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14 de outubro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

PARA TUDO POSSUIR

Todos os meus esforços se dirigem a ser uma santa carmelita, e creio que Deus quer de mim para alcançar esta santidade um recolhimento contínuo: que nada nem ninguém possa distrair-me dele. Trato de negar-me em tudo para chegar a possuir o TUDO, segundo nos ensina N. P. S. João. Há dias que consigo viver inteiramente para Deus, e quando me sinto no céu, é quando compreendo que Deus nos basta. Fora dele não há felicidade possível.
Minha oração é cada vez mais simples. Apenas me ponho em oração, sinto que toda a minha alma emerge em Deus, e encontro uma paz e tranquilidade tão grandes como me é impossível descrever.
Então minha alma percebe esse silêncio divino, e quanto mais profunda é essa quietude e recolhimento, mais Deus se revela a mim. É uma notícia clara e rápida. Não é refletindo; antes me perturbo quando reflito. Quando esta notícia é muito clara, sinto como se minha alma quisesse sair do meu ser. Sinto como se Deus me comunicasse seu fogo abrasador.
Depois de ter essa oração, quando fui mais fortemente atraída por Deus, vêm-me tentações muito grandes. As vezes parece-me que tudo é ilusão. Outras vezes que é o demônio que me engana para fazer-me crer que sou extraordinária. Outras vezes sinto-me agoniada por minhas misérias e abandonada por Deus. E, por fim, a mais terrível é a tentação contra a fé. Fico em completa obscuridade, duvidando até da existência de Deus.
Depois destas obscuridades, Deus se comunica mais à minha alma e sinto-me muito unida a ele. Não sei se isto é ilusão ou não; só sei que estou com muito recolhimento, sei mortificar-me e vencer-me mais e sou mais humilde (20-7-1919) .

NOSSO SENHOR ME FALA

Depois que comungo, sinto-me no céu e dominada pelo amor infinito de meu Deus. As vezes, meu único consolo neste desterro é a comunhão, onde me uno intimamente com ele. Sinto ânsias de morrer para possuí-lo sem temor de perdê-lo pelo pecado. Este desejo faz-me fugir das menores imperfeições, pois elas me separam do Ser infinitamente santo.
Nosso Senhor se me representa, às vezes interiormente, e me fala. Faz uma semana o vi em agonia, porém de um modo tal como jamais o havia sonhado. Sofri muito, pois a tudo suportava perpetuamente e me pediu que o consolasse. Depois foi o Sagrado Coração no tabernáculo, com o rosto muito triste. E, por último, no dia do Sagrado Coração se me representou com uma ternura e beleza tais que minha alma se abrasava em seu amor, não podendo resistir. Quanto às imagens e palavras interiores, não faço caso a não ser dos efeitos bons que produzem em mim, para não afeiçoar-me a elas, e ainda procuro afastá-las. Quanto a Deus, não o represento de nenhuma forma para ir a ele pela fé.
Não sei o que me aconteceu ao contemplar a Nosso Senhor desterrado nos tabernáculos por amor de suas criaturas, as quais o esquecem e ofendem. Quisera viver até o fim do mundo sofrendo junto ao divino Prisioneiro (20-7-1919).

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