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26 de outubro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

RIO-ME DO MUNDO INTEIRO

Ainda estou rindo do boato que corre no mundo a respeito desta pobre carmelita. Por que, querem perturbar, mãezinha, a sua felicidade, dizendo-lhe que estou triste, que choro etc.? Por que o mundo pretende despertar os que morreram para ele, e encontrar tristezas naqueles que vivem nos braços de Jesus? Não vê que é inveja do repouso, da paz, da felicidade que inunda minha alma?
Como vejo bem claro que os que inventam semelhante mentira não conhecem o que é viver no céu do Carmelo e o que é a graça da vocação! Além disso, em minhas cartas, mãezinha, nota você alegria, felicidade. Como pode acreditar-me tão falsa para expressar-lhe o contrário do que sinto?
Olho neste instante para meu Jesus e me rio do mundo inteiro com ele. Que ele me deixe chorar entre seus braços todos os dias, enquanto os demais se riem e divertem, que a mim pouco me importa chorar olhando a Alegria infinita, saborear a amargura junto à doçura divina de Jesus.
Sou feliz e jamais deixarei de sê-lo porque pertenço ao meu Deus. Nele encontro a cada momento o meu céu e um amor eterno e imutável. Nada mais desejo do que a ele. Nada da terra pode oferecer-me já atrativos porque conheci a Formosura divina. E, em caso de chorar, mamãezinha querida, não seria por tristezas fingidas, senão por meus muitos pecados e por temor de ofender e perder a Deus, por não amá-lo bastante. (outubro de 1919).

OS OLHOS EM JESUS CRUCIFICADO

Não se pode imaginar como me sinto feliz com nosso santo hábito. Tem de rezar para que eu seja muito fervorosa, pois do noviciado depende toda a minha vida religiosa, e custe o que custar tenho de ser uma santa carmelita.
Feliz você, minha mãezinha, que sobe ao Calvário para ser crucificada com Jesus e um sinal de predestinação que Deus Pai a queria tomar conforme a seu divino Filho. Quisera que, na oração, muitas vezes pusesse os olhos de sua alma em Jesus crucificado.
Ali encontrará não só alívio na dor, como também aprenderá a sofrer em silêncio, sem murmurar nem interior, nem exteriormente; a sofrer alegremente, tendo em conta que tudo é pouco contanto que salve as almas que tem a seu cargo como mãe.
Creia-me que a Paixão de Jesus Cristo é o que mais bem me faz. Aumenta em mim o amor, ao ver quanto sofreu meu Redentor; o amor ao sacrifício, o esquecimento de mim mesma.
Serve-me para ser menos orgulhosa. Excita-me à confiança nesse meu Mestre adorado, que sofreu tanto por amar-me. A confiança é o que mais agrada a Jesus. Desconfiar do coração de um Deus que se fez homem, que morreu como malfeitor numa cruz, que se dá em alimento a nossas almas diariamente para fazer-se um com suas criaturas não é um crime?
Tenhamos temor filial para não ofendê-lo, do mesmo modo que um filho teme desgostar seu pai, não pelo castigo, mas porque sabe que seu pai o ama e sofrerá. Lancemo-nos com nossas faltas e pecados no oceano de misericórdia. Jesus se compadece de nossas misérias; conhece a fundo nosso pobre coração. Assim, mãezinha, não tema, que o temor seca o amor (novembro de 1919).

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