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17 de novembro de 2016

Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

V I
PREPARAÇÕES  DIVINAS
(Tempo do Advento)

A FONTE  de todas as bênçãos de Deus sobre nós está  na  escolha que Ele fez das nossas almas,
desde a eternidade, para as tornar <
Diz S. Paulo «que esta adoção nos foi dada pela graça de Jesus Cristo, enviado por Deus na plenitude dos tempos» :  At ubi venit plenitudo temporis misit  Deus Filium suum factum  ex muliere  . . .  ut adoptionem  fíliorum reciperemus.
Este desígnio eterno de Deus <
Como sabeis, foi durante quatro mil anos que Deus quis preparar a humanidade para a revelação deste mistério. Por que razão demorou Deus tantos séculos a vinda do Seu Filho ao meio de nós? Nós, simples criaturas, não podemos penetrar o último porquê das condições em que Deus realiza as Suas obras ; Ele é o Ser infinitamente soberano «que não precisa de conselhei­ro». Mas é também «a Sabedoria personificada, que tudo regula com medida e equilíbrio, com força e doçura», Podemos, no entanto, examinar humildemente algumas das conveniências que Ele manifesta em Seus mistérios. Era preciso que os homens, que haviam pecado por orgulho  - Eritis sicut dii - fossem por uma prolongada experiência da sua fraqueza e da amplitude da misericórdia de Deus obrigados a reconhecer a necessidade absoluta que tinham dum Redentor em aspirar ardentemente pela sua vinda.
Com efeito, toda a religião do Antigo Testamento se resume neste brado que saía sem cessar do coração dos patriarcas e dos justos fiéis : «Céus, mandai-nos o vosso orvalho!  Abra-se a terra e dê-nos o Salvador» ! A ideia deste Redentor futuro abrange toda a Antiga Lei ; todos os símbolos, todos os ritos e sacrifícios o representam:  Haec omnia in figura contingebant illis: para Ele convergem todos os votos e todos os desejos. Segundo  a  bela expressão dum autor dos primeiros séculos, o Antigo Testamento trazia Jesus Cristo em suas entranhas :  Lex  Christo gravida erat. A religião de Israel era a espectativa do Messias libertador.
Além disso, a grandeza do mistério da Incarnação e a majestade do Redentor exigiam que a Sua revelação só aos poucos fosse feita. O homem, logo depois do pecado, não era digno de receber nem capaz de acolher  a manifestação plena do Homem-Deus. Por isso, Deus, com uma economia cheia de sapiência e, ao mesmo tempo, de misericórdia, só pouco a pouco, pela voz dos profetas, revelou este inefável mistério. Quando a humanidade estivesse suficientemente preparada, o Verbo,
tantas vezes anunciado, tantas vezes prometido, há tanto tempo esperado, surgiria em pessoa neste mundo para nos instruir:  Multifariam multisque modis olim Deus loquens patribus in prophetis ... novissime locutus est  nobis  ín  Fílio.
Indicar-vos-ei, pois, alguns traços dessas divinas preparações para a Incarnação. Veremos com que prudência Deus dispôs o gênero humano para receber a salvação; teremos então ensejo de agradecer ao «Pai das misericórdias» ter-nos feito viver «na plenitude dos tempos» - que ainda dura - em que concede aos homens o dom inestimável do Seu Filho.

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