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19 de julho de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

Nossa Senhora Jovem

À Luz da Tradição

Parte 6/7

Se temos de fazer o retrato completo da Virgem jovem, temos que examinar também como procedia nas suas relações sociais.
A necessidade do seu espírito arrastava-a para a solidão, e depois de Deus, os seus principais amigos, eram os livros santos. Lendo-os sentia-se rodeada dos personagens bíblicos: de anjos, patriarcas, profetas, reis, heroínas de Israel, e não notava a falta da companhia dos homens; não podia contudo afastar-se do trato com as pessoas que viviam à sua volta.
Com os superiores, era respeitosa. Porém ocorre perguntar, e quem era superior à rainha dos céus, se ela era mais santa que todos os homens e todos os anjos?
No entanto, Ela olhava como superiores a todos os que ostentavam a representação de Deus.
Os seus superiores eram: seus pais, seu esposo e as autoridades civis e religiosas.
Em todos eles via a Deus, infinitamente superior a ela; e como a representantes de Deus, os respeitava e lhes obedecia.
Jamais desgostou a seus pais, nem sequer com um olhar.
Um desgosto que desse a seus superiores, era um desgosto que dava a Deus. E Maria, desgostar a Deus?!
Quantos desgostos dão hoje as jovens a seus pais! Desgostos com os seus olhares iracundos, com os seus gestos de desprezo, com as suas palavras insultuosas e sobretudo com as suas desobediências e a sua conduta escandalosa.
Talvez que mais de uma vez os encontrasses chorando a sós por tua culpa. Tanto os fazes sofrer.
E não pensas que fazê-los sofrer é fazer sofrer a Deus; que fazendo-os chorar fazes chorar a Jesus Cristo?
A Virgem não era como algumas jovens: amáveis e simpáticas só com os de fora. Pacífica consigo mesma, difundia em volta de si a paz.
Com os iguais, era também amável. Sendo superior a eles, nunca fez alarde da sua superioridade; abstinha-se da mínima ostentação; porque nada afasta mais o carinho das companheiras como o alarde de superioridade.
Era a companheira humilde que servia as outras.
A Virgem quis bem a todas, porque cumpria o mandamento de Deus, de amar a todos como a nós mesmos; porque imitava o Pai celeste que faz nascer o sol para todos, e sobre os campos de todos faz cair a chuva benéfica.
Como seu filho mais tarde, ela quis passar pela terra fazendo bem a todos, e em toda a sua vida não fez mal a ninguém.
Que norma de conduta tão formosa: não fazer mal a ninguém. A todos fazer bem.
A Virgem, como vistes, era recolhida, amava o retiro e a solidão, mas necessariamente tinha que sair de casa.
Quando saía? Aonde ia?
Assistia somente aquelas reuniões de homens em que não tinha de envergonhar-se a misericórdia, nem teria de fechar os olhos ao pecado.
E quando saía de casa, nunca saía só, ia sempre acompanhada.
É verdade que o seu primeiro anjo da guarda era o pudor, o defensor que Deus deu à pureza. O pudor acompanhava-a sempre, mesmo quando se dirigia ao templo; porque no caminho do templo podiam aparecer-lhe os inimigos.
E além do pudor, levava sempre alguma companhia para maior decoro e dignidade.

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