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13 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

IX
 Jesus cai pela terceira vez
Referindo-se a Jesus Cristo, dizia Isaías: «Deus quis, durante a Paixão, esmagá-lo pelo sofrimento»: Dominus voluit conterere eum in infirmitate. Jesus é esmagado pela justiça. Nunca poderemos, nem sequer no céu, calcular o que foi para Jesus ser exposto aos dardos da justiça divina. Nenhuma criatura, nem mesmo os réprobos, suportou o peso dessa justiça em toda a sua plenitude. Mas a santa Humanidade de Jesus, unida a essa justiça divina por um contacto imediato, suportou toda a força e rigor dela. Por isso, Vítima, como foi, entregue, por amor, a todos os seus golpes, é esmagada pelo peso dessa justiça santa.
 Ó Jesus, ensinai-me a detestar o pecado, que obriga a justiça a exigir de Vós semelhante expiação! F'azei que eu una aos Vossos todos os meus sofrimentos, para por eles poder apagar os meus pecados e satisfazer por eles já neste mundo.


X
.Jesus despojado dos seus vestidos
 «Repartiram entre si as minhas vestes e tiraram à sorte a minha túnica". É profecia do Salmista. Jesus é despojado de tudo e, posto na nudez da mais absoluta pobreza, nem sequer dispõe das Suas vestes, pois, logo que esteja pregado na cruz, os soldados vão-nas distribuir entre si a sortear a túnica. Jesus, por um movimento do Espírito Santo - Per Spiritum sanctum semetípsum obtulit Deo -, abandona-se aos algozes, como Vítima pelos nossos pecados.
 Nada há que mais glória dê a Deus nem mais útil seja para as nossas almas, do que unir o oferecimento absoluto e sem condições de nós mesmos ao que fez Jesus no momento em que se abandonava aos carrascos para ser despido das Suas vestes e pregado na cruz, «a fim de nos dar, pela Sua desnudez, as riquezas da Sua graça». Este oferecimento de nós mesmos é um verdadeiro sacrifício; esta imolação à vontade divina é a essência de toda a vida espiritual. Mas, para que tenha todo o seu valor, devemos uni-la à de Jesus, pois "foi por esta oblação que nos santificou a todos»: In qua voluntates anctificati sumus.
 Ó Jesus, recebei a oblação que Vos faço de todo o meu ser, uni-a à que fizestes Vós ao Pai celeste, logo que chegastes ao Calvário; despojai-me de todo o apego à criatura e a mim mesmo!


 XI
Jesus pregado na cruz
 «Crucificaram-No, e com Ele mais dois, um de cada lado, e Jesus no meio». Jesus entrega-se aos algozes «como um cordeiro, sem abrir a boca». É impossível exprimir a tortura desta crucifixão de mãos e pés. Quem poderia sobretudo dizer os sentimentos do Coração Sagrado de Jesus no meio daquele martírio. Devia repetir as palavras que dissera ao entrar neste mundo: «Pai, já não queres sacrifícios de animais; são insuficientes para reconhecer a tua santidade... Deste-me, porém, um corpo». Corpus autem aptasti mihí. "Eis-me aqui» Jesus vê continuamente a face do Pai e, com sentimentos de incomensurável amor, entrega o Seu corpo para reparar os insultos feitos à eterna majestade. Crucificam-No entre dois ladrões. Factus obediens usque ad mortem. E que morte? A morte da cruz: Mortem autem crucis. Porquê? Porque está escrito: «Maldito seja aquele que for suspenso do patíbulo». Quis ser posto "no rol dos celerados", a fim de reconhecer os direi­tos soberanos da santidade divina.
 Entrega-se também por nosso amor. Como Deus que era, via-nos a todos naquele momento. Ofereceu-se para nos resgatar, porque foi a Ele, Pontífice e Mediador, que o Pai nos entregou: Quia tui sunt. Que revelação do amor de Jesus para conosco! Majorem hac dilectionem nemo habet ut animam Suam ponat quis pro amicís suis. Não podia ter feito mais: In finem dilexit. E este amor é também o amor do Pai e do Espírito Santo, pois são um só.
 Ó Jesus que, «obedecendo à vontade do Pai e com a cooperação do Espírito Santo, destes a vida ao mundo com a Vossa morte, livrai-me, pelo Vosso santíssimo corpo e sangue, de todas as minhas iniquidades e de todos os meus males; fazei-me aderir inviolavelmente à Vossa lei e não permitais que jamais me separe de Vós". 

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