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13 de novembro de 2015

Sermão para a Festa de Todos os Santos – Padre Daniel Pereira Pinheiro

[Sermão] A alegria da Festa de Todos os Santos


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Festejamos hoje, caros católicos, todos os santos no céu. Os Anjos, os Arcanjos, os Tronos, as Dominações, as Potestades, as Virtudes, os Querubins, os Serafins, os Patriarcas, os Profetas, os Apóstolos, os Mártires, os Confessores, as Virgens e Viúvas. Comemoramos todos os santos, incluindo os anjos.
Fazemos memória daqueles que, guardando, a fidelidade a Deus, alcançaram a coroa da glória no céu e já gozam da bem-aventurança eterna, vendo Deus face-a-face, amando-o perfeitamente. Fazendo memória dos santos, devemos nos alegrar. Devemos nos alegrar, antes de tudo, porque cumprimos uma obrigação nossa: cultuar Jesus Cristo nos Santos. Honramos em alguém a sua dignidade: a dignidade dos santos é o fato de estarem unidos perfeitamente a Deus nos céus. É, portanto, nosso dever, venerar os santos.
Devemos nos alegrar porque nossa alma se dirige para o céu, que é a nossa pátria, onde realmente encontraremos repouso para nossa alma e nosso corpo, onde encontraremos a felicidade eterna. E dirigindo-nos ao céu, a festa de todos os santos nos alegra porque nos recorda que o céu é um lugar que realmente existe. Sim, caros católicos, o céu é um lugar e não somente um estado da alma. Claro, o céu é primeiramente um estado de nossa alma, unida perfeitamente a Deus, vendo-o face-a-face, mas ele é também um lugar. Um lugar onde já se encontram Nosso Senhor e Nossa Senhora em corpo e alma. E devemos nos lembrar que o céu é católico. Ali, só entra quem acreditou em Jesus Cristo que havia de vir – são os santos do Antigo Testamento – e quem acreditou em Jesus Cristo integralmente, sendo também filho da Igreja por ele fundada, a Igreja Católica Apostólica Romana. O inferno é ecumênico, mas o céu é católico.
Devemos nos alegrar porque essa festa nos enche de esperança. Vendo todos esses santos, devemos estar convencidos de que podemos chegar ao céu, ajudados com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como perguntava Santo Agostinho: “se essas e esses podem ser santos, por que eu não posso?” Vendo todos esses santos, todos os nossos pretextos e desculpas para não alcançar a santidade nos são tirados. Vemos santos em todos os estados de vida, em todas as idades, em todas as classes sociais, das mais variadas nações. Papas, bispos, sacerdotes, clérigos. Reis, nobres, gente do povo, escravos. Homens, mulheres, crianças e recém-nascidos que morreram purificados pelo santo batismo. Virgens, casados, penitentes. Os mais diversos estados de vida, os mais diversos temperamentos. Uma única coisa tinham, porém, necessariamente em comum: a fé e a caridade, isto é, prática dos preceitos divinos.
Devemos nos alegrar porque essa festa nos mostra concretamente as virtudes praticadas pelos santos. Muitas vezes, as virtudes nos parecem um pouco abstratas ou difíceis de serem praticadas. Os santos nos mostram as virtudes vividas no quotidiano, com a ajuda da graça. Por isso é importante conhecer a vida dos santos e, particularmente, é importante fazer que as crianças conheçam a vida de santos, para que desejem imitá-los. Os heróis das crianças não devem ser personagens de quadrinhos ou de desenhos, nem jogadores de futebol, nem personagens ou princesas da Disney ou coisas semelhantes. As crianças imitam seus heróis. Queremos realmente que elas imitem essas figuras? Ou queremos que elas imitem os santos e Nosso Senhor Jesus Cristo? Os heróis das crianças devem ser os verdadeiros heróis – que são os santos – aqueles que praticaram, na vida real, bem concreta, as virtudes heroicas, indo até mesmo ao ponto de entregar a própria vida pela Verdade, por Deus.
Ao ler e considerar a vida dos santos, devemos evitar dois erros. O primeiro deles, muito comum, é reparar apenas nos fatos extraordinários da vida dos santos. Os grandes milagres, bilocação, e assim por diante. Às vezes, chegamos a desejar essas coisas, esquecendo-nos de que a santidade não está propriamente nessas coisas, mas na fé profunda e no amor a Deus. E, assim, nos desviamos da verdadeira santidade, colocando-a em dons extraordinários. Não devemos querer imitar os santos nesses dons extraordinários que Deus dá ou não conforme a sua vontade, mas devemos desejar imitar os santos na santidade: na prática das virtudes, na união inteira a Deus. O segundo erro é achar que a santidade para os santos foi fácil, enquanto para nós ela é muito difícil. E, assim, nos desencorajamos, achando que não é possível a nossa santificação e desistimos nos primeiros passos. A santidade para os santos foi tão difícil quanto ela é difícil para nós. Os santos lutaram, combateram para se tornarem santos, vencendo suas más inclinações, esforçando-se para praticar a virtude. Mas perseveraram nesse combate árduo até alcançarem a virtude heroica. A santidade para os santos não foi fácil, mas, apoiados inteiramente em Deus, conseguiram. Mesmo aqueles que apresentaram uma grande virtude desde a mais tenra idade, devem isso, em geral, aos esforços de seus pais e outros educadores. Então, a santidade para os santos não foi fácil como não é fácil para nós. Todavia, a santidade é possível para nós como foi possível para eles. Lembremo-nos sempre de Santo Agostinho: “se eles podem ser santos, por que eu não posso?”
Devemos nos alegrar porque na festa de todos os Santos fazemos memória deles e os honramos, podendo, assim, esperar que intercedam por nós, que ainda estamos nesse vale de lágrimas, cercados por tentações de toda parte. Devemos nos alegrar porque temos advogados diante de Deus, começando pela mais poderosa, que é Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa.
Portanto, caros católicos, alegremo-nos nesse dia de Todos os Santos e que nossa alegria seja imitá-los, conhecendo, amando e servindo a Deus.
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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