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18 de novembro de 2014

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - 67ª Parte

MEDITAÇÃO PARA A QUARTA-FEIRA

Da flagelação de Jesus Cristo

1.Vendo Pilatos que os judeus não deixavam de exigir a morte de Jesus, condenou-o aos flagelos. “Então Pilatos se apoderou de Jesus e mandou açoitá-lo” (Jo 19,1). Julgou o juiz injusto que com isso acalmaria seus inimigos. Esta saída teve um resultado sumamente doloroso para Jesus. Os judeus supondo que Pilatos, depois de tal suplício, o poria em liberdade, como o havia abertamente declarado: “Depois de castigado o soltarei... Castigá-lo-ei e o soltarei”(Lc 23,16 e 22), corromperam os carrascos para que o flagelassem de tal modo que viesse a perder a vida no suplício. Entra, minha alma, no pretório de Pilatos, transformado nesse dia em horrendo teatro de dores e de ignomínias do Redentor, e vê como se despoja de suas vestes (como foi revelado a S. Brígida) e abraça a coluna, dando com isso aos homens uma evidentíssima prova de como se submetia voluntariamente aos mais desumanos sofrimentos e de quanto os amava. Contempla como esse cordeiro, com a cabeça baixa e todo envergonhado, espera por esse martírio. Eis que aqueles bárbaros como cães danados já se lançam sobre ele. Contempla aqueles impiedosos carrascos, dos quais uns lhe batem no peito, outros lhe flagelam as cosas, estes lhe retalham os flancos, aqueles outros as demais partes de seu corpo: mesmo sua cabeça sagrada e sua bela face não são poupadas. O sangue divino já corre de todas as partes: esse sangue já cobre os azorragues e as mãos dos carrascos, a coluna e até a terra. Ó Deus: já não encontrando mais esses bárbaros parte sã para ferir, ajuntam chagas a chagas e dilaceram por completo seu corpo sacrossanto. “E sobre a dor de minhas chagas acrescentaram novas chagas”(Sl 68,27). Ó minha alma, como pudeste ofender um Deus flagelado por ti? E vós, ó meu Jesus, como pudestes padecer tanto por um ingrato? Ó chagas de Jesus, vós sois a minha esperança. Ó meu Jesus, vós sois o único amor de minha alma.
2. Foi sumamente dolorosa aquela flagelação, pois, conforme foi revelado a S. Maria Madalena de Pazzi, os verdugos foram sessenta, sucedendo uns aos outros, e os instrumentos escolhidos para esse fim foram tão desumanos que cada golpe fazia uma ferida. Os golpes chegaram a vários milhares, pois que puseram a descoberto os ossos das costas de nosso Redentor, como foi revelado a S. Brígida. O certo é que fizeram tanto estrago que Pilatos julgou poder mover à compaixão seus mesmos inimigos, razão por que, do alto de seu palácio, lhes mostrou Jesus, dizendo: “Eis aqui o homem”(Jo 19,5). O profeta bem nos predisse o estado doloroso a que seria reduzido nosso Salvador na sua flagelação, dizendo que sua carne deveria ser toda pisada e seu corpo bendito se tornaria semelhante ao de um leproso todo coberto de chagas: “Foi quebrantado pelos nossos crimes  e nós o reputamos como um leproso”(Is 53, 4-5).
Ah, meu Jesus, eu vos agradeço tão grande amor; desagrada-me muito haver-me unido aos que vos flagelavam. Detesto todos os meus malditos prazeres, que vos custaram tantas dores. Fazei-me recordar constantemente do amor que me tendes, par que vos ame e não vos ofenda mais. Mereceria um inferno à parte se, depois de haver conhecido o vosso amor e depois de me haverdes perdoado tantas vezes, eu vos ofendesse novamente e me condenasse. Ah, esse amor e essa misericórdia seriam para mim no inferno um novo inferno ainda mais tormentoso. Não, meu amor, não o permitais. Eu vos amo, ó sumo bem, eu vos amo de todo o meu coração e quero amar-vos sempre.
3. Para pagar, pois, as nossas culpas e particularmente as de impureza, quis Jesus suportar esse grande suplício em suas carnes inocentes. Nós ofendemos a Deus, Senhor, e vós quisestes pagar a pena. Seja para sempre bendita a vossa infinita caridade. Que seria de mim, ó meu Jesus, se não tivésseis satisfeito por mim? Oh! nunca vos tivesse eu ofendido. Mas, se, pecando, desprezei o vosso amor, agora não desejo outra coisa que amar-vos e ser amado por vós. Vós dissestes que amais a quem vos ama. Eu vos amo sobre todas as coisas, vos amo com toda a minha alma; fazei-me digno de vosso amor. Sim, espero que me tenhais perdoado e que presentemente, por vossa bondade, me ameis. Ah, meu caro Redentor, prendei-me cada vez mais estreitamente ao vosso amor, não permitais que eu me separe jamais de vós. Eis-me aqui, inteiramente vosso, castigai-me como quiserdes. mas não permitais que eu fique privado de vosso amor. Fazei que vos ame e disponde de mim como vos aprouver. Maria, minha esperança, rogai a Jesus por mim.

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