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10 de junho de 2014

Preparação para a Morte

CONSIDERAÇÃO XXXIV
 
Da sagrada comunhão
Accipite et comedite: hoc est Corpus meum. Tomai e comei; este é meu Corpo (Mt 26,26).
 
PONTO I
 
Consideremos a grandeza do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, o amor imenso que Jesus Cristo nos manifestou nesta dádiva tão preciosa e o vivo desejo que nutre de ser por nós recebido. Vejamos, em primeiro lugar, a grande mercê que nos fez o Senhor ao dar-se a nós como alimento na santa comunhão. Disse Santo Agostinho que, sendo Jesus Cristo Deus onipotente, nada melhor pôde dar-nos. Que maior tesouro pode receber ou desejar uma alma do que o sacrossanto corpo de Cristo? Exclamava o profeta Isaías: “Publicai as amorosas invenções de Deus” (Is 12,4). E em verdade, se nosso Redentor não nos tivesse obsequiado com dádiva tão valiosa, quem é que ousaria pedi-la? Quem é que se atreveria a dizer-lhe: “Senhor, se quereis demonstrar o vosso amor, ocultai-vos sob as espécies do pão e permiti que as recebamos para o nosso sustento...”? Tal pensamento houvera de ser considerado como loucura. “Não parece loucura dizer: comei minha carne e bebei meu sangue?” — exclamava Santo Agostinho.
Quando Jesus Cristo anunciou a seus discípulos este dom do Santíssimo Sacramento e afastaram-se o Senhor, murmurando: “Como pode este dar-nos a comer sua carne?... Dura é esta doutrina, e quem a pode ouvir?” (Jo 6,53). Mas o que ao homem nem sequer é dado imaginar, concebeu-o e realizou-o o grande amor de Cristo.
Segundo São Bernardino, o Senhor nos deixou este Sacramento em memória do amor que nos manifestou em sua Paixão, conforme suas próprias palavras: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). Não satisfez Cristo seu divino amor — acrescenta o mesmo Santo — sacrificando a sua vida por nós, mas, impelido por esse mesmo soberano amor, legou-nos antes de morrer a maior de todas as dádivas, dando-se ele mesmo para nosso sustento. Portanto, neste Sacramento levou a efeito o mais generoso esforço do amor; o que o Concílio de Trento exprime com eloqüentes palavras, dizendo que Jesus Cristo na Eucaristia prodigalizou aos homens todas as riquezas do seu amor.
Não se estimaria como sinal de especial distinção — disse São Francisco de Sales — se um príncipe enviasse a um pobre algumas iguarias de sua mesa? Que se diria, se lhe enviasse um banquete completo? Que seria, enfim, se o obséquio consistisse em um pedaço da própria carne do príncipe, para que servisse de alimento ao pobre?...
Jesus, na sagrada Comunhão, nos alimenta, não apenas com uma parte de sua mesa, nem com um pedaço de seu corpo, mas com ele inteiro: “Tomai e comei; este é meu corpo” (Mt 26,26). E com seu corpo dá-nos também seu sangue, alma e divindade. Numa palavra — diz São João Crisóstomo — Jesus Cristo, dando-se a si próprio na sagrada comunhão, dá tudo o que tem sem a menor reserva; ou, segundo se expressa São Tomás: “Deus na Eucaristia se entrega todo ele, quanto é e quanto tem”. Vê, pois, como esse Altíssimo Senhor, que não cabe no mundo — exclama São Boaventura — se faz nosso prisioneiro na Eucaristia...
E, dando-se a nós real e verdadeiramente no Santíssimo Sacramento, como poderemos recear que nos recuse as graças que lhe pedirmos? (Rm 8,32).
 
AFETOS E SÚPLICAS
 
Ó meu Jesus! O que é que vos pôde mover a dar-vos inteiramente a nós para alimento? E que mais podeis conceder-nos, depois deste dom inefável, para obrigar-nos a vos amar? Iluminai-me, Senhor, e fazei-me conhecer esse excesso de amor, que vos levou a transformar-vos em manjar divino, a fim de vos unirdes a nós, pobres pecadores... Mas, se vos dais todo a nós, justo é que nos entreguemos inteiramente a vós... Ó meu Redentor! Como é que pude ofender-vos, que tanto que amais e que não poupastes esforço para conquistar meu amor?... Por mim vos fizestes homem; por mim morrestes; por amor a mim vos transformastes em meu sustento!... Que vos resta fazer ainda?... Amo-vos, Bondade infinita, amo-vos, infinito amor. Vinde, Senhor, freqüentemente à minha alma e inflamai-a em vosso amor santíssimo.
Fazei que de todo me esqueça e somente pense em vós e a vós somente ame...
Maria, minha Mãe, rogai por mim e tornai-me digno, por vossa intercessão, de receber muitas vezes o vosso divino Filho no Sacramento do amor!

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