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4 de novembro de 2016

Sermão para a Festa de São Pedro e São Paulo – Padre Daniel Pinheiro IBP

[Sermão] Igreja Católica Apostólica Romana – a romanidade



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém
Ave Maria…
Nosso Senhor Jesus Cristo fundou uma só Igreja. Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, no singular. Ele a fundou de forma que a pudéssemos reconhecer. Ele a fundou sobre Pedro, que é a pedra desse edifício divino-humano. Pedra é o fundamento de uma edificação. É a autoridade que dá o fundamento em uma sociedade. Assim, Pedro é o fundamento visível da Igreja, sendo Cristo o fundamento invisível. A chave sobre os ombros representa o poder sobre uma cidade. São Pedro tem as chaves do Reino dos céus, ele tem o poder na Igreja de Cristo. Ele tem o poder de tudo ligar e desligar em conformidade com a vontade de Deus, quer dizer, um poder universal. Poder universal não para fazer ou ensinar novidade, mas para propagar o Evangelho de Cristo.
Por disposição da providência, foi em Roma que São Pedro estabeleceu a sua sé apostólica e foi nessa cidade que conheceu o martírio. São Pedro foi, então, o Bispo de Roma. Roma que, com São Pedro e seus sucessores ao longo dos séculos,  isto é, com os Papas, passa de mestra da mentira para discípula da Verdade. Roma é discípula da Verdade, que é Cristo. O Papa tem a função de transmitir, guardar, explicar, explicitar e defender a Verdade e não de inventar novidades. Roma é discípula da Verdade e não a sua autora.
Em Roma, como dissemos, São Pedro foi Bispo e ali conheceu o martírio. São Paulo, apóstolo dos gentios, também foi martirizado em Roma. A Igreja de Cristo é una, santa, católica, apostólica e romana. Às vezes, esquecemos de que ela é romana. E nos esquecemos da romanidade que deve ter o católico. Essa romanidade que leva ao respeito e veneração pelo Papa. Essa romanidade que nos leva a rezar pelo Papa como por um pai, ainda quando, eventualmente, não exerça tão bem a sua função.
Nós vivemos, sem dúvida, uma época de paixão da Igreja. E podemos comparar a paixão da Igreja à paixão de Cristo. Vejamos. Nosso Senhor tem duas naturezas, a humana e a divina, unidas na pessoa do Verbo. Muitos se escandalizam com a paixão de Cristo. Alguns dizem: esse não é Deus. Os apóstolos se escandalizaram, excetuando São João. Na história, temos o exemplo da heresia ariana, que nega a divindade de Cristo. Outros, diante da paixão, negaram a humanidade de Cristo, afirmando que o sofrimento era meramente aparente. Na história, temos o exemplo do erro herético do docetismo. Tanto a negação da divindade de Cristo quanto a negação de sua humanidade destroem a redenção. Se Cristo não é Deus, suas ações não têm um valor infinito para reparar pelos nossos pecados, que são ofensas infinitas feitas a Deus. Se Cristo não é homem, não é a cabeça do gênero humano, não repara em nosso nome. São duas maneiras opostas de destruir a obra da redenção. Ora, Cristo é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Sofreu em sua humanidade permanecendo Deus.
A Igreja, por sua vez, é humana e divina. Ela é humana em seus membros de qualquer posição hierárquica, que podem falhar, mesmo seriamente. A Igreja é divina em seu magistério infalível, nos seus sacramentos, na sua origem, na sua alma, que é o Espírito Santo. Nós vivemos um tempo de crise da Igreja, tempo de paixão da Igreja. Como com Nosso Senhor, muitos se escandalizam. Alguns dizem que ela não é divina, que não é a Igreja de Cristo, que não há mais Papa. Arrumam uma solução pior que o problema. Uma solução que leva ao absurdo, o que prova a falsidade do raciocínio. É uma solução que vai contra as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo de que as portas do inferno não prevalecerão. Com essa solução, teríamos uma Igreja sem o seu fundamento, sem o poder das chaves há mais de 40, 50 anos. Seria forçoso dizer que as portas do inferno prevaleceram e que a Igreja não é, então, divina, como os que negam a divindade de Cristo ao ver o calvário. Outros se escandalizam dizendo que na Igreja não há problema algum na sua parte humana, e afirmando que não há crise alguma na Igreja, mas apenas aparência de crise por problemas externos. Fazem como aqueles que negavam a humanidade de Cristo, dizendo que o seu sofrimento era puramente aparente e não real.
Devemos responder como aqueles que permaneceram fiéis no calvário e depois. A Igreja sofre pela sua parte humana, mas ela é divina, permanecendo tal como constituída por Cristo, transmitindo fielmente a sua doutrina em seu magistério infalível. Devemos exercer a romanidade, amando profundamente o Santo Padre (respeitando-o e rezando por ele) e comportando-nos sem servilismo – obediência a ordens ilegítimas – e sem desobediência – rebeldia a ordens legítimas da legítima autoridade.
A Igreja de Cristo é Católica Apostólica Romana.

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