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16 de julho de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 149

O MENINO SOLDADO

José Sánchez del Rio pertencia a juventude Católica, seção de Aspirantes. Tinha 13 anos quando Calles, presidente do México, iniciou a sua terrível perseguição contra os católicos. O menino apresentou-se ao general Mendoza, comandante do Exército dos Libertadores, e disse-lhe:
— Se eu não souber atirar com o fuzil, poderei prestar, outros serviços: cuidar dos cavalos, preparar munições, carregar água. Deixe-me ser soldado de Cristo-Rei!
Em vista de tamanha insistência, o general resolveu aceitar o pedido do menino. A mãe, porém, temia pela sorte de seu filhinho.
— Ora, mamãe, — dizia ele para animá-la, — não me deixe perder esta boa ocasião de ganhar o céu com tão pouca fadiga e tão depressa.
Qual seria o segredo de tamanho ardor? A santa Comunhão cotidiana. Rezara muito junto da sepultura do protomártir da Juventude Católica Mexicana — o jovem Joaquim Silva — e desta oração o aspirante Sánchez saiu soldado de Cristo-Rei, na expectativa de um glorioso martírio.
No acampamento era ele o benjamim, mas o seu desejo era entrar em combate.
Pouco depois de seu alistamento, no mais aceso furor duma batalha, o cavalo do general Mendoza caiu fulminado. Ato continuo, o soldadinho apeou-se, e disse:
— General, tome o meu cavalo. Que importa que me matem? O senhor é aqui mais necessário do que eu.
E escondido atrás de uma pedra, continuou a atirar, até que, esgotadas as munições, foi aprisionado.
Admirado ao ver um menino feito soldado, o general inimigo indagou:
— Que está fazendo, menino? Não sabe que vamos fuzilá-lo?
— Que importa? — replicou Sánchez. — Só me prenderam porque estava sem munição.
— Ninguém pretende fazer-lhe mal algum; mas diga-nos o que sabe dos rebeldes.
— Eu, traidor de meus irmãos? Nunca! Pensam que sou um judeu como vocês? Prenderam-me como a um inimigo; então, devem fuzilar-me!
Tais respostas espantavam a todos. Conservaram-no, porém, como prisioneiro, na esperança de, por meios brandos ou violentos, arrancar-lhe informações.
A noite, fecharam-no na igreja da aldeia, transformada pelos soldados de Calles em galinheiro. Sánchez, que queria passar a noite rezando, em dado momento percebeu a presença de galos e galinhas na igreja. Ficou indignado com aquela profanação e, levantando-se, torceu o pescoço de todos aqueles animais.É fácil imaginar a irritação dos guardas, quando, pela manhã, deram com a inesperada matança. Investiram contra o menino, e bateram-no até vê-lo derramar sangue. Sánchez, corajoso, dizia:
— Deixem-me vivo para morrer fuzilado.
Naquele dia obteve licença de escrever a sua mãe.
Na carta dizia: “Mamãe querida. Fui feito prisioneiro e esta noite serei fuzilado. Chegou, finalmente, a hora tão desejada. Abraço a senhora e a todos os meus irmãos, e prometo-lhes um bom lugar no Céu”. E assinou: “José Sánchez del Río, que morre em defesa da Fé, por amor de Cristo-Rei e da Rainha Nossa Senhora de Guadalupe”.
Seriam 23 horas do dia 10 de fevereiro de 1928, quando o menino era conduzido ao cemitério. Caminhava cantando o hino: “Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera”. Ao chegar ao cemitério, perguntou onde estava a sua cova e vendo-a, para lá se dirigiu, ajoelhou-se e beijou-a.
Os soldados inimigos avançaram sobre ele e o transpassaram a punhaladas. O sangue jorrava de inúmeras feridas, mas Sánchez não tremia nem chorava.
— Continuem, — repetia, — continuem! Mais um pouquinho e estarei com Cristo-Rei!
Um dos soldados disparou-lhe um tiro na cabeça e ele caiu morto na cova.
O sepulcro desse valoroso menino soldado de Cristo-Rei é, hoje, glorioso e muito visitado.

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