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9 de agosto de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 160

UM SANTO E UM COMERCIANTE

É interessante o que se passou certa ocasião com S. João Bosco, grande amigo da mocidade e grande convertedor de pecadores. Apresentou-se-lhe um comerciante para tratar de assuntos relativos ao seu comércio. Mas, como para aquele grande mestre o maior negócio da vida era o da salvação eterna da alma, conhecendo sem dúvida por divina revelação que aquele homem andava muito bem de assuntos financeiros, porém muito mal de temor de Deus e muito afastado do cumprimento de seus deveres de cristão, disse-lhe sem mais preâmbulos:
— Já sabe, amigo, que é preciso confessar-se?
— D. Bosco — replicou o comerciante — deixemos esse assunto para outro dia.
— E contudo, este é o mais importante de todos. O amigo já sabe que é preciso confessar-se e fazer a páscoa.
— Ninguém o duvida!... mas eu não vim para isso.
— Pois eu para isso estou aqui, por isso vou repetir: Já sabe, amigo, que é preciso que se confesse e faça a páscoa?
O comerciante ficou um pouco agastado e disse:
— Mas, D. Bosco, o senhor me tem por um herege?
— Não, amigo — replicou o santo com seu sorriso imperturbável; — não o tenho por herege, mas digo-lhe unicamente que é preciso confessar-se e fazer a páscoa.
— Bem — exclamou enfadado o comerciante — e quem lhe disse que eu ainda não o fiz? Quem lhe disse que ainda não me confessei este ano?
D. Bosco, com as mãos cruzadas sobre o peito, e fixando-o com um olhar que penetrava até o fundo da consciência, disse-lhe acentuando bondosamente cada palavra:
— Está bem; eu apenas lhe recordo que é preciso...
— Pois eu lhe digo — insistiu o comerciante — que eu agora não tenho vontade nem tempo.
— E eu repito — acrescentou o santo — que é preciso...
Não pode resistir mais o comerciante a graça de Deus, que, pelas palavras do grande educador, lhe comovia o coração e respondeu:
— Meu Padre, faz mais de quarenta anos que não me confesso.
E o santo com maior bondade, maior doçura e compassivo olhar, respondeu:
— Por isso, meu filho, eu lhe dizia: É preciso confessar e fazer a páscoa.
E, após uma boa confissão, o comerciante, que fora tratar de assuntos comerciais, dali saiu mais rico e feliz do que nunca por haver comprado a graça de Deus e a paz da alma.

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