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15 de junho de 2014

Preparação para a Morte

PONTO III

Jesus no Santíssimo Sacramento ouve e recebe a todos para comunicar-nos sua graça, porque mais deseja o Senhor favorecer-nos com seus dons do que nós recebê-los. Deus, que é a Bondade infinita, generosa e difusiva por sua própria natureza, compraz-se em comunicar os seus benefícios a todo mundo e se entristece quando as almas não acodem a pedir-lhes. Por que — diz o Senhor — não vos dirigis a mim? Porventura, hei sido para vós semelhante à terra estéril, quando me pedistes graças?... O apóstolo São João viu que o peito do Senhor resplandecia adornado por um cinto de ouro, símbolo da misericórdia de Cristo e da amorosa solicitude com que deseja dispensar-nos sua graça (Ap 1,15). O Senhor sempre está pronto a auxiliar-nos; mas no Santíssimo Sacramento, como afirma o discípulo, concede e distribui, de modo especial, abundantíssimos favores. O beato Henrique Suso dizia que Jesus na Eucaristia atende com a maior complacência a nossas petições e súplicas.
Assim como as mães acham consolo e alívio, dando o peito generosamente, não só a seu próprio filho, mas também a outros pequeninos, o Senhor neste Sacramento a todos convida e nos diz: “Como a mãe acaricia a seu filho, assim eu vos consolarei” (Is 66,13). Ao Pe. Baltasar Álvares apareceu visivelmente Cristo na Eucaristia, mostrando-lhe as graças inumeráveis que trazia à disposição para prodigalizá-las aos homens; mas não havia quem as pedisse.
Bem-aventurada a alma que, ao pé do altar, se detém para solicitar a graça do Senhor! A condessa de Feria, que depois se fez religiosa de Santa Clara, permanecia ante o Santíssimo Sacramento todo o tempo de que podia dispor. Por isso, a chamavam a esposa do SS. Sacramento.
Ali recebia continuamente riquíssimos tesouros de graças. Perguntada por que passava tantas horas prostrada ante o Senhor Sacramentado, respondeu: “Desejaria ficar ali por toda a eternidade...
Perguntais o que se faz na presença do Santíssimo Sacramento... E que é que se deixa de fazer? Que faz um pobre na presença de um rico? E um enfermo diante do médico?... Agradece-se, ama-se, roga-se”.
Queixou-se o Senhor à sua fiel serva Irmã Margarida Alacoque da ingratidão com que os homens o tratam neste Sacramento de Amor.
Mostrando-lhe seu sagrado Coração em trono de chamas, cercado de espinhos e uma cruz ao alto, dá-lhe a entender a amorosa presença de Cristo na Eucaristia e diz: “Contempla este Coração que tanto tem amado aos homens e que nada omitiu, nem mesmo o consumir-se, para demonstrar-lhes seu amor. Mas em reconhecimento só recebo ingratidões da maior parte deles, pelas irreverências e os desprezos com que me tratam neste Sacramento. E o que mais deploro é que assim procedem não poucas almas que me são especialmente consagradas”.
Os homens deixam de entreter-se com Cristo, porque não o amam.
Recreiam-se horas inteiras falando com um amigo, mas enfadam-se logo em ficar com o Senhor! Como há de Jesus Cristo conceder-lhes seu amor? Se não afastam de seu coração os afetos terrenos, como há de entrar nele o amor divino? Ah, se pudesses dizer verdadeiramente de coração o que dizia São Filipe Néri ao ver o Santíssimo Sacramento: “Eis o meu amor” e não te cansarias nunca de estar horas e dias ante Jesus Sacramentado.
Para a alma que ama a Deus, essas horas parecem momentos.
São Francisco Xavier, fatigado pelo diário trabalho da salvação das almas, encontrava à noite apropriado descanso em permanecer diante do Santíssimo Sacramento. São João Francisco de Regis, famoso missionário da França, depois de ter empregado todo o dia na pregação, dirigia-se à igreja; e quando a encontrava fechada, ficava à porta, exposto às inclemências do tempo com o propósito de homenagear, ao menos de longe, a seu amado Senhor. São Luís Gonzaga desejava estar sempre na presença de Jesus Sacramentado; como, porém, os Superiores lhe proibissem que se entretivesse nesses atos prolongados de adoração, acontecia que, quando o santo jovem passava diante do altar, sentia de um lado que Jesus o atraía docemente para que com ele permanecesse, e de outro, obrigado pela obediência, a afastar-se.
Nesse caso dizia amorosamente: “Apartai-vos, Senhor, apartai-vos de mim; não me prendais junto de vós; deixai que de vós me separe, porque devo obedecer”. Portanto, meu irmão, se não sentes tão alto amor a Cristo, procura visitá-lo diariamente, que Ele saberá inflamar o teu coração. Sentes frio ou tibieza? Aproxima-te do fogo, como dizia Santa Catarina de Sena, e ditoso de ti se Jesus te conceder a graça de abrasar-te em seu amor! Então, não amarás mais as coisas da terra, mas as desprezarás todas, pois, segundo observa São Francisco de Sales: Quando em casa há fogo, tudo se lança pela janela.

AFETOS E SÚPLICAS

Ah, meu Jesus! Fazei que vos conheçamos e amemos! Sois tão amável, que só isto é suficiente para que vos amem todos os homens...
E quão poucos são aqueles que se dedicam ao vosso amor! Ó Senhor! Entre estes ingratos também me achava eu. Não neguei minha gratidão às criaturas quando delas recebi mercês ou favores. Somente para convosco, que vos destes todo a mim, fui tão ingrato que cheguei a ofender-vos gravemente e ultrajar-vos com meus pecados. E vós, Senhor, em vez de abandonar-me, persistis em procurar-me e reclamais o meu amor, inspirando-me a lembrança daquele amoroso mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração (Mc 12,30). Pois bem! Já que, apesar de minha ingratidão, quereis que vos ame, prometo amar-vos, meu Deus. Assim o desejais, e eu, favorecido por vossa graça, não desejo outra coisa. Amo-vos, meu amor e meu tudo. Pelo sangue que derramastes por mim, ajudai-me e socorrei-me. Nele ponho a minha esperança, assim como na intercessão de vossa Mãe Maria Santíssima, cujas súplicas quereis que contribuam para a nossa salvação.
Rogai por mim, Santa Virgem Maria, a Jesus Cristo, meu Senhor; e posto que abrasais no amor divino a todos os que se vos consagram, com insistência vos peço: inflamai nele o meu coração, que tanto vos ama sempre.

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