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11 de julho de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

Nossa Senhora Jovem

À Luz da Tradição

Parte 3/7

As palavras.
Muito transparece a alma através dos olhos, mas mais ainda através da língua.
Com razão se diz que da abundância do coração fala a língua.
A alma da Virgem assomava aos seus lábios, por isso era séria nas suas palavras.
Palavras prudentes. Palavras de peso cheias de um significado profundo.
Assim são as poucas que dela conservou o Evangelho.
Nada dessa verborreia de alguns jovens que passam horas a falar e no fim da conversação não sabem dizer do que trataram.
Longe, muito longe dela a leviandade de muitas conversações em que incorrem muitas vezes as jovens: alusões maliciosas, frases ambíguas, ditos picantes, assuntos escabrosos e francamente obscenos, tudo isso que é a pimenta de muitas conversações dos novos.
As palavras da Virgem eram prudentes e eram poucas; porque diz a Escritura que "in multiloquio non deerit peccatum", a tagarelice não pode livrar-se do pecado. Quantas indiscrições e quantos pecados deslizam nas longas conversas das mulheres!
A Virgem era prudente nos seus conselhos.
As suas companheiras pediam-lhe conselho, porque sabiam que era desinteressada e ponderada. E os conselhos que dava, que atinados e que santos eram!
A Virgem prudentíssima.
Muito diferentes dos que dão algumas jovens às suas companheiras, e até algumas mães às suas filhas: não deixes passar os anos melhores da tua vida, diverte-te, passeia, chama a atenção; o que equivale a dizer: peca.
Ditosa és, se as jovens da tua idade te consideram tão prudente que te venham pedir conselho.
E se fazem essa confiança em ti, aproveita o ascendente que tens sobre elas para levá-las pelo caminho do céu; não imites o demônio, arrastando-as ao inferno com os teus maus conselhos.
A Virgem, nas suas palavras e afirmações era modesta.
O homem, e mais ainda a mulher, tendem a ponderar e exagerar as suas coisas: as qualidades que possuem, a posição social, a nobreza da família.
Que coisas tão grandes podia dizer a Virgem de si mesma!
As glórias dos seus antepassados, reis de Judá.
Os privilégios únicos que o Senhor lhe tinha concedido.
Muito reservada e modesta devia ser nas suas palavras a que não quis descobrir o mistério da Encarnação a seu próprio esposo, ainda que adivinhasse as torturas do seu coração.
Não deixes de fazer alguma coisa boa por temor da desestima dos homens, nem tão pouco ponderes as boas obras que fazes; que o saiba Deus, e basta.
A moderação que a Virgem tinha nas suas palavras estendia-se até ao tom da voz.
Muitas vezes incomodamos os mais, não tanto pelas coisas que dizemos, mas pelo modo de as dizer.
Podem-se dizer coisas boas e santas, e torná-las odiosas pelo tom afetado e fastidioso de falso misticismo que se adota.
O tom das nossas palavras é a expressão do estado psicológico em que nos encontramos.
A desigualdade nas nossas conversas é efeito da volubilidade dos nossos sentimentos.
A espiritualidade melada das palavras é manifestação da falsa espiritualidade da alma.
Se a nossa virtude fosse como a da Santíssima Virgem, sólida e sincera; se o nosso espírito estivesse como o da Virgem, tranquilo e ordenado, a nossa conversação seria espiritual, e atraente, tranquila e equilibrada.

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