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23 de setembro de 2016

Sermão para a Festa de Nossa Senhora das Dores – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Devoção a Nossa Senhora das Dores

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Agradecemos ao Eminentíssimo e Reverendíssimo Cardeal Dom José Freire Falcão, por todo o apoio e ajuda. Deus lhe pague, Eminência.
Caros católicos, percorrendo as antigas Igrejas do Brasil que se conservaram um pouco mais, podemos reparar em uma constante. Em praticamente todas elas, existe uma Capela, um altar ou uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Os fiéis católicos sempre reconheceram a importância de venerar Nossa Senhora das Dores. Sempre reconheceram a importância de recorrer à Virgem das Dores. Evidentemente, além da devoção do povo católico, está também a mão poderosa e suave da Providência Divina, conduzindo os homens à devoção a Nossa Senhora das Dores. Tão importante é a devoção a Nossa Senhora das Dores que, além dessa festa principal no dia 15 de setembro, a Igreja faz também a sua comemoração na sexta-feira que antecede o Domingo de Ramos, durante o tempo da paixão.
Muito nobre, importante e necessária a devoção a Nossa Senhora das Dores. Nas dores de Nossa Senhora, podemos entrever toda a obra da redenção, desde a infância do Salvador até a sua paixão e morte na Cruz. A primeira dor ocorre 40 dias depois do nascimento do Menino Jesus, com a profecia do velho Simeão no Templo dizendo a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma. A última dor é Nosso Senhor colocado no sepulcro. Claro, Nossa Senhora sofreu ainda antes de saber que ia ser mãe de Deus e começou a sofrer muito mais desde a Anunciação, desde que o Verbo se fez carne em seu seio. Mas é com a profecia do velho Simeão no Templo de Jerusalém que Maria Santíssima tem as suas dores agravadas enormemente. Claro também que ela sofreu depois da ressurreição e da ascensão de Cristo, principalmente vendo a ingratidão dos pecadores. Mas é entre a profecia do velho Simeão na apresentação do Menino ao templo e a sepultura de Jesus que a Igreja coloca as principais dores de Maria. Com as dores de Maria podemos entrever toda a obra da redenção nos sofrimentos de Cristo e de Maria, corredentora.
As dores de Maria nos mostram todos os outros privilégios de Maria. Se ela sofre tanto ao lado de Cristo e ao ver Cristo sofrer, é porque ela é a Mãe de Cristo, homem e Deus. A mãe das dores é a mãe das dores porque é a Mãe de Deus.
Ao ver Maria sofrendo tanto, devemos nos lembrar que ela é a Virgem Imaculada, isto é, concebida sem pecado original. E é também a Virgem que não conheceu pecado algum ao longo de sua vida. Se Maria sofre tão bem, é porque não tem pecado.
Se Maria sofre tanto e tão bem, é porque ela ama a Deus mais do que qualquer criatura. Ela ama a Deus mais do que o mais santo dos anjos. Na verdade, o sofrimento dela é causado, principalmente, pelo seu amor a Deus. Ela sofre não tanto com os sofrimentos físicos de Cristo. Ela sofre principalmente porque compreende profundamente que o amor de Deus é desprezado pelos homens. Ela sofre porque ofendemos a Deus com os nossos pecados. Ela sofre porque zombamos de Deus com a nossa vida morna e tíbia. Ela sofre porque não compreendemos tudo aquilo que Deus nos preparou desde toda a eternidade. Ela sofre porque preferimos o pecado a Deus. Ela sofre porque muitos morrem obstinados no pecado. Maria, no seu sofrimento, nos dá o exemplo de amor a Deus. Seu sofrimento é esse sofrimento porque ela ama a Deus e seu sofrimento é tão bom e meritório porque ele é suportado por amor a Deus. Amando a Deus, ela despreza todo outro amor que não leve a Deus.
Maria, ao sofrer, nos ensina como sofrer. A devoção do povo católico pela Virgem Dolorosa talvez encontre aqui a sua principal razão de ser. Nossa Senhora das Dores é um exemplo muito concreto para o nosso cotidiano, para cada passo de nossa vida nesse vale de lágrimas. Nós sofremos. A cada dia, teremos pelo menos algum sofrimento. Maior ou menor. Nossa tendência, diante deles, é a impaciência, a murmuração, às vezes, até mesmo a revolta contra Deus, pecado gravíssimo. Nesse momento, a Virgem Dolorosa nos dá uma grande lição: sofrer bem. Ela é a Mãe de Deus, a pessoa mais digna que já passou e passará nesse mundo depois de seu Filho. E, sendo a pessoa mais digna, sofreu mais do que cada um de nós e mais do que todos nós juntos. Nós, sendo miseráveis pecadores, nos achamos muito dignos para o sofrimento. Ela é Virgem Imaculada, concebida sem pecado e isenta de pecado durante toda a sua vida. E, sendo a Virgem Imaculada e Puríssima, ela sofreu mais do que cada um de nós e mais do que todos nós juntos. Nós, que ofendemos a Deus com nossos pecados, achamos injustos os nossos sofrimentos. Ela, amando mais a Deus do que todos os anjos e santos do céu juntos, sofreu mais do que cada um de nós e mais do que todos nós juntos. Nós, que amamos a Deus de forma tão vacilante, tão fria, achamos que não somos dignos de sofrer porque fizemos uma ou outra boa obra. Maria nos ensina a sofrer nas grandes coisas e nas pequenas coisas, nas pequenas cruzes do dia-a-dia. A piedade popular compreende isso. Se alguém sabe o que é sofrer, esse alguém é Nossa Senhora. Se alguém sabe o que é sofrer bem, esse alguém é Nossa Senhora. Se alguém pode nos ensinar a sofrer e carregar a nossa Cruz, e nos fazer seguir Jesus Cristo em tudo, esse alguém é Maria. Maria das Dores, a Virgem Dolorosa.
A piedade do povo católico vê facilmente em Nossa Senhora das Dores o modelo do bom sofrimento. Sofrimento, cruz, que é o caminho necessário para chegar a Jesus. Maria, Mãe de Deus. Maria sem pecado, Maria que tanto amou a Deus. Por que sofreu? Sofreu porque Deus a amou… Sofreu para amar a Deus ainda mais. Sofreu para crescer em todas as virtudes. Sofreu para cooperar na reparação pelos nossos pecados, unindo-se aos méritos infinitos de seu Filho. Sofreu para ter maior glória no céu. Sofreu para assemelhar-se a Cristo. Que modelo é Nossa Senhora das Dores para nós nesse vale de lágrimas!
Modelo e grande conforto. Temos uma mãe que sabe muito melhor do que nós o que é o sofrimento. Temos uma Mãe que sofreu enormemente mais que nós, não havendo comparação possível. Temos uma Mãe que nos ajuda no sofrimento a nos mantermos fiéis, que nos ajuda a abraçarmos as cruzes com profunda caridade.
Temos uma Mãe que nos mostra que, nas dores, se pode encontrar a alegria. A alegria de servir a Deus, a alegria de crescer nas virtudes, a alegria de reparar pelos nossos pecados, a alegria de purificar nosso amor a Deus. Na ladainha de Nossa Senhora das Dores, composta pelo Papa Pio VII, depois das invocações que exprimem as dores de Maria Santíssima, ela é invocada como a alegria de todos os santos. Essa alegria profunda da alma em meio às cruzes, que não é uma alegria sentimental, só se consegue com o amor a Deus.
Tenhamos, caros católicos, essa devoção a Nossa Senhora das Dores. Devoção tão enraizada no povo católico. Devoção tão favorecida pela Providência. Devoção que nos ensina o amor a Deus até o desprezo de todos os outros amores que não levem a Ele. Devoção que nos ensina a suportar qualquer sofrimento para permanecer fiéis a Deus.
Viva Nossa Senhora das Dores! Virgem Dolorosa, rogai por nós!
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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