamos com ataque de riso continuamente. Ganhei fama com minhas tentações de riso (ganhei-a da Chopi Salas). Não fazemos outra coisa senão brincar. Prepara-te. Na mesa nós somos as últimas com Pepe. Era tanto o que brincávamos e ríamos que, às vezes, não podia comer. Porém o mais trágico é que o Padre que rezava depois da refeição, no meio da oração, não podia continuá-la: ria, pois nós o contagiávamos.
Hermínia vem despertar-me de manhã com água e cadeira, mantas e tudo o que encontra na sua passagem, e joga tudo em cima da minha cama. Assim é que desconto tudo durante o dia e de noite não a deixo dormir. Deve-se notar que ela sente sono muito cedo (A Rebeca, escreve de Cunaco, 20-1 1-1918).
Todas as tardes rezamos o mês de Maria. A Eli reza o mês e eu o Rosário e toco o harmônio. Ontem estávamos cantando uma ave-maria e a Hermínia nos levou a uma tentação de riso. Em vez de canto saíam gargalhadas. Não pudemos continuar (Cunaco, 14-11-1918).

EM JESUS OS ENCONTRO

Dou graças a Deus por ter passado tão bem na fazenda de Eli 26 dias. Apesar de sofrer muito a falta dos meus, foi bom para ir me acostumando para depois. Quando o amor de Deus se apodera do coração, faz com que o amor humano, aquele que sentimos até por nossos pais, se transforme-se divinize por assim dizer.
Creio que antes não teria podido separar-me dos meus nem por um dia. Enquanto que hoje, ainda que os ame mil vezes mais, estando com ele sinto-me satisfeita, nele encontro os que amo.
Antes, me perguntava como as monjas podiam amar tanto a Nosso Senhor e ser tão felizes, quando não recebiam nenhum sinal de carinho exteriormente, mas hoje o compreendo admiravelmente.
Deus demonstra seu amor muito mais que todas as criaturas. Cada instante recebe-se sinais de seu amor infinito. Há fusão de nossas almas pequeníssimas com um Deus infinito (Santiago, 22-11-1918).

TRATO DE VENCER MEU GÊNIO

Estive quase um mês na fazenda de Elisita Valdés, pois de­ram missões. Assim tive a felicidade de trabalhar um pouco por Nosso Senhor e de ficar muito perto do Tabernáculo. Poucos dias depois de regressar fiquei doente com gripe. O doutor pensou que fosse difteria, porém, graças a Deus, com remédios enérgicos melhorei.
Na oração tenho mais fervor, de modo que às vezes passo 20 minutos completamente absorvida em Nosso Senhor. Parece que o apalpo e o estreito junto ao meu coração. Tão perto o sinto que, às vezes, estando com os olhos fechados, parece-me que se os abrir o verei.
Não pensava que a vida no lar fosse uma vida de sacrifícios.
Serviu-me de preparação para minha vida religiosa. Quero que ninguém suspeite que certas coisas são para mim ocasião de sacrifício, mostrando muito boa vontade para tudo.
E todos creem ter o direito de exigir de mim o que lhes agrada.
Penso estar um pouco mais humilde, ainda que não de todo.
Procuro vencer meu gênio, mas às vezes não consigo. Contudo, penso estar um pouco menos colérica. Neste tempo de Advento faço mais mortificações. Tenho um regulamento que procuro seguir o melhor possível.
Logos iremos ao campo e a única coisa que sinto é que não poderei comungar. E sou muito má sem a comunhão. Porém a vontade de Deus é um alimento espiritual que fortifica a alma que se entrega a ele por amor (Santiago, 13-12-1918).

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