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25 de julho de 2014

O rito de benção de uma igreja - Pe. Daniel Pinheiro, IBP


[Sermão] O rito de benção de uma igreja

Sermão para a Benção da Capela Nossa Senhora das Dores
13 de julho de 2014 - Padre Daniel Pinheiro

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave-Maria…
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Alguns avisos:
Gostaria de agradecer a Deus pela bênção dessa Capela de Nossa Senhora das Dores. Gostaria, também, de agradecer a Dom José Aparecido, pela bondade em realizar essa cerimônia e em toda a ajuda que nos presta com muita caridade. Agradecer igualmente a Dom Sérgio da Rocha, nosso Arcebispo, pela grande benevolência, desde o primeiro momento, e ao Cardeal Dom José Falcão pelo apoio e amizade. Agradeço ao Padre Godwin, administrador paroquial da Paróquia Santa Clara e São Francisco, e responsável do setor pela solicitude. E também ao Padre João Batista, da Diocese de Anápolis pela presença e amizade. Mais uma vez, não podemos também deixar de agradecer as Irmãs de Santa Marcelina, pela grande generosidade em nos ceder a Capela durante quase dois anos.
Lembro a todos que hoje, por feliz disposição da providência, é também o primeiro aniversário de episcopado de Dom José. Gostaria de lhe assegurar, Excelência, das orações de todos nós pelo seu episcopado.
Para festejar esse aniversário e a bênção da Capela, teremos uma confraternização após a Santa Missa.
 ***
Caros irmãos, a bênção de uma Igreja, embora não seja tão exaustiva quanto a dedicação e consagração de uma Igreja, é uma cerimônia profunda, e que separa o edifício inteiramente do uso profano e faz dele verdadeiramente a Casa de Deus e Porta do Céu. É uma edificação voltada, após a Bênção, para a glória de Deus e para o bem daqueles que nela ingressarem com a intenção de louvar a Santíssima Trindade e de se voltarem para o Altíssimo.
É o Pontífice quem procede à cerimônia de Bênção da Igreja. O Pontífice representa Cristo, que orna a Igreja, sua esposa, e que a prepara para que os frutos dela sejam imaculados, para que sejam frutos de santidade. Queremos que dessa Capela saiam verdadeiramente frutos de santidade, famílias santas, vocações santas.
Consideremos um pouco, caros católicos, as cerimônias desse rito de bênção de uma igreja.
São recorrentes, na cerimônia, sobretudo nos riquíssimos Salmos, os termos de “casa do Senhor”, de “Jerusalém”, de “átrio”, de “Templo de Deus”. Esses termos fazem referência, em primeiro lugar, ao Templo que se encontrava em Jerusalém, cidade santa. Em segundo lugar, eles fazem também referência à Igreja Católica, nova Jerusalém, ao mesmo tempo em que fazem referência aos templos da religião fundada por Cristo. Finalmente, em terceiro lugar, esses termos fazem referência à Jerusalém celeste, ao céu, à nossa pátria celestial. Portanto, “casa do Senhor”, “Jerusalém”, “Templo de Deus”, e outros termos semelhantes fazem referência ao Templo da antiga aliança, à Igreja Católica e ao céu. Fica claro que à religião judaica se sucede a católica e que, para chegar ao céu, é preciso passar pela Igreja Católica. E dentro da Igreja Católica, é no templo, na edificação sagrada, que podemos mais apropriadamente adorar, agradecer, pedir perdão e impetrar as graças de que precisamos. Assim, a Jerusalém na Terra Santa é substituída pela nova Jerusalém, que é a Igreja Católica. E, a partir dessa nova Jerusalém, é possível chegar à Jerusalém celeste.
(Aspersão exterior da Igreja)
A cerimônia começou, no exterior da edificação, pela invocação do auxílio do Senhor. Tudo o que se fará neste templo será feito em nome do dEle. É preciso, então, começar invocando-O. Em seguida, o Bispo circundou a Igreja exteriormente, aspergindo suas paredes com água benta, enquanto a Schola Cantorum entoou o Salmo 86. Esse movimento de circundar algo significa, desde a antiguidade, separar essa coisa para um uso específico. Na Missa com incenso, por exemplo, o sacerdote faz três círculos nas oblatas, a fim de separá-las para a consagração. Aqui, o Pontífice circunda a igreja para que ela seja usada somente para o culto a Deus, para que seja usada para as veneráveis cerimônias da Santa Igreja. Em seguida, na oração, o Bispo reconheceu que Deus é o fundador dessa edificação e seu protetor, e suplicou ao Altíssimo que nada haja do inimigo nessa edificação, mas que nela se faça o serviço puro e devoto para Deus.
(Entrada na Igreja)
O Pontífice entrou, depois, na Igreja enquanto a Schola Cantorum entoa a Ladainha dos Santos. Os membros da Igreja militante – que somos nós, que combatemos contra o demônio, o pecado e o mundo para nos salvar – recorrem aos membros da Igreja triunfante, para que eles se dignem interceder por nós e fazer desse lugar um templo agradável ao Altíssimo. Repetiu-se três vezes a invocação a Nossa Senhora, a quem a igreja é dedicada, suplicando a tão boa Mãe que se digne apresentar diante de seu filho nossas pobres orações e obras. O Bispo cantou, depois, pessoalmente três invocações particulares durante a Ladainha, pedindo que Deus visite esse lugar, pedindo para que o proteja por meio do ministério de seus anjos e pedindo que o abençoe também em honra do santo padroeiro. Sim, a igreja abençoada será o lugar que Deus visita e onde Ele permanece de modo particular. Os anjos o protegerão e circundarão o altar para dirigir nossas orações a Deus. E, como a igreja é abençoada em honra de Nossa Senhora, também ela estará aqui de modo peculiar, a nos ajudar e a interceder por nós com sua caridade sem medida.
(Aspersão interior da Igreja)
Depois da Ladainha de todos os santos, o Bispo circundou internamente a igreja e aspergiu os muros dela, enquanto a Schola Cantorum entoava o Salmo 121. Terminada a aspersão das paredes, o Pontífice aspergiu a nave da igreja em forma de cruz: do altar à porta principal e do lado do evangelho ao lado da epístola diante da mesa de comunhão. A igreja abençoada terá como principal função litúrgica em seu interior a Missa, que é a renovação do sacrifício do Calvário. É pela Cruz que nos vem a salvação e a ressurreição. Esta capela deverá carregar e anunciar a Cruz gloriosa de Cristo, marcada em seu solo pela água benta. Durante esse rito a Schola entoava o Salmo 83. O Bispo fez, então, a última oração, reconhecendo que Deus santifica os locais dedicados ao nome dEle e pedindo a benevolência divina para todos os que O invocarem nesse lugar santo.
(Preparação para a Missa)
Terminado o rito da bênção, começou a ser preparado o altar para a Missa, enquanto a a Schola Cantorum cantava o Salmo 95, que nos exorta, de modo, particular, a tributar ao Senhor a glória e a honra que lhe é devida, bem como a lhe oferecer um sacrifício (oferenda) agradável. É isso o que devemos fazer na igreja: reconhecer a glória de Deus, nos submeter a Ele e nos unir ao sacrifício de Cristo, renovado sobre os altares.
(Conclusão)
Assim, caros irmãos, com a bênção da igreja e sua entrega total a Deus, ela se torna a casa de Deus, o átrio do Senhor. Ela se torna verdadeiramente símbolo da Jerusalém celeste, e a liturgia que nela se realiza é participação na liturgia dos anjos e santos no céu. A igreja assim dedicada a Deus torna-se realmente a porta do céu, a porta de passagem para o céu. É pela visita frequente à Igreja para rezar confiadamente à Santíssima Trindade, a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Senhora, aos anjos e aos santos que os fiéis alcançarão o céu. É pela participação na venerável liturgia da Igreja Católica que os fiéis poderão se purificar das suas faltas e crescer no amor a Deus. É pelos sacramentos realizados na igreja – batismo, Eucaristia e Missa, confissões – que os fiéis receberão graças abundantes. Uma igreja abençoada é um lugar agradável a Deus, que nos facilita a vida de devoção e de oração.
Devemos rezar a Nossa Senhora das Dores pedindo a ela que nos dê um verdadeiro amor por esse templo de Deus, pela casa do Altíssimo, para que possamos preferir um dia na igreja a mil dias fora dela, como diz o Salmo 83 cantado há pouco durante a bênção. Peçamos a graça de amar e frequentar assiduamente esta igreja dedicada a Deus em honra de Maria das Dores. Peçamos a ela a graça de nos assemelhar a ela. Nossa Senhora, pelas suas dores, pelos seus sofrimentos, suportados por amor a Deus, cooperou de modo extraordinário na obra da redenção. Ela suportou a morte de seu Filho perfeitamente inocente, homem e Deus, para o nosso bem, para a nossa salvação. Pela sua caridade, pela sua conformidade com a vontade de Deus, ela soube transformar o mal do sofrimento em grande bem para a glória de Deus e para a salvação das almas. Peçamos à Virgem das Dores que nos dê a graça de nos associar à cruz de Cristo, imitando-a, a fim de podermos alcançar a glória do céu.
Deus nos concede hoje uma graça extraordinária com a bênção desta capela e nos dando como padroeira a sua própria Mãe, e Mãe das Dores.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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