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8 de janeiro de 2014

Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo - Oitava da Epifania - Meditação 3

MEDITAÇÃO III.

SOBRE A FUGA DE JESUS AO EGITO.
Um anjo aparece em sonho a S. José, e avisa-o que Herodes procura o Menino Jesus para tirar-lhe a vida: Levantei-vos, diz-lhe, tomai o Menino e sua Mãe, e fugi para o Egito. Apenas nascido é Jesus perseguido de morte! Herodes é a figura dos infelizes pecadores que, mal Jesus entrou em seu coração pela absolvição, se põem logo a persegui-lo, a fazê-lo morrer pelo pecado: como aquele príncipe iníquo, atentam contra a vida de Jesus recém-nascido.
José obedece sem delongas à voz do anjo, e avisa sua santa Esposa. Toma as ferramentas que pode levar, a fim de encontrar no exercício de sua profissão o meio de sustentar sua pobre família no Egito. Maria, de seu lado, ajunta e toma consigo os paninhos necessários ao divino Infante; depois, aproximando-se do berço em que Ele repousa, lança-se de joelhos, beija os pés de seu Filho querido, e enternecida lhe diz em prantos: Meu Filho e meu Deus, viestes ao mundo para sal-var os homens; acabais de nascer, e já os homens vos procuram para vos dar a morte! — Toma-o em seus braços, fecham a porta e se põem a caminho naquela mesma noite.
Consideremos a preocupação dos dois santos viajantes durante o caminho. O seu caro Jesus é o objeto de todos os seus entretenimentos: falando da sua paciência e amor, adoçam as fadigas e os enfados do longo trajeto. Oh! como é doce sofrer à vista de Jesus padecente! — Ó minha alma, exclama S. Boaventura, acompanha em espírito esses três santos e pobres exilados, compadece-te das penas que sofrem em viagem tão fatigante, incômoda e longa, e pede a Maria te confie o seu divino Filho para o levares em teu coração.
Consideremos ainda quanto eles tiveram de sofrer sobre-tudo nas noites frias que tinham de passar no meio do deserto. A terra numa lhes serve de leite ao relento; o Menino Jesus chora, Maria e José choram também de compaixão. — Ó santa fé! que olhos não chorariam vendo o Filho de Deus sob a forma duma criancinha, que, pobre e abandonada, foge para o Egito pelo deserto a fim de escapar à morte?

Afetos e Súplicas.
Meu caro Jesus, sois o Rei do céu, e vejo-vos, criancinha e fugitivo, errar sobre a terra; dizei-me a quem procurais. Vossa indigência e rebaixamento excitam minha compaixão; porém mais comovido ainda estou vendo-vos tratado com tanta ingratidão pelos homens que viestes salvar. Vós chorais e eu também choro por haver sido um daqueles que vos desprezaram e perseguiram; mas, eu o protesto, agora prefiro a vossa graça a todos os reinos do mundo. Meu Jesus, perdoai-me todos os ultrajes, e como Maria vos levou em seus braços na fugida para o Egito, permiti vos leve também no fundo do meu coração na viagem desta vida à eternidade. Meu amado Redentor, muitas vezes vos tenho banido de minha alma; mas espero tenhais agora tomado posse dela: por favor, prendei-a estreitamente a vós pelas doces cadeias do vosso amor. Estou resolvido a me não afastar mais de vós. Mas que sei eu? talvez vos torne a abandonar como o fiz no passado. Ah! meu Salvador, fazei-me antes morrer do que cair nessa nova e horrível ingratidão! Amo-vos, bondade infinita, e quero repetir sem cessar: Amo-vos, amo-vos, amo-vos. — E repetindo sempre a mesma coisa, espero morrer repetindo-a ainda. Vós sois o Deus do meu co-ração e a minha partilha para sempre. Ó meu Jesus, sois tão bom, tão digno de ser amado, fazei-vos pois amar; fazei-vos amar por tantos pecadores que vos perseguem; aclarai-os, fazei-os conhecer o amor que lhe tendes e o amor que mereceis, vós que, pobre criancinha, exilado, chorando, tremendo de frio, errais sobre a terra procurando almas que queiram amar-vos.
Ó Maria, Virgem santíssima, ó terníssima Mãe que partilhais os sofrimentos de Jesus, ajudai-me a levar e a conservar sempre no coração o vosso divino Filho durante a vida e na morte.

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