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3 de maio de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 354

AS LÁGRIMAS DE UM SANTO

Certa vez apresentou-se a São Francisco de Sales, para confessar-se, um individuo que contava os pecados com incrível apatia, para não dizer petulância, e com sinais de tão pouca dor, que mais parecia narrar historias do que acusar pecados. O Santo, vendo a má disposição daquela alma, não se conteve e começou a chorar. O penitente, preocupado, indagou:
— Padre, o sr. sente-se mal?
— Não, graças a Deus, estou bem; o sr. é que está mal...
— Eu me sinto muito bem, interrompeu o outro.
— Pois. bem... então continue.
O penitente continuou a dizer coisas de arrepiar os cabelos, mas sem nenhum sinal de arrependimento e com urna frieza espantosa. O Santo não pode conter-se; pôs-se a soluçar, a derramar lágrimas.
— Mas, por que chora, padre?
— Choro... não posso deixar de chorar porque o sr. não chora.
O penitente, que resistira à primeira vez, não pode resistir à segunda. Chegara a hora da graça, e ele exclamou:
— Ai! como sou miserável! Como não sinto dor dos meus pecados, quando eles arrancam lágrimas a um inocente?
Este pensamento comoveu-o tanto, que quase caiu desmaiado. O Santo recitou então com ele o ato de contrição com tanta dor, que, dali em diante, o penitente foi um cristão fervoroso e um modelo de penitência.

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