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30 de outubro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

MINHA SOBRINHAZINHA MIMADA

Minha Licita tão querida, sabes perfeitamente o muito que te quero. E apesar de eu viver mais no céu do que na terra, não me esqueço de meus irmãozinhos e de minha sobrinhazinha mimada.
Quisera expressar-te minha felicidade. Eu lhe dei - é verdade - tudo. Porém também cheguei a possuir o Tudo. Se o carinho de Chiro e todos os seus sacrifícios por ti te fazem amá-lo mais, que te direi quando em Deus o seu amor não encontrou limites e sua imolação já não pode ser maior? Quisera consumir-me e morrer muito depressa para amá-lo; porém a vista do mundo pecador, do ambiente glacial que reina ao redor do altar me detém.
Então prefiro "sofrer e não morrer". Sim, sofrer e não morrer para chorar junto ao Divino Prisioneiro e consolá-lo em seu desterro.
É preciso que prepares o coraçãozinho de tua Lucinha para que seja sempre sacrário de Jesus. Agora com tuas orações; mais tarde com o ensinamento, a vigilância e o exemplo. Ensina-a a amá-lo desde pequena. Fala-lhe sempre que há um Deus que a ama infinitamente. Eu, daqui do meu conventinho, estou a seu lado. Sentia-me sempre tão feliz quando a tinha em meus braços; via em sua alma a Santíssima Trindade. Que mistério e que contraste; em seu coraçãozinho um céu inteiro! Dá-lhe muitos beijos da parte de sua tia. Eu a quero tanto! . . .
A Chiro dirás que sempre lhe conservo o carinho de irmão.
E que rogo muito para que sejam sempre muito felizes. Busquem sempre a Deus. Nele está a fonte da felicidade (29-1 1-1919) .
A Chiro e a Lucinha não necessita dizer-te quanto os recordo.
E tenho desejo de ver os três, ainda que seja em retrato. Oxalá possa vê-los um dia aos três. Ou pelo menos não deixes de mandar-me o retrato de Lucinha. Dá-lhe, de sua tia carmelita, muitos carinhos (dezembro de 1919) .

VÁ, MEU VELHINHO, DESCANSAR

Fiquei com desejo de vê-lo no dia da visita. Porém esta carta suprimirá um pouco tudo o que eu teria dito de carinho.
Muito me alegrei que tenham ido todos a Algarrobo, pois é tão agradável o verão nessa costa. Contudo, sinto muito que você fique aí, tão sozinho. Ah! paizinho! Creia-me que foi preciso ser um Deus quem me pediu o sacrifício de deixá-lo. Por nenhuma criatura eu me teria separado do meu velhinho a quem tanto amo e por quem me sacrifico diariamente. Já que você foi tão generoso em dar-me a esse Deus tão bom, não duvide que ele o recompensará nesta vida e na outra. E ainda que lhe pareça que eu o levo a mal em tudo, sempre Deus tira o bem de nossos males.
Quanto à minha vida, é sempre a mesma e esta monotonia não interrompida faz com que o tempo voe. Muitas vezes, quando trabalho em nossa horta, recordo Chacabuco, São Xavier e sinto­-me feliz de trabalhar. Outro dia, mandaram-me semear verduras.
Queira Deus que não se percam; porém, verdadeiramente se vê de modo evidente a Providência, pois temos verduras e frutas em abundância.
E suas colheitas, como foram? Conte-me tudo. Já sabe que tudo que o preocupa me interessa. Quisera vê-lo livre de todas essas ideias tristes, em paz.
Por que não sequer por quinze dias tomar uns banhos de mar? Não se mate nesses calores e em tanto trabalho.
Vá, meu velhinho, descansar com seus filhos e minha mãezinha, porque muito necessita de descanso. Também lhe peço que não atrase as horas de refeição. E, da mesma forma, procure dormir bastante. Ouça a sua carmelita, que ela rezará para que tudo corra bem (9-1-1920) .

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