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18 de maio de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XIII


CASAL SEM FILHOS


Parte 1/11


No lugar onde se encontrava a casa da bem-aventurada Virgem Maria, no quarto em que se deu a aparição do arcanjo Gabriel, onde lhe deu a extraordinária mensagem de Deus, e no qual o Filho de Deus, no instante mesmo da humilde aceitação da Virgem, se encarnou em seu puríssimo seio, em Nazaré, cidade bendita, levanta-se hoje uma Igreja cujo altar-mor tem em seu frortispicio esta inscrição: "Verbum caro hic factum est - Aqui o Verbo se fêz carne". O Filho de Deus, querendo vir entre nós, começou aqui sua existência humana, sob a forma humana.
Palavras sublimes! Cada vez que as pronunciamos, recitando o "Angelus", ajoelhamo-nos. Mas o sacerdote também, na missa, genuflete quando na recitação do "Credo" chega a estas palavras: "Et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine, et homo factus est". Ele se fez homem. O Filho de Deus se fez homem,  para começar sua carreira terrestre, sob o aspecto de uma criancinha incapaz de falar, toda pequena vida humana que começa, resplandece, diante de nós com uma beleza maravilhosa: a criança é para nós uma coisa santa. E depois que a SS. Virgem trouxe em seus braços o Menino-Deus, uma espécie de auréola sobrenatural circunda a fronte de toda mãe de família.É também santa a dignidade de mãe.
Todos acharão, pois, natural que, nesta série de instruções sobre a família cristã e o casamento ideal, eu deva chegar a este ponto e queira consagrar-lhe vários sermões: O berço é um móvel indispensável na família. A criança faz parte integrante da família. Se o casamento não se expressasse em latim senão pela palavra "coniugium": "jugo comum", bastariam para realizá-lo plenamente e torná-lo feliz, as duas peças do mobiliário de que já falamos anteriormente, e que auxiliam a levar alegremente este jugo comum: a mesa de família e o crucifixo.
Mas o casamento se diz também em latim " matrimonium", e isto indica um círculo inteiramente novo de obrigações: a criança precisa de um outro móvel: o berço. Dizei-me, vistes já a pequena ave fazer o seu ninho para que permaneça vazio? Ou apenas para que aí chilreie um passarinho? Não. Não há pássaro, não há só um animal que assim faça, mas só o homem. Unicamente o homem descobriu essa coisa insensata: a família sem filhos.
Sim, é preciso falar disso, e bem alto, desta cátedra cristã, por delicado e difícil que seja o assunto. Consternados ouvimos jovens combinar antes de seu casamento e declararem: "Nós não teremos filhos, isto é natural, ou quando muito, um só". São por ventura muito severas as palavras de Santo Agostinho, quando chama tal existência, não um matrimônio, mas sim relações pecaminosas, sancionadas pelas formas legais?
Não trememos quando ouvimos as mães e mesmo as avós dizerem à sua filha, ou à sua neta ao se casarem, e repetirem com insistência: "Minha filha, cuidado, nada de filhos. Compreendeste? Nada de filhos".
Olhemos de frente esta maneira perniciosa de ver as coisas. É preciso mostrar que a família voluntariamente estéril é como a árvore seca condenada a ser cortada. É preciso demonstrar que o filho pertence à ideia de família, não um, nem dois, mas vários. Naturalmente é preciso examinar as objeções e os pretextos que se apresentam no mundo moderno contra o filho.
Estas objeções formarão o objeto da instrução próxima. Nesta mostrarei que a exclusão do filho em uma família é um pecado. Um pecado: I- Contra Deus;
                                                               II - Contra o filho;
                                                               III - Mesmo contra os interesses bem compreendidos dos 
                                                               próprios esposos.
               



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