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1 de outubro de 2016

Homília do 18º Domingo depois de Pentecostes - Padre Renato IBP



São Paulo dá graças a Deus pelos bens que seus fiéis receberam de Cristo. Diz mais, diz que, em Cristo, seus fiéis (o que pode se expandir para todos os católicos batizados) são cumulados de todas as riquezas. Todavia, conforme São Paulo continua em sua carta aos Coríntios, como pode ser que os fiéis que são tão enriquecidos em Cristo agem com tamanha ausência de caridade entre eles? E aí está o contraste, sermos católicos, filhos adotivos de Deus, mas agirmos como filhos da ira. A riqueza que recebemos de Cristo não é para guardamos escondida, como fez o servo mau na parábola dos talentos, mas devemos fazer tal riqueza frutificar, gerar lucro, usando o vocábulo dessa mesma parábola.
Aqui cabe questionar o comportamento de muitos católicos modernos. Como pode que, sendo tão enriquecidos em Cristo, muitos casais católicos agem com tamanha avareza em relação a terem uma família numerosa? Onde está a riqueza da fé em Deus que cuida de todos, até do menor fio de cabelo que cai de nossas cabeças (Cf. Lc 21, 18)? Onde está a riqueza da confiança em Cristo que nos ensina a não acumularmos tesouros na terra, onde a traça, a ferrugem e os ladrões destroem, mas a entesourar para nós tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem a traça ou ladrões destroem (Cf. Mt 6, 19-20)? E diz também (Mt 6, 33-34): “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. Não vos preocupeis, pois, demasiadamente, pelo dia de amanhã; o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”.
Todavia, nos orientamos com padres segundo nossos gostos e não os que refletem a doutrina íntegra de Cristo e de Sua Igreja. “Padres” que apoiam “nossa visão pessoal da religião”, que dizem não ter problema algum em evitar filhos ou usar o chamado método natural, por exemplo. Mas o católico deve ser aquele que se adequa à religião e não aquele que buscar adequar a religião para si mesmo, como muito se prega e pratica hoje na igreja pós-conciliar.
Por exemplo, podemos ler nos manuais verdadeiramente católicos de moral que não se pode separar o aspecto unitivo do aspecto procriativo no ato conjugal. Querer a união, sem a procriação, é ir contra o desígnio de Deus para tal ato. Querer a procriação sem a união do ato conjugal, também é pecaminoso, por isso a Igreja condena todo método de fertilidade que envolva tal imoralidade, como o “in vitro” e afins.
Onde, na Bíblia, podemos ler uma apologia ou defesa do controle de natalidade? Pelo contrário, os filhos são chamados bênçãos de Deus (Cf. Salmo 127, 3-5; Prov 17,6; Gen 1, 28) e não maldições que recaem sobre um casal.
O assim chamado método natural, como todo remédio, só é tolerado em casos de alguma forma de doença, ou dificuldade grave, e não deve ser usado sem necessidade, como não se deve tomar remédio quando se está em boa saúde, pois o resultado será a perda dessa mesma saúde. Não havendo necessidade grave, julgada de preferência com conselhos sábios, tal método pode trazer muitas desgraças na vida do casal, tanto de ordem corporal quanto espiritual. Já ensinava o então Papa Pio XII: “abraçar o estado de matrimônio, usar constantemente da faculdade que lhe é própria e que só é lícita nos limites do matrimônio, e, por outro lado, se subtrair sempre e deliberadamente, sem grave motivo, ao seu dever principal [isto é, gerar filhos], seria um pecado contra o próprio sentido da vida conjugal.” E ele continua: “Pode-se ser dispensado dessa prestação positiva obrigatória (da fecundidade), mesmo por longo tempo, até mesmo pela duração inteira do matrimônio, por motivos sérios, como os (...) de “indicação” médica, eugênica, econômica e social.”. Vemos que é preciso haver motivos graves para usar o método natural. A Igreja permite, nesses casos, o seu uso. Mas de modo algum recomenda, como se fosse algo a ser usado por todos os casais indistintamente, ou como um ideal. Assim, não se pode usar os métodos naturais apenas para se ter um número de filhos agradável ao casal.
O principal erro de muitos católicos, inclusive os que se consideram conservadores, está em repudiar os métodos artificiais, mas mantendo a mentalidade contraceptiva que é contrária à moral católica. Calcula-se friamente quantos filhos um casal terá, segundo as próprias conveniências, ignorando a ordem divina de “multiplicar-se”, o bem da sociedade e da Igreja que precisam de casais fecundos, alegando principalmente falsas razões econômicas. Como poderei ter 6, 8, 10 filhos e fazê-los todos estudar numa faculdade na Inglaterra? Ou dar um carro a cada um? Logo se vê que se ignora no que consiste o matrimônio católico e se espelha nos modelos divulgados pelo mundo pagão, que ignora os preceitos divinos e a salvação das almas. Paradoxalmente, quanto mais rica economicamente é uma sociedade, mais se tende a impedir a geração dos filhos, pois maior é o apego aos bens materiais e maior a aversão aos sacrifícios.
Deve-se tomar cuidado também com as indicações médicas, muitas vezes exageradas quanto aos riscos de se ter uma gravidez ou amparadas por uma mentalidade contraceptiva hospitalar. Devemos pedir conselhos a médicos realmente católicos e não a qualquer um.
Lembremos novamente que o uso indevido dos métodos naturais gera: mentalidade egoísta, diminuição do amor conjugal, discórdia, tentações contra pureza, dentre outros males.
Que a riqueza que recebemos de Cristo não seja esterilizada pela corrente dominante anti-natalista do mundo moderno, mas que dê frutos cem por um, conforme Cristo pede ao servo bom e fiel. Não é apenas com fins terrenos que devemos basear nossos projetos de vida, mas pensar naquilo que dará maior glória a Deus e à sua Igreja, mesmo às custas de sacrifícios.

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