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23 de março de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

XII 

NO ALTO DO TABOR 

 A VIDA de Nosso Senhor Jesus Cristo na terra, tem, mesmo nas suas particularidades, um valor tal, que lhe não podemos esgotar todas as profundezas. Uma só palavra do Verbo Incarnado, d' Aquele que está sempre in sinu Patris, é uma revelação tão grande que, só por si, qual fonte sempre viva de água salutar, é bastante para fecundar toda uma vida espiritual. Vê-mo-lo na vida dos Santos: muitas vezes bastou uma palavra Sua para converter inteiramente a alma para Deus. As Suas palavras vêm do céu; daí a sua fecundidade.
 O mesmo acontece com as Suas ações: são para nós modelos, luzes, fontes de graças.
 Procurei, na conferência anterior, mostrar-vos alguns aspectos da vida pública de Jesus, o bastante para vos fazer entrever o que há de inefavelmente divino, bem como de indizivelmente humano, neste período de três anos. Bem contra minha vontade, vi-me obrigado a pôr de parte muitos passos do Evangelho e passar em silêncio muitas cenas contadas pelos escritores sagrados.
 Há, porém, uma página, página única e tão singular, mistério tão cheio de grandeza e ao mesmo tempo tão fecundo para as nossas almas, que merece lhe dediquemos uma conferência inteira: a Transfiguração.
 Muitas vezes vos tenho dito que nada devemos ter em maior apreço do que o dogma da Divindade de Jesus. Primeiramente, porque nada Lhe é maís agradável: em segundo lugar, porque este dogma é simultaneamente a base e fundamento, o centro e remate de toda a nossa vida interior. Ora a Transfiguração é um desses episódios em que particularmente se vêem irradiar, aos olhos humanos, os esplendores dessa Divindade.
 Contemplemo-Lo, pois, com fé, mas também com  amor. Quanto mais viva for esta fé, quanto maior for o amor com que nos aproximarmos de Jesus neste mistério, tanto maior e mais profunda será também a nossa capacidade para sermos interiormente cheios da Sua luz e inundados da sua graça. Cristo Jesus, Verbo eterno, Mestre Divino, Vós que sois o esplendor do Pai e fulgor da Sua substância, Vós que dissestes: «Se me alguém amar, Eu me manifestarei a ele», - fazei que vos amemos com fervor, para podermos receber de Vós uma luz mais intensa a respeito da Vossa Divindade, pois nisso está, como Vós o dissestes, o segredo da nossa vida, da vida eterna: «Conhecer que o nosso Pai celeste é o único verdadeiro Deus e que Vós sois o Seu Cristo», enviado ao mundo para ser o nosso rei e o Pontífice da nossa salvação. Iluminai a nossa alma com um raio desses esplendores divinos que brilharam no Tabor para que a nossa fé na Vossa Divindade, a nossa esperança nos Vossos méritos e o nosso amor pela Vossa pessoa adorável aumentem e se fortaleçam cada vez mais! 

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