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18 de setembro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

ENCANTOU-ME SUA SIMPLICIDADE

Estou inteiramente resolvida a ser carmelita. Sei que encontrarei muitas dificuldades por parte dos meus para ir-me, pois, sendo uma Ordem cujos fins se desconhece e não se compreende, é qualificada pelo mundo como inútil. Mas quero passar por tudo, contanto que se cumpra a vontade de Deus. Ele será meu apoio e fortaleza.
Preferi Los Andes por ser mais afastado das grandes cidades, o que torna mais difícil a ida para lá, mantendo-se completamente separada do mundo. Também porque creio que são muito austeras e muito observantes de sua Regra, e têm muito arraigado o espírito de Sta. Teresa.
Conheci todas as monjas. Encantou-me a simplicidade, alegria e familiaridade que reinava entre elas.
Creio que esse clima não me fará mal, pois é o mesmo de Chacabuco, ao qual estou muito acostumada.
Não sei se lhe contei que me chamarei Teresa de Jesus se for para lá. Mais obrigada fico com o nome de tão grande santa a sê-lo eu também com a graça de Deus (São Paulo, 22 e 29-1-1919 e 3-2-19 19).

QUE BOM É O MEU DEUS!

10 de fevereiro. Quem bom é o meu Deus! Estamos em missões, com o Santíssimo, comunhão e duas missas diárias. Fico a seus pés. Sinto-me muitas vezes desfalecida de amor. Eu me aniquilo em sua presença ao ver-me tão miserável, apesar de ele me cumular de favores.
Rebeca, a princípio, estava desesperada pela separação, pois não creio que existam irmãs mais unidas. Contudo, Nosso Senhor pôs em sua alma ultimamente tanta coragem para o sacrifício e resignação que não posso senão admirá-la. Bendito seja Nosso Senhor!
Estou feliz pois recebi resposta de meus antigos confessores, aos quais escrevi expondo as razões que tinha para ser carmelita, e em Los Andes. E os dois responderam-me dizendo que viam claro ser essa a minha vocação. E são de parecer que eu a realize o mais depressa possível.
Creio que só no céu poderá saber os inumeráveis benefícios que a cada instante Nosso Senhor concede a este nada miserável.
Se pudesse dar meu sangue gota a gota, não seria bastante para agradecer ao meu Divino Redentor. Abandono-me em seus divinos braços como um menino nos braços de sua mãe, a quem não tem como pagar. Não me preocupo por nada porque tenho a ele. É meu Tudo adorado (São Paulo, 20-2-1 919).

QUE AGONIA EXPERIMENTO!

Estamos em fevereiro. Só me faltam dois meses. Como descrever-te o sofrimento que, por instantes, vai se apoderando de meu coração ao sentir a próxima separação? Quando olho os meus, digo-me: falta-me tão pouco para deixá-los! E parece-me que a ternura por eles cresce mais ainda no fundo do meu coração.
Que agonia experimento por um lado, e por outro quanto desejo tenho que chegue esse dia em que já não terei senão a Deus! Então descansarei. Creio que vou morrer de felicidade quando trocar, enfim, tudo o que tenho por Nosso Senhor. Não tenho outro apoio, outra luz, outro viver senão ele. Não podes imaginar o que experimento quando vejo que logo nada nos separará, que de ninguém terei que me ocultar para amá-lo e estar com ele. Logo deixarei o mundo para voar ao céu. O Carmelo para mim é um céu (sem data).
27 de fevereiro. Sofro ao ver que Nosso Senhor, para atrair-me, dá-me consolações. Quão miserável me encontra. E sofro também por ver que não faço nada por Deus. Quisera martirizar minha carne para demonstrar meu amor. Minha resolução foi renunciar a toda comodidade, a meus gostos e à minha própria vontade.

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