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10 de novembro de 2015

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência V


Parte 5/5

Com que inquietação dizem, às vezes, os pais: que o nosso filho jamais contraia casamento desigual! Têm eles o direito de temer, se entre ambos existe uma grande diferença de fortuna, de posição social e de educação. Sabeis, porém, qual a diferença mais perigosa? É a espiritual. Entre os dois, abre-se então um abismo horroroso e intransponível.
Disse-vos há pouco que a jovem religiosa não deve desposar um jovem incrédulo; com mais energia ainda devo dizer: Por nada deste mundo um jovem religioso deve casar-se com uma jovem irreligiosa.
Porque quando o jovem perde a sua fé, torna-se ele quando muito grosseiro e mesquinho, mas quando a moça descrê, torna-se ela verdadeiramente endemoniada. Sabei que eu ouvi esta afirmação, com os meus próprios ouvidos, do ilustre ginecologista húngaro, o professor Jean Barsony, que após uma existência longa, cheia de experiência, dizia: "É bem triste para um homem não ter fé; quando, porém, é uma mulher que não a possui, torna-se ela um demônio!" E esta é a razão por que um homem incrédulo é mais fácil de se converter do que uma mulher que não tem fé.
Mas se assim é e se as idéias religiosas dos jovens são indispensáveis, para a harmonia de seu futuro lar, todos os pais não deveriam compreender a santa obrigação de, religiosamente, educar seus filhos? Com efeito, direi mais simplesmente, eles deveriam ver quanto as convicções religiosas de seus filhos terão, no futuro, a sua recompensa, e quanto elas serão o fundamento mais seguro de um feliz casamento.
Infelizmente há pais que não tem nenhuma ideia disto. Há pais que receiam que seus filhos tenham muita religião. Há pais que não se preocupam com os lugares frequentados pelos filhos, contanto que não seja a Igreja. O cinema? Não faz mal. A rua? Não tem importância. Os amigos suspeitos? Está muito bem. Há pais que não cuidam de saber o que seus filhos têm em suas mãos. Romances imorais? Pouco importa. Revistas levianas? Não tem importância. Mas se vêem um livro de piedade ou um terço, se o pobre filho quer se confessar ou comungar muitas vezes, ouvirão com certeza: "Sim, devemos ter religião, naturalmente. Não somos pagãos. Mas tu fazes muito..."
Desejava que os pais negligentes na educação religiosa de seus filhos lessem uma obra comovente de um dos mais célebres escritores: F. Herczegh.
A mina acaba de desmoronar, e após a horrível catástrofe, no meio daquele terror, ante a água que sobe cada vez mais, na galeria, dois homens conversam, encerrados naquele túmulo subterrâneo. Um engenheiro e um operário.
Tendes o hábito de rezar? pergunta o operário ao engenheiro.
Não. Só se aprende a rezar nos joelhos da mãe. E se não se aprendeu junto dela nunca mais se aprenderá.
Que terrível advertência, que espantosa responsabilidade! Compreendeis o peso imenso desta frase? Há plantas que, na primavera, não puderam florir, por uma causa qualquer e elas não darão mais frutos. O mesmo se dá com a alma humana se na primavera da vida nela não desabrochou a oração, não se desenvolveu uma vida profunda e seriamente religiosa.
Pais, quereis formar vossos filhos para um feliz matrimônio? Dai-lhes, desde sua juventude, uma educação profundamente religiosa.
Uma jovem estava prestes a se casar. E quando ela refletiu seriamente sobre a grande responsabilidade e o grande dever que a esperavam, no casamento, perguntou angustiadamente: "Será que um verdadeiro católico pode contrair um casamento feliz?"
A resposta não pode ser senão esta: "Um católico não o pode, mas dois podem perfeitamente. Podem-no dois seres realmente religiosos, que com fidelidade, paciência, generosidade e amor, trabalham em união com a graça sacramental, cuja fonte se abriu no altar de seu casamento".
A conclusão feliz de um casamento depende finalmente da ação misteriosa da santa vontade divina. "Aqueles que Deus não uniu separam-se", diz um autor alemão.
Só Deus conhece bem o coração humano. Casar-se sem Deus é, pois, cegueira, loucura, um drama inevitável. E certamente após muitas existências infelizes e desgraçadas, poderão os esposos dizer: Erramos, pois não tomamos Deus como terceira pessoa em nosso casamento.
De fato, os que desejam se unir para sempre devem antes examinar se eles se convêm um ao outro, como duas metades de um coração dividido em dois.
Tem o homem o sentimento de suas imensas responsabilidades? A mulher ama o seu lar? E, principalmente, anima-os um fervoroso amor de Deus?
Milhares e milhares de corações palpitam neste velho globo terrestre. Corações ardorosos e frementes de moços e moças. Para cada coração de jovem, Deus criou o coração de uma jovem, e tanto a felicidade de cada um, como o interesse geral, a boa ordem social, a paz da vida humana, a sorte temporal e eterna, dependem do encontro de cada coração com o outro que Deus lhe criou.
Poder-se-ia terminar, recitando para cada um dos que me ouvem hoje, nos quatro cantos do mundo, a "Ave-Maria" para os nossos jovens que ainda não se casaram, a fim de que seus corações se encontrem, se unam, sirvam juntos a Deus, nesta terra e depois desta vida cantem, eternamente, os louvores a Deus. Amém.

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