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21 de fevereiro de 2014

Amor de Deus em fazer-se criança.

Parvulus natus est nobis, et filius datus est nobis — “Nasceu-nos uma criança, e foi-nos dado um filho” (Is. 9, 6).

Sumário. Querendo o Filho de Deus fazer-se homem, podia aparecer no mundo como homem perfeito, assim como foi criado Adão. Como, porém, as crianças atraem mais facilmente o amor dos que as vêem, Jesus Cristo quis aparecer na terra como criança, e como a criança mais pobre e humilde que jamais tenha nascido. Como é então possível, ó meu Jesus, que sejam tão poucos os que Vos amam? Do número destes poucos eu também quero ser. Sim, ó Bondade infinita, amo-Vos de todo o coração e sobre todas as coisas.

I. Querendo o Filho de Deus fazer-se homem por nosso amor, podia fazer sua entrada no mundo na idade de homem já perfeito, assim como foi criado Adão. Como, porém, as crianças soem atrair mais facilmente o amor dos que as vêem, quis Ele aparecer na terra como criança, e como a criança mais pobre e humilde que jamais tenha nascido. “É assim que quis nascer nosso Deus”, escreve São Pedro Crisólogo, “porque quis ser amado.” Já o profeta Isaías predissera que o Filho de Deus devia nascer criança e dar-se assim todo inteiro a nós, pelo amor que nos tinha: Parvulus natus est nobis, et filius datus est nobis (1) — “Nasceu-nos uma criança, e nos foi dado um filho”.

Ah, meu Jesus, meu supremo e verdadeiro Deus! Quem Vos forçou a deixar o céu e a nascer numa gruta, a não ser o amor que tendes aos homens? Quem Vos obrigou a deixar o seio de vosso Pai e ser deitado numa manjedoura? Quem Vos fez deixar o vosso reino acima das estrelas, para serdes colocado sobre a palha? Quem Vos constrangeu a deixar os coros dos anjos e estar entre dois animais? Vós abrasais os serafins no santo fogo do amor, e estais tremendo de frio nessa gruta. Vós dais o movimento aos céus e ao sol, e agora, para Vos mover, haveis mister que alguém Vos tome nos braços. Vós dais alimento aos homens e aos animais, e estais precisando de um pouco de leite para sustentar a vossa vida. Vós sois a alegria do céu, e ouço que estais chorando e gemendo. Dizei-me, quem é que Vos reduziu a tão extrema miséria? “Quis hoc fecit? Fecit amor”, diz São Bernardo, - Fê-lo o amor que tendes aos homens.

II. Ó doce Menino Jesus, dizei-me, que viestes fazer sobre a terra? Dizei-me, que vindes aqui buscar? Ah! Já Vos entendo: viestes morrer por mim, para me livrar do inferno. Viestes buscar-me, a ovelha perdida, para que no futuro nunca mais fuja de Vós, e Vos ame. Ó meu Jesus, meu tesouro, minha vida, meu amor, meu tudo, se não Vos amo, a quem hei de amar? Onde posso achar um pai, um amigo, um esposo mais amável que Vós, e que mais do que Vós me queira bem? Amo-Vos, meu Deus, amo-Vos, meu único Bem. — Lastimo ter vivido tantos anos para o mundo, não somente sem Vos amar, mas ofendendo-Vos e desprezando-Vos. Perdoai-me, ó meu amado Redentor, já que me arrependo de Vos ter tratado assim, e me arrependo de toda a minha alma. Perdoai-me e dai-me a graça de não me separar mais de Vós, e de Vos amar sempre no tempo de vida que ainda me resta. Meu Amor, a Vós me consagro todo; aceitai-me e não me rejeiteis como tinha merecido. — Maria, vós sois a minha advogada; com as vossas súplicas obtendes de vosso Filho tudo o que pedirdes: pedi-Lhe que me perdoe e me conceda a santa perseverança até à morte. (II 357.)

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1. Is. 9, 6.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 239 - 241.)

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