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15 de novembro de 2015

Tesouro de Exemplos - Parte 4

A MULHER MODERNA

Viviam aquelas pombas irrequietas e felizes na doce paz do seu pombal. Todas as manhãs voavam ao campo, com o pescoço irisado pelo sol, e bicavam os grãos que haviam caído ao golpe da foice do ceifeiro. A noite o pombal dava-lhes abrigo e calor e, ali no ninho escondido na parede, ouviam alegremente o pio de seus filhotes. Não careciam de nada; tinham tudo; viviam ditosas e morriam tranquilas. Mas, eis que um dia apareceu no pombal uma pomba revolucionária. Vinha de outras terras, onde as pombas sacrificavam a felicidade á liberdade, e falou-lhes desta maneira:
— Companheiras, viveis dois séculos atrasadas com respeito ás pombas de outros países. Basta de clássicas submissões, de vida aborrecida e estéril. Por que havemos de ser inferiores as patas? Elas podem ir á esterqueira, e nós temos medo de nos mancharmos; elas podem banhar-se até na água suja e nós não temos coragem de meter-nos no rio. Para que defender tanto a nossa alvura, a nossa pureza? Isso são preconceitos da Idade Média! Cada uma faça o que bem entender, pois para isso é dona de seu corpo e de sua vida. Sus! vamos à esterqueira! ao charco!
Todas as pombas incautas aplaudiram a estrangeira agitando as asas. Dirigidas pela revolucionária, voaram para um pântano infecto que se via á distância. Enlambuzaram-se, revolveram-se no lodo com grande algazarra e... não vos direi como saíram dali as pombas!
Assim, caros leitores, viviam em nossa terra ditosas e tranquilas as mulheres. No ninho do seu lar viviam em paz a vida do trabalho e do amor. Mas a civilização revolucionária começou a cantar seu canto de sereia assim: — Como! Estareis toda a vida fechadas em casa? e escravas dos homens? Basta, basta já de submissões! Não vedes como se chegou, em outros países, a emancipação da mulher? Abandona; os vossos preconceitos medievais! A mulher é dona de seu corpo e de sua vida. Por que sacrificar a alvura da pureza todas as alegrias do prazer? Ao charco! ao pântano!
E as mulheres modernas lançaram-se e revolveram-se no charco da vida... e, não vos direi eu como saem dele as mulheres de hoje!

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