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11 de junho de 2014

Preparação para a Morte

PONTO II
 
Consideremos, em segundo lugar, o grande amor que nos manifestou Jesus Cristo ao outorgar-nos este dom preciosíssimo; pois que o Santíssimo Sacramento é dádiva unicamente do amor. Segundo os decretos divinos, foi necessário que o Redentor morresse para nos salvar.
Mas que necessidade há para que Jesus Cristo, depois de sua morte, permaneça conosco a fim de ser sustento de nossas almas?...
Assim o quis o seu amor. Foi unicamente para manifestar-nos o imenso amor que nos tem que o Senhor instituiu a Eucaristia — disse São Lourenço, expressando o mesmo que São João refere em seu evangelho: “Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de trânsito deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (Jó 13,1). Isto é, quando o Senhor viu que se aproximava o tempo de afastar-se deste mundo, quis deixar-nos maravilhosa prova de seu amor, dando-nos o Santíssimo Sacramento, como precisamente significam estas palavras: “amou-os até ao fim”, ou seja “amou-os extremamente, com sumo e ilimitado amor”, segundo a explicação de Teofilacto e São João Crisóstomo.
Notemos, como observa o Apóstolo, que o tempo escolhido pelo Senhor para nos fazer este inestimável donativo foi o de sua morte.
“Naquela noite em que foi entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: Tomai e comei; este é meu corpo” (1Cor 11,23-24). Enquanto os homens lhe preparavam açoites, espinhos e cruz para dar-lhe morte crudelíssima, o nosso amante Salvador quis obsequiá-los com o penhor mais sublime do seu amor... Por que naquela hora tão próxima à sua morte e não antes, instituiu ele este Sacramento? Procedeu assim, — diz São Bernardino — porque as provas de amor, dadas no transe da morte por quem nos ama, perduram mais fundamente na memória e as conservamos com mais vivo afeto.
Jesus Cristo — continua o mesmo Santo — já se nos tinha dado por vários modos: por mestre, pai e amigo; por luz, exemplo e vítima.
Restava-lhe o último grau de amor, que era dar-se por alimento nosso, a fim de unir-se inteiramente a nós, assim como se une e se incorpora a comida com quem a toma. É o que ele fez, entregando-se a nós no Santíssimo Sacramento. O divino Redentor não se contentou em unir-se apenas à nossa natureza humana, mas quis, por meio deste Sacramento, unir-se também a cada um de nós em particular e intimamente.
“É impossível — dizia São Francisco de Sales — considerar nosso Salvador em ação mais amorosa e mais terna do que esta, na qual, por assim dizer, se aniquila e se reduz a alimento para penetrar em nossas almas e unir-se intimamente aos corações e aos corpos de seus fiéis”.
Assim se dirige São João Crisóstomo a esse mesmo Senhor que nem os anjos se atrevem a fitar: “Nós nos unimos e nos convertemos com ele em um só corpo e uma só carne”. Qual o pastor — acrescen-ta o Santo — que alimenta as suas ovelhas com sua própria carne? Às vezes, as mães ainda procuram nutrizes e amas para que alimentem seus filhos. Mas Jesus no Santíssimo Sacramento nos mantém com seu próprio corpo e sangue e se une a nós. E por que é que ele se tornou nosso sustento? Porque nos ama ardentemente e deseja ser conosco uma coisa única por meio dessa inefável união. Opera, pois, Jesus Cristo na santa Eucaristia o maior de todos os milagres. Deixou memória de suas maravilhas; deu sustento aos que o temem” (Sl 110,4), para satisfazer seu desejo de permanecer conosco e unir o coração ao seu Sacratíssimo Coração. Ó admirável milagre de amor, — exclama São Lourenço Justiniano — meu Senhor Jesus Cristo, que quisestes de tal modo unir ao nosso o vosso corpo, que tivéssemos um só coração e uma só alma, inseparavelmente unidos convosco!” O Pe. de La Colombière, grande servo de Deus, dizia: “Se alguma coisa pudesse abalar minha fé no mistério da Eucaristia, nunca duvidaria do poder, mas do amor manifestado por Deus neste soberano Sacramento.
Como o pão se converte em corpo de Cristo? Como o Senhor está presente em toda parte? Respondo que Deus tudo pode. Mas, se me perguntam como Deus ama tanto os homens que se lhes dá por alimento, não sei responder, porquanto não o entendo; esse amor de Jesus é para nós incompreensível”.
Dirá alguém: Senhor, esse excesso de amor, pelo qual vos dais como alimento a nós, não convém a vossa Majestade divina... Mas São Bernardo nos diz que pelo amor o amante esquece a própria dignidade.
E São João Crisóstomo acrescenta que o amor não cuida das razões da conveniência quando se trata de manifestar-se ao ser amado; não vai aonde convém, vai aonde o guia seu desejo. Mui acertadamente, São Tomás chamava a Eucaristia Sacramento do amor, e São Bernardo, amor dos amores. Santa Maria Madalena de Pazzi chamava o dia de quinta-feira santa, em que foi instituído o SS. Sacramento, o dia do amor.
 
AFETOS E SÚPLICAS
 
Ó amor infinito de Jesus, digno de infinito amor! Quando, Senhor, vos amarei como vós me amais?... Nada mais pudestes fazer para que eu vos amasse. E eu me atrevi a abandonar-vos, meu Sumo Bem, para correr atrás de coisas vis e miseráveis... Iluminai, ó meu Deus, minha ignorância, descobri-me cada vez mais a grandeza de vossa bondade, a fim de que me inflame todo no vosso amor. Desejo unir-me a vós, Senhor, freqüentemente neste Sacramento, a fim de que me aparte mais e mais de todas as coisas e só a vós consagre a minha vida...
Ajudai-me, meu Redentor, pelos merecimentos de vossa Paixão.
Socorrei-me também, ó Mãe de Jesus e minha Mãe! Intercedei para que me inflame em seu santo amor.

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