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7 de dezembro de 2013

Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo - Parte 2 - Meditação 10

MEDITAÇÃO X.

Virum dolorum et scientem infirmitatem.

Ele foi um homem de dores e experimentado nos sofrimentos (Is 53,3).

O profeta Isaías chama Jesus Cristo homem de dores, porque Ele foi um homem criado expressamente para sofrer, e começou desde a sua infância a sofrer as maiores dores jamais sofridas pelos homens. Adão, nosso primeiro pai, gozou algum tempo as delícias do paraíso terrestre; mas o segundo Adão, Jesus Cristo, não teve no mundo um só instante de vida que não fosse cheio de sofrimentos e angústias; já antes de nascer foi afligido pela vista de todos os tormentos e de todas as ignomínias que o aguardavam no decorrer de sua vida, e sobre-tudo no fim dela, em que devia morrer mergulhado num abismo de dores e opróbrios, segundo a predição de Davi: Desci ao fundo do mar e a tempestade me submergiu.
Desde o seio de sua Mãe, nosso Salvador aceitou os sofrimentos de sua paixão e de sua morte por obediência a seu Pai: Ele foi obediente até a morte. Assim, desde o seio de Ma-ria ele previu os flagelos e lhes apresentou suas carnes para serem despedaçadas; previu os espinhos e lhes apresentou sua fronte sagrada; previu os cravos e lhes apresentou suas mãos e seus pés; previu a cruz e lhe ofereceu sua vida. E assim desde o primeiro momento de sua existência até a morte, nosso divino Redentor sofreu um martírio cruel e contínuo, e o ofereceu a cada instante por nós a seu Pai celeste.
Afetos e Súplicas.
Meu doce Redentor, quando começarei em fim a ser reconhecido para com a vossa bondade infinita? quando começarei a reconhecer o amor que me mostrastes e as dores que sofrestes por mim? No passado em vez de amor e gratidão, vos paguei com ofensas e desprezos; serei eu sempre ingrato para convosco, meu Deus, que nada poupastes para ganhar o meu amor? Não, meu Jesus, não será mais assim. Quero ser-vos grato o resto de minha vida; mas deveis socorrer-me. Se vos tenho ofendido, as vossas dores e a vossa morte são a minha esperança. Prometestes perdoar a quem se arrepende; arre-pendo-me de toda a minha alma de vos haver desprezado; rea-lizai pois a vossa promessa, ó meu Amor, perdoai-me. Meu caro Menino, nessa manjedoura já vos vejo pregado na cruz, que já vos paira ante os olhos e que aceitais de antemão por mim. Ó divino Infante, crucificado por mim, agradeço-vos e amo-vos. Sobre a palha, sofrendo já por mim e preparando-vos para morrer por meu amor, convidais-me a amar-vos, e mo ordenais: Amarás o Senhor teu Deus; e eu nada mais desejo se-não amar-vos. Se pois quereis ser amado por mim, dai-me todo o amor que de mim pedis. O amor para convosco é um dom da vossa bondade, e o mais precioso que possais fazer a uma alma. Ó meu Jesus, recebei no número dos que vos amam um pecador que muito vos tem ofendido. Do céu viestes procurar as ovelhas desgarradas, procurai-me pois que eu só a vós pro-curo; quereis a minha alma, e minha alma não quer outra coisa senão vós. Amais os que vos amam; eu vos amo, amai-me vós também; e se me amais prendei-me ao vosso amor, e prendei-me de tal forma que nunca mais me possa separar de vós.
Maria, minha Mãe, socorrei-me. Seja também glória vossa ver o vosso divino Filho amado também por um miserável pecador que outrora muito o ofendeu.

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