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1 de dezembro de 2013

Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo - Parte 2 - Meditação 4

MEDITAÇÃO IV.

Ubi venit plenitudo temporis, misit Deus Filium suum.
Quando se completaram os tempos, Deus enviou o seu Filho (Gl 4,4).

Considera como Deus deixou passar quatro mil anos de-pois do pecado de Adão, antes de mandar à terra o seu Filho para resgatar o mundo. Que trevas e que males reinaram en-tretanto sobre a terra! O verdadeiro Deus não era conhecido nem adorado, a não ser num canto do mundo: em toda a parte reinava a idolatria; adoravam-se como deuses os demônios, os animais e as pedras.
Mas admiremos aqui a sabedoria divina: difere a vinda do Redentor para torná-la mais apreciada dos homens; difere-a para melhor se conhecer a malícia do pecado, a necessidade do remédio e a graça do Salvador. Se Jesus Cristo tivesse vindo logo após o pecado de Adão, não se teria podido apreciar a grandeza desse benefício. Agradeçamos, pois, a bondade de Deus para conosco. Agradeçamos, pois, a bondade de Deus para conosco, fazendo-nos nascer depois de cumprida a grande obra da redenção.
Eis que é chegada essa época feliz chamada a plenitude dos tempos: Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho para resgatar os que estavam sob o jugo da lei. Essa expressão marca a plenitude da graça que o Filho de Deus veio comunicar aos homens pela redenção. O anjo é en-viado como embaixador na cidade de Nazaré à Virgem Maria para lhe anunciar a vinda do Verbo, que quer encarnar-se em seu seio. O anjo a saúda chamando-a Cheia de graça e Bendi-ta entre as mulheres. Ouvindo esses louvores a humilde Virgem, escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, perturba-se em sua profunda humildade; mas o anjo a anima e diz-lhe ter ela achado graça junto de Deus, isto é, aquela graça da qual resultaria a paz entre Deus e os homens, e a reparação das ruínas devidas ao pecado. Revela-lhe depois o nome de Jesus ou Salvador, que deve dar a seu Filho, e acrescenta que esse Filho é o próprio Filho de Deus, que deve resgatar o mundo e assim reinar sobre os corações dos homens. Enfim Maria consente em ser a Mãe de tão nobre filho: Faça-se em mim segundo a vossa palavra; e ao mesmo instante o Verbo eterno se faz carne e torna-se homem: E o Verbo se fez carne!
Rendamos graças a esse Filho e também a essa Mãe que, consentindo em ser a Mãe de tal Filho, consente em ser a Mãe de nossa salvação e por isso mesmo uma Mãe de dores: desde então ela se resigna a ser mergulhada num abismo de dores, que lhe devia custar a sua qualidade de Mãe dum Filho vindo ao mundo para sofrer e morrer pelos homens.
Afetos e Súplicas.
Ó Verbo divino feito homem por mim, embora vos veja tão humilhado e feito criança no seio de Maria, confesso-vos e re-conheço-vos por meu Senhor e Rei, mas Rei de amor. Meu caro Salvador, já que viestes a este mundo revestir-vos da nossa miserável carne para reinar sobre os nossos corações, ah! vinde estabelecer o vosso reino também no meu coração sujeito outrora ao domínio dos vossos inimigos, mas que agora é vosso, como espero; quero que seja ele sempre vosso e que vós sejais de hoje em diante o seu único Senhor: Reinai no meio de vossos inimigos. Os outros reis reinam pela força das armas; vós ao contrários vindes reinar pela força do amor, por isso não vindes com pompas reais, não vindes revestido de púrpura e ouro, ornado de cetro e coroa nem rodeado de exércitos de soldados. Nasceis num estábulo, pobre, abandonado e sereis colocado num presépio sobre um pouco de palha, por-que assim quereis começar a reinar sobre os corações. Ah! meu Rei Infante, como pude revoltar-me tantas vezes contra vós, e viver tanto tempo na vossa inimizade, na privação da vossa graça, quando vós para obrigar-me a amar-vos depusestes a vossa majestade divina e vos humilhastes tanto que tomastes a forma duma criança numa gruta, depois a dum operá-rio numa oficina, e, enfim, a dum condenado na cruz? Oh! feliz de mim se agora que saí, como espero, da escravidão de Lúcifer, me deixar dominar sempre por vós e por vosso amor! Ó Jesus, meu Rei, que sois tão amável e que amais tanto as al-mas, tomai posse de toda a minha alma, eu vo-la dou sem re-serva. Aceitai que ela vos sirva sempre e que vos sirva por a-mor: a vossa majestade merece ser temida, mas a vossa bondade merece ainda mais ser amada. Ó meu Rei, vós sois e sereis para sempre o meu único amor; e o único temor que terei será o de desgostar-vos. Assim o espero. Ajudai-me com a vossa graça.
Minha amada Soberana, Maria, vós haveis de obter-me a graça de ser fiel a esse Rei querido de minha alma.

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