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3 de agosto de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 157

A MISSA DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

Segundo S. Teresa, que o conheceu pessoalmente e muitas vezes o consultou em casos difíceis, poucos Santos tiveram vida tão interior e receberam graças tão insignes como S. Pedro de Alcântara.
O seu amor a Jesus e a sua devoção à sagrada paixão do Salvador eram inefáveis: dificilmente se faz uma ideia da piedade com que celebrava o Santo Sacrifício e do recolhimento, da fé viva e do amor com que se aproximava do santo altar. Quando celebrava, os fiéis corriam à igreja desejosos de presenciar os favores divinos que o santo recebia.
Dizem os biógrafos que, dirigindo-se à sacristia, ele transportava-se ao Pretório e a lembrança da paixão o penetrava de tal modo que os paramentos de que se revestia eram aos seus olhos como que vestes da Vítima divina. Absorto neste pensamento, dirigia-se ao altar com os mesmos sentimentos com que se teria dirigido ao Calvário; e ali, abrangendo com um olhar o mundo inteiro, oferecia o Santo Sacrifício em união com Jesus, e pedia a Deus que recebesse a Hóstia divina pela salvação de todos.
Desde as primeiras palavras, a sua devoção comovia os presentes. Quando lia o Evangelho e principalmente quando pronunciava o nome de Jesus, o ardor do seu coração era tão grande que de seu peito irrompiam suspiros e de seus olhos brotavam lágrimas. Ao Canon o seu rosto inflamava-se; e quanto mais se aproximava a Elevação, tanto mais viva era a sua comoção. Era preciso contemplá-Io depois da consagração: o corpo imóvel, o rosto inflamado, os olhos atentos e expressivos como se ele estivesse vendo realmente o mistério adorável oculto sob as sagradas espécies. Com frequência perdia os sentidos e, não obstante a sua resistência, era arrebatado e elevado da terra. Voltando a si, continuava a rezar o Pater noster com muitos suspiros e lágrimas.
Após a Comunhão os êxtases e a imobilidade recomeçavam. Ficava confundido com esses favores extraordinários, e, para evitar a admiração dos presentes, fugia o mais possível de celebrar em público.
Ordinariamente despia depressa os paramentos e corria a fechar-se em sua cela, onde gozava em paz da visita do Hóspede divino. A sua ação de graças era longa e entrecortada de suspiros amorosos. Assim se explica o que a respeito afirmaram os que o conheceram de perto: que ele conseguiu mais conversões com a celebração da santa Missa do que todos os pregadores de sua província com seus sermões; e que muitíssimos dos que o viram celebrar procuravam-no, depois, para se confessarem e receberem os seus sábios conselhos.

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