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14 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

XII
 Jesus morre na cruz
 «E clamando com voz possante disse: Pai, em tuas mãos entrego a minha alma. E, ditas estas palavras, expirou». Depois de três horas de indizível sofrimento, Jesus morre. «Está consumada a única oblação digna de Deus: Una enim oblatione consummavit in sempiternum sanctificatos.
 Jesus Cristo tinha prometido que, «quando fosse levantado na cruz, tudo atrairia a Si": Et ego si exaltatus fuero a terra omía traham ad meipsum. Nós pertencemos-Lhe por duplo título: como criaturas por Ele e para Ele tiradas do nada, como almas «resgatadas pelo Seu sangue» precioso: Redimisti nos, Domine in sanguine tuo. Uma única gota do sangue de Jesus, Homem Deus, bastaria para nos salvar, pois tudo n'Ele tem valor infinito; todavia, além de outras razões, quis derramar o Seu sangue até à última gota, deixando que Lhe abrissem o Coração Sagrado, para nos manifestar a extensão do Seu amor. E foi por todos nós que o derramou; todos podem repetir, com toda a verdade, a palavra candente de S. Paulo; «Amou-me e entregou -se por amor de mim».
 Peçamos-Lhe que nos atraia ao Seu Coração Sagrado pela virtude da Sua morte na cruz;
 peçamos-Lhe a graça de «morrer para o nosso amor próprio, para as nossas vontades próprias, fonte de tantas infidelidades e pecados, e viver para Aquele que morreu por nós». Visto que é à Sua morte que devemos a vida das nossas almas, não será justo que vivamos só para Ele? Ut et qui vivunt jam non sibi vivant, sed ei qui pro ipsis mortuus est.
 Pai, glorificai o Vosso Filho suspenso do patíbulo. «Já que Ele se humilhou até à morte e morte da cruz, exaltai-O; exaltado seja o nome que Lhe destes; que se dobre todo o joelho diante d'Ele; que toda a língua confesse que o Vosso Filho Jesus vive doravante na Vossa eterna glória» !


 XIII
O corpo de Jesus é descido da cruz e deposto no regaço de Sua Mãe
 É entregue a Maria o corpo dilacerado de Jesus.
 Não podemos imaginar a dor da Virgem naquele momento. Nunca houve mãe alguma que mais amasse o seu filho como Maria amou Jesus; o seu coração materno fora formado pelo Espírito Santo para amar a um Homem Deus. Jamais coração humano pulsou com mais ternura para com o Verbo Incarnado do que o de Maria; ela era cheia de graça e o seu amor não encontrava obstáculo ao seu pleno desabrochar.
 Depois, devia tudo a Jesus: a sua Imaculada Conceição, os privilégios que fazem dela criatura sem par, foram-lhe concedidos em previsão da morte do seu Filho. Que dor inexprimível não foi a dela, quando recebeu em seus braços o corpo ensanguentado de Jesus!
 Lancemo-nos a seus pés, pedindo-lhe perdão dos nossos pecados, que foram causa de tanto sofrimento. «Ó Mãe, fonte de amor, fazei-me compreender a intensidade da vossa dor, para compartilhar da vossa aflição: fazei que o meu coração se abrase de amor a Jesus Cristo, meu Deus, para que só pense em Lhe agradar.


 XIV
Jesus deposto no sepulcro
 «José de Arimateia, depois de descer da cruz o corpo de Jesus, envolveu-o num lençol e depô-lo num sepulcro, cavado na rocha, no qual ninguém ainda tinha sido sepultado.
 Dizia S. Paulo que Jesus Cristo devia ser «em tudo semelhante a nós». Até na sepultura Jesus é um dos nossos. «Enterraram-no, diz S. João, à moda dos judeus, envolto em panos e aromas». Mas o corpo de Jesus, unido ao Verbo, «não devia estar sujeito à corrupção». Ficará no túmulo apenas três dias; por Sua própria virtude, dele sairá vencedor da morte, resplandecente de vida e de glória, e «a morte não mais terá império sobre Ele».
 O Apóstolo diz-nos ainda que, «pelo Batismo, fomos sepultados com Jesus Cristo para morrer para o pecado»: Consepulti enim sumus cum illo per baptismum in mortem. As águas do Batismo são como que um sepulcro onde devemos deixar o pecado e donde saímos animados duma vida nova, da vida da graça. A virtude sacramental do Batismo dura sempre. Unindo-nos, pela fé e pelo amor, a Jesus Cristo deposto no túmulo, renovamos a graça de «morrer para o pecado, a fim de vivermos só para Deus".
 Senhor Jesus, fazei que eu enterre no Vosso túmulo todos os meus pecados, todas as minhas faltas e infidelidades. Pela virtude da Vossa morte e sepultura, fazei que eu renuncie cada vez mais a tudo o que me afasta de Vós, a Satanás, às máximas do mundo, ao meu amor próprio. Pela virtude da Vossa Ressurreição, dai-me a graça de viver, como Vós, unicamente para a glória do Vosso Pai!

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