8 de janeiro de 2011

Sagrada Família - Jesus, Maria e José

Das Cartas Apostólicas do Papa Leão XIII



Breve Neminem fugit


14 Junii 1892

Quando Deus, na sua misericórdia, determinou que se cumprisse a obra da renovação do homem, que o mesmo esperara por tantas longas eras, Ele acertou e ordenou essa obra com tal sabedoria que bem no seu começo refulgiu para o mundo o augusto espetáculo de uma Família que se sabia ser divinamente constituída ; para que aí todos os homens pudessem achar um modelo perfeito, tanto de vida doméstica quanto de todas as virtudes e ideais de santidade : pois que exatamente isso era a Sagrada Família de Nazaré. Nela, ocultamente, vivia o Filho da Retidão, até o tempo em que Ele deveria brilhar em total resplendor à vista de todas as nações. Nela Cristo, nosso Deus e Salvador, viveu com a Sua Virgem Mãe, e com aquele varão santíssimo, José, que Lhe fez as vezes de pai. Ninguém pode duvidar de que essa Sagrada Família exibia todas as virtudes que podem ser desenvolvidas em uma vida doméstica ordinária, com seus mútuos serviços de caridade, suas santas inter-relações, e suas práticas de divina piedade, visto que a Sagrada Família foi destinada a ser um ideal para todas as demais. Isso pela mesma razão com que foi estabelecido pelos desígnios misericordiosos da Providência que todo cristão, em todos os caminhos de vida e em todo lugar, pudesse facilmente, desde que lhe preste atenção, ter diante de si um motivo e um ideal de boa vida.

Para todos os pais de família, José é verdadeiramente o melhor modelo de vigilância e cuidado paternos. Na santíssima Virgem Mãe de Deus, as mães encontram um excelente exemplo de amor, modéstia, resignação de espírito, e da perfeição da fé. E em Jesus, que era sujeito a Seus pais, os filhos da família têm um ideal divino de obediência que podem admirar, reverenciar e imitar. Os que são de nascimento nobre possam aprender, dessa Família de sangue real, como viver simplesmente em tempos de prosperidade, e como reter sua dignidade em tempos de crise. Os ricos possam aprender que os valores morais devem ser mais estimados que a riqueza. Os artesãos, e todos os que semelhantemente se afligem amargamente por causa dos recursos estreitos de suas famílias, se considerarem a sublime santidade dos membros desse grupo doméstico, não deixarão de encontrar algum motivo de alegria em sua sorte, ao invés de estar meramente insatisfeitos com ela. Assim como a Sagrada Família, eles precisam trabalhar e prover para as necessidades vitais diárias. José precisou dedicar-se ao comércio para viver ; até as divinas mãos trabalharam numa oficina de artesão. Não seria de admirar que o mais rico homem, se verdadeiramente sábio, quisesse perder suas riquezas, e abraçar uma vida de pobreza com Jesus, Maria e José.

Disso se conclui evidentemente o quão natural e cabido foi que a devoção à Sagrada Família, no devido tempo, tenha crescido entre os católicos ; e, uma vez começada, se tenha espalhado longe e largamente. Prova disso são, primeiramente, as congregações instituídas sob a invocação da Sagrada Família ; além disso, as honras únicas que se lhe prestam ; e, sobretudo, os privilégios e favores garantidos a essa devoção pelos Nossos predecessores, para estimular o fervor e a piedade em relação a ela. Essa devoção já foi tida em grante estima no século XVII. Largamente propagada na Itália, França e Bélgica, espalhou-se por quase toda a Europa ; e então, cruzando o amplo oceano, pelo Canadá abriu caminho para as Américas, e, achando aí favor, tornou-se muito florescente. Assim o é, e, entre as famílias cristãs, nada pode ser imaginado de mais salutar nem eficaz que o exemplo da Sagrada Família, em que devem ser encontradas todas as virtudes domésticas, completas e perfeitas. Quando Jesus, Maria e José são invocados em casa, é propícia a manutenção da caridade na família através do seu exemplo e trato celestial ; assim, uma boa influência é exercida sobre a conduta [dos membros da família] ; da mesma forma, a prática da virtude é incitada ; e, destarte, as dificuldades que por toda parte querem atormentar a raça humana, serão mitigadas e tornadas mais fáceis de suportar. - Para aumentar a devoção à Sagrada Família, o Papa Leão XIII determinou que as famílias cristãs fossem consagradas a ela. Bento XV extendeu a Missa e o Ofício para toda a Igreja.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Advertência:

Qualquer comentário que contenha: tão somente argumentos ad hominem; insultos; palavrões; blasfêmias; propagandas heréticas; há de ser apagado.