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7 de julho de 2014

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - 18ª Parte

5. “A caridade de Deus para conosco mostrou-se em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo para que vivamos por ele” (Jo 4,9). Pelo pecado, todos os homens estavam mortos e teriam permanecido mortos se o eterno Pai não tivesse enviado seu Filho a restituir-lhes a vida por meio de sua morte. Mas como? um Deus morrer pelo homem! Um Deus! E que é esse homem? “Quem sou eu? pergunta S. Boaventura. Por que, Senhor, por que me amastes tanto assim?” Mas é aqui que resplandece o amor infinito desse Deus. A Igreja canta no Sábado Santo:“Ó admirável condescendência de vosso amor para conosco. Ó inestimável predileção de vossa caridade: para remirdes o servo, entregastes o Filho!” Vós, pois, meu Deus, assim procedestes para que vivêssemos por Jesus Cristo. Sim, é muito justo que vivamos por aquele que por nós deu todo o seu sangue e a sua vida. Meu caro Redentor, à vista de vossas chagas e da cruz em que vos vejo morto por mim, eu vos consagro minha vida e toda a minha vontade. Ah, tornai-me todo vosso, de maneira que de hoje em diante não bosque e não suspire senão por vós. Amo-vos, bondade infinita, amo-vos, amor infinito, fazei que eu viva dizendo sempre: meu Deus, eu vos amo, eu vos amo e fazei que sejam também estas minhas últimas palavras na morte: meu Deus, eu vos amo, eu vos amo.

6. “Pelas entranhas de misericórdia de nosso Deus, como que o sol nascente nos visitou do alto” (Lc 1,78). Eis que vem à terra o Filho de Deus e remir-nos e e vem unicamente movido pelas entranhas de sua misericórdia. Mas, Senhor, se tendes compaixão do homem que se perdeu, não será suficiente enviar um anjo para remi-lo? Não, responde o Verbo eterno, quero fazê-lo pessoalmente, para que o homem compreenda quanto eu o amo. Escreve S. Agostinho: “O motivo principal por que Cristo veio foi para que o homem conhecesse quanto Deus o ama”. Mas, ó meu Jesus, já que viestes para vos fazer amar, quantos são os homens que vos amam verdadeiramente? Ah, pobre de mim. Vós sabeis como vos amei no passado, sabeis com que desprezo tratei o vosso amor. Ah, se eu pudesse morrer de dor. Arrependo-me, meu caro Redentor, de ter-vos assim desprezado. Ah, perdoai-me e junto com o perdão dai-me a graça de vos amar. Não permitais que eu viva ainda esquecido do amor que me tendes. Agora eu vos amo, mas vos amo pouco; vós mereceis um amor infinito. Fazei que eu ao menos vos ame com todas as minhas forças. Ah, meu Salvador, minha alegria, minha vida, meu tudo, e que mais quero eu senão vos amar a vós, bem infinito? Eu consagro todos os meus desejos à vossa vontade e, à vista dos padecimentos que quisestes sofrer por mim, ofereço-me a sofrer tudo o que vos aprouver. Afastai de mim todas as ocasiões de vos ofender. “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. Livrai-me do pecado e depois disponde de mim como vos aprouver. Eu vos amo, bondade infinita, e estou pronto a sofrer todas as penas, mesmo a de ser aniquilado, a viver sem vos amar.

7. “E o Verbo se fez carne” (Jo 1,14). Deus envia o Arcanjo Gabriel a requerer o consentimento de Maria se quer aceitá-lo por filho. Maria dá o seu consentimento e o Verbo divino se faz homem. Ó prodígio que assombra o céu e a natureza: o Verbo feito carne, um Deus feito homem. Que diríamos se víssemos um rei feito verme para salvar com sua morte a vida de um vermezinho da terra? ora, vós, meu Jesus, sois o meu Deus e, não podendo morrer como Deus, vos fizestes homem para poderdes morrer e dar a vida por mim. Meu doce Redentor, como é possível que eu não morra de dor à vista de tantas misericórdias que usastes comigo e de tão grande amor que me haveis demonstrado? Vós descestes do céu para procurar-me, ovelha perdida, e eu tantas vezes vos tenho repelido, preferindo as minhas indignas satisfações. Visto porém, que vós me quereis, eu abandono tudo, quero ser vosso e não quero outra coisa além de vós. Elejo-vos por único objeto de meus afetos: Meu dileto é meu eu sou dele.Vós pensais em mim e eu não quero pensar senão em vós. Fazei sempre que vos ame, e não deixe de vos amar. Porque eu vos amo, contento-me com ficar privado de todas as consolações sensíveis e sofrer todas as penas.Vejo que me quereis todo para vós e eu quero também ser todo vosso. Conheço que tudo o que existe no mundo é mentira, engano, fumaça, futilidade e vaidade.Vós sois o verdadeiro e único bem e por isso vós só me bastais. “Meu Deus, quero a vós somente e nada mais”. Senhor, ouvi-me, quero só a vós e nada mais.

8. “Aniquilou-se a si mesmo” (Fl 2,7). Eis o Unigênito de Deus onipotente, verdadeiro Deus como o Padre, nascido como uma pequena criança em uma gruta. “Ele se aniquilou a si mesmo, tomando a forma de servo e feito semelhante aos homens”. Quem quiser ver um Deus aniquilado, entre na gruta de Belém e aí encontrará como um menino ligado com faixas, sem se poder mover, chorando e tremendo de frio. Ah, santa fé, dizei-me de quem é filho este pobre menino? Ela responde: Ele é Filho de Deus e verdadeiro Deus. E quem o reduziu a esse mísero estado? Foi o amor que ele tem aos homens. E encontrar-se-ão homens que não amem este Deus? Vós, meu Jesus, consumistes vossa vida inteira entre as penas, para fazer-me compreender o amor que me tendes, e eu desperdicei a minha vida, desprezando-vos e desgostando-vos com os meus pecados. Ah, fazei-me conhecer o mal que eu vos fiz e o amor que mereceis. Mas, desde que me haveis suportado até agora, não permitais que eu ainda vos ofenda. Inflamai-me inteiramente de vosso santo amor e recordai-me sempre quanto padecestes por mim, para que eu de hoje em diante me esqueça de tudo e não pense noutra coisa senão em vos amar e dar-vos gosto. Vós viestes à terra para reinar em nossos corações: pois bem, tirai do meu coração tudo o que vos impeça de possuí-lo inteirinho. Fazei que a minha vontade seja toda conforme à vossa e a vossa seja a minha e que ela seja a regra de todas as minhas ações e meus desejos.

9. “Um menino nos foi dado e um filho nos nasceu” (Is 9,6). O fim que teve em vista o Filho de Deus, querendo nascer como uma criança,foi o de dar-se a nós desde sua infância e assim ganhar o nosso amor: Para que fim toma Jesus esta doce e amável condição de menino, pergunta S. Francisco de Sales, senão para excitar-nos e amá-lo e a confiar nele? E já S. Pedro Crisólogo o havia dito: “Quis nascer desta maneira, porque quis ser amado”. Meu caro menino, e meu Salvador, eu vos amo e em vós confio. Vós sois minha esperança e todo o meu amor. E que seria de mim, se não viésseis do céu para me salvar? O inferno seria minha partilha pelas ofensas que vos fiz. Seja bendita a vossa misericórdia, pois estais sempre pronto a perdoar-me se eu me arrepender de meus pecados. Sim, eu me arrependo de todo o meu coração, ó meu Jesus, de vos haver desprezado. Recebei-me na vossa graça e fazei que eu morra a mim mesmo para viver só para vós, meu único bem. Queimai, ó fogo consumidor, em mim, tudo o que desagrada aos vossos olhos e atraí para vós todos os meus afetos. eu vos amo, ó Deus de minha alma, eu vos amo, meu tesouro, minha vida, meu tudo. Eu vos amo e quero expirar dizendo: Meu Deus, eu vos amo, para começar então a amar-vos com amor perfeito que não terá mais fim.

10. Os santos profetas suspiraram durante tantos anos pela vinda de nosso Salvador: “Destilai, ó céus, o vosso orvalho e as nuvens chovam o justo” (Is 45,8). “Enviai o cordeiro que há de dominar a terra” (Is 16,1). “Dai-nos o vosso Salvador” (Sl 84,6). O profeta Isaías dizia: “Oxalá romperas tu os céus e desceras de lá, os montes se derreteriam diante de tua face.... e as águas arderiam em fogo” (Is 64,1-2). Senhor, dizia, quando os homens vos virem descido à terra por seu amor, e derreterão os montes, isto é, os homens vencerão todas as dificuldades para servir-vos, que lhes pareciam ao princípio montes insuperáveis. As águas arderão em fogo, isto é, as almas mais frias, à vista de vós feito homem, se abrasarão no vosso santo amor. E isso se deu de fato com muitas almas felizes, coo S. Teresa, um S. Filipe Néri, um S. Francisco Xavier, que ainda nesta terra se abrasaram neste fogo. Ma quantas são elas? Em verdade, muito poucas. Ah, meu Jesus, eu quero ser do número dessas poucas. Eu deveria já há tantos anos arder no inferno, separado de vós, odiando-vos maldizendo-vos para sempre. Mas vós me suportastes com tanta paciência, para ver-me abrasado, não neste fogo desgraçado, mas no bem-aventurado fogo de vosso amor. Para esse fim me destes tantas luzes e tantos toques do coração, enquanto eu estava longe de vós, enfim tanto fizestes que com vossos doces atrativos me obrigastes a amar-vos. Eis que eu já sou vosso. Eu quero ser sempre vosso e todo vosso. A vós pertence tornar-me fiel e eu o espero com segurança de vossa bondade. Ah, meu Deus, quem terá ainda ânimo de vos abandonar e de viver ainda que seja por um momento sem vosso amor? Eu vos amo, ó meu Jesus, sobre todas as coisas, mas isto é pouco. Amo-vos mais do que a mim mesmo e é ainda pouco. Amo-vos com todo o meu coração, com toda a minha alma e também isso é ainda pouco. Ó meu Jesus, ouvi-me, dai-me mais amor, mais amor. Ó Maria, rogai a Deus por mim.

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