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11 de setembro de 2016

Sermão para o 15º Domingo depois de Pentecostes – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] O heroísmo da virtude


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
São inúmeras as lições da bela Epístola de São Paulo de hoje. Consideremos atentamente as palavras do Apóstolo quando diz: Não nos cansemos, pois, de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, não desfalecendo.
É muito comum, quando começamos a buscar a prática das virtudes, quando começamos a praticar o bem, quando começamos a andar pelo caminho do Senhor, nos cansarmos e desistirmos. É muito comum fazer bons propósitos, boas resoluções e depois abandoná-las logo ou após um certo tempo por cansaço. Cansaço que vem pelos obstáculos que encontramos para a prática do bem, para a prática das virtudes, para a prática dos mandamentos, para a prática da vontade divina. Esses obstáculos podem ser internos a nós mesmos: nossos maus hábitos adquiridos, nossas más inclinações. E podem ser também externos: a oposição do mundo, a zombaria do mundo.
A dificuldade de exercer a virtude vem também da própria virtude. Fazer o bem e perseverar nele exige força de alma. Não é fácil praticar a virtude e permanecer nela. Para agir de maneira virtuosa é preciso fazer algo bom, com uma finalidade boa e com as devidas circunstâncias. O bem tem que ser integralmente bom. Bonum ex integra causa, diz o adágio da teologia moral. O bem, para ser bem, tem que ser integralmente bom. Bom no seu objeto, na sua finalidade, nas suas circunstâncias. A virtude é o certo em meio a múltiplos erros, e erros que até podem se opor uns aos outros. Para agir mal, basta fazer algo ruim ou com uma má intenção ou em circunstâncias indevidas. Para o mal ser mal, basta qualquer defeito: malum ex quocumque defectu. A virtude é, então, árdua, ao contrário do que afirma o mundo, que considera os virtuosos fracos e fortes os pecadores. Tomemos o exemplo da pureza. O mundo costuma considerar forte a pessoa que peca reiteradamente dessa forma. Ora, pecar assim é bastante fácil, não exige esforço praticamente. A pessoa que peca é fraca, seguindo suas próprias inclinações, sem domínio de si mesma. Ao contrário, aquele que mantém a castidade própria de seu estado de vida, esse é forte, fugindo e combatendo as muitas ocasiões e tentações que se apresentam, tendo domínio sobre si mesmo, ordenando a sua vida pela razão iluminada pela fé. Essa pessoa é verdadeiramente forte. O virtuoso é forte.
Para ilustrar que o virtuoso é forte e o pecador fraco, podemos recorrer a uma lição muito simples do catecismo. O catecismo ao explicar que Deus é todo-poderoso nos diz que ele pode fazer tudo menos o mal, isto é, o pecado. E por que Deus não pode fazer o pecado? Porque o pecado é uma fraqueza é um defeito e Deus é sumamente perfeito. Assim, o pecado é uma fraqueza é um defeito, além claro, de ser uma ofensa a Deus, sumamente bom e amável.
A virtude, a santidade, é esse o verdadeiro heroísmo. Tanto é assim que os santos canonizados pela Igreja, erguidos aos altares, são aqueles que praticaram a virtude em grau heroico. Assim diz a Igreja dos santos: que eles praticaram a virtude em grau heroico. Praticar a virtude, conformar a nossa vontade com a vontade de Deus exige grandeza de alma, exige esforço, exige negação de si mesmo. A verdadeira força e o verdadeiro heroísmo só podem vir da graça de Deus, da união com Deus.
O fato é que é relativamente comum cansar-se e desistir de praticar o bem. Esse cansaço pode vir no começo ou com o tempo. Para não nos cansarmos de fazer o bem, ou não sucumbirmos a um eventual cansaço, devemos ter duas virtudes especificas, derivadas da virtude da fortaleza.
A virtude da fortaleza é a virtude que inclina a alma para que não desistamos de conseguir o bem árduo ou difícil, quando devemos alcançá-lo, por maiores que sejam as dificuldades. Dentro da virtude da fortaleza, duas virtudes nos interessam de modo particular para que continuemos na prática do bem. Essas duas virtudes são a perseverança e a constância.
A perseverança é a virtude que nos inclina a continuar no exercício do bem apesar do incômodo que a sua prolongação nos cause. A perseverança nos faz continuar no bom caminho tomado apesar dos obstáculos e moléstias que são próprios desse caminho e que vão surgindo nele. Assim, a perseverança nos inclina a continuar na prática do bem apesar das dificuldades que são próprias da prática prolongada do bem. São Francisco de Sales diz que com a nossa mudança de vida, com a nossa conversão a Deus, podem surgir muitas rebeliões no nosso interior e que o adeus dado ao às loucuras e ninharias do mundo podem trazer, às vezes, um sentimento de tristeza e de cansaço. Diante disso que o santo aponta, devemos perseverar, continuar no bom caminho. Essas rebeliões e sentimentos de tristeza passarão com o tempo ou surgirão de vez em quando, mas muito enfraquecidos, se temos a virtude da perseverança.
A primeira virtude a ser praticada para não nos cansarmos de fazer o bem é a perseverança. A outra é a constância. A constância é a virtude que nos faz continuar na prática do bem apesar das dificuldades que vêm de um impedimento exterior: os maus exemplos, o mundo com as suas artimanhas para nos levar ao pecado, a zombaria aos que praticam o bem e tantos outras dificuldades. A constância nos leva a persistir no bem, apesar dessas dificuldades exteriores.
Para sermos perseverantes e constantes, devemos pedir a Deus essas duas virtudes, devemos ser dóceis às graças e aos mandamentos divinos. Ajuda, na prática delas, prevermos as dificuldades que encontraremos no caminho da virtude e aceitá-las, para podermos mais facilmente vencê-las. É necessário também abraçarmos com generosidade as pequenas moléstias da vida diária para fortalecer o espírito contra as dificuldades e contrariedades. É preciso, ainda, colocar os olhos em Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado e crescer no amor a Deus, se quisermos perseverar no bem e fazer a colheita no tempo devido. Se formos perseverantes e constantes na prática do bem, colheremos a vida eterna justamente na hora de nossa morte.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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