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4 de junho de 2014

Preparação para a Morte

CONSIDERAÇÃO XXXII
 
Da confiança na proteção de Maria Santíssima
Qui invenerit me, inveniet vitam, et hauriet salutem a Domino. Quem me encontrar, encontrará a vida, e alcançará do Senhor a salvação (Pr 8,35).
 
PONTO I
 
Quantas graças devemos render à misericórdia divina, exclama São Boaventura, por ter-nos dado como advogada a Virgem Maria, cujas súplicas podem alcançar-nos todas as mercês que desejamos!... Pecadores, meus irmãos, mesmo que nos acharmos já condenados ao inferno em vista das nossas iniqüidades, não desesperemos, entretanto.
Recorramos a esta divina Mãe, abriguemo-nos debaixo do seu manto, e ela nos salvará. Ela apenas exige de nós a resolução de mudar de vida. Tomemo-la, pois; confiemos verdadeiramente em Maria Santíssima, e ela nos alcançará a salvação... Porque Maria é advogada piedosíssima, advogada que a todos nós deseja salvar.
Consideremos, primeiramente, que Maria é advogada poderosa, que tudo pode junto ao soberano Juiz, em proveito e benefício daqueles que devotamente a servem... Singular privilégio concedido pelo mesmo Juiz, Filho da Virgem! “É grande privilégio que Maria seja poderosíssima junto a seu Filho”. Afirma Gerson que a bem-aventurada Virgem nos obtém de Deus quando lhe pedirmos com firme vontade e que como rainha ordena aos anjos que iluminem, aperfeiçoem e purifiquem os seus devotos. À vista disto, a Igreja, querendo inspirar-nos confiança nessa nossa grande advogada, induz-nos a invocá-la com o título de Virgem poderosa: Virgo potens, ora pro no-bis... E por que é tão eficaz a proteção de Maria Santíssima? Porque é a Mãe de Deus. As petições da Virgem Maria — disse Santo Antonino, — sendo como é Mãe do Senhor, são em certo modo ordens para Jesus Cristo; assim não é possível que, quando peça, não alcance o que pede. São Gregório, arcebispo de Nicomédia, diz que o Redentor, para satisfazer a obrigação que tem com sua Santa Mãe, da qual recebeu a natureza humana, concede tudo quanto Maria solicita. E Teófilo, bispo de Alexandria, escreve estas palavras: “Deseja o Filho que sua Mãe lhe peça, porque quer outorgar-lhe quanto peça, a fim de lhe recompensar assim o favor que dela recebeu”. Com razão, pois, exclamava São Metódio, mártir: “A-legra-te e regozija-te, Maria, que lograste a ventura de ter por devedor ao Filho de quem todos nós somos devedores, porque tudo quanto possuímos é dádiva sua!....
Do mesmo modo, Cosme de Jerusalém repete que o auxílio de Maria é onipotente, e o confirma Ricardo de São Lourenço, observando quão justo é que a Mãe participe do poder do Filho, e que, sendo este onipotente, comunique à sua Mãe a onipotência. O Filho é onipotente por natureza; a Mãe é onipotente pela graça, de modo que obtém com suas súplicas quando deseja, conforme o célebre verso: “Quod Deus imperio, tu prece, Virgo, potes”. (Podes, Virgem, com tuas preces, — o que Deus com seu império).
A mesma doutrina consta das Revelações de Santa Brígida (Liv. I, cap. IV). Ouviu essa Santa que Jesus disse à sua bendita Mãe que lhe pedisse quanto quisesse e que, quaisquer que fossem suas súplicas, nunca rogaria em vão. O próprio Senhor foi quem deu o motivo desse privilégio, dizendo: “Já que nada me recusaste quando vivias na terra, justo é que nada te recuse agora que estás comigo no céu”.
Em suma: não há ninguém, por mais malvado que seja, que Maria não possa salvar por meio de sua intercessão... Ó Mãe de Deus! exclamava São Gregório de Nicomédia — nada pode resistir ao vosso poder, porque aquele que vos criou considera e estima a vossa glória como se fosse propriamente dele. Vós, Senhora, podeis tudo, — diz também São Pedro Damião, — podeis até salvar os desesperados.
 
AFETOS E SÚPLICAS
 
Amantíssima Rainha e minha Mãe, dir-vos-ei com São Germano: “Sois onipotente para salvar os pecadores e não tendes necessidade perante Deus de outro encômio do que ser a Mãe da verdadeira vida.
Assim, minha Senhora, recorrendo a vós, todo o peso dos meus pecados não pode fazer-me desconfiar de minha salvação. Por meio de vossas súplicas, alcançais quanto quereis e se rogardes por mim certamente me salvarei. Rogai, pois, por mim — direi com São Bernardo, — porque vosso divino Filho vos escuta e vos concede quanto lhe pedirdes.
Sou pecador, é verdade, mas quero emendar-me e me desvaneço em ser vosso servo dedicado. Sou indigno também da vossa proteção, mas sei que nunca desamparais aquele que em vós deposita a sua esperança.
Podeis e quereis salvar-me, e, por isso, confio em vós... Quando vivia afastado de Deus e não pensava em vossa bondade, vós vos lembráveis de mim e me alcançastes a graça de emendar-me. Quanto mais devo confiar em vossa clemência, agora que me consagro ao vosso serviço, que em vós espero e me recomendo a vós! Ó Maria, rogai por mim e tornai-me santo. Alcançai-me a graça da perseverança e do amor profundo ao vosso Filho e a vós mesma. Amo-vos, minha Rainha e Mãe amabilíssima, e espero amar-vos sempre. Amai-me também e pelo vosso amor transformai-me de pecador em santo.

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