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8 de julho de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

Nossa Senhora Jovem

À Luz da Tradição

Parte 2/7

Diz Santo Ambrósio que os atos exteriores do corpo são "vox quaedam animi", são como que a linguagem da alma; que o estado interior da alma manifesta-se na atitude exterior do corpo: "habitus mentis statu corporis cernitur"; e aplicando esta doutrina geral à Santíssima Virgem afirma que o porte do seu corpo era a cópia da sua alma e reflexo da sua inocência.
Se todo o exterior do homem é o reflexo da sua alma, o rosto é o de um modo especial.
Com razão se diz que o rosto é o espelho da alma.
Todos os sentimentos da alma refletem-se no rosto: o amor e o ódio, a tristeza e a alegria, a mansidão e a ira.
E do rosto, o mais expressivo, são os olhos. Os olhos são as janelas onde a alma mais gosta de se debruçar.
Como eram os olhos da Santíssima Virgem?
Prescindamos se eram negros, azuis ou castanhos; nos olhos há alguma coisa mais importante que a cor.
Duas frases emprega Santo Ambrósio para pintar os olhos da Virgem.
Numa frase diz o que refletiam do seu interior, noutra, como se defendiam do exterior.
Diz da Virgem, que "jamais se surpreendeu um olhar torvo em seus olhos".
Que jamais transpareceu neles uma paixão desenfreada.
Tinha que ser assim, porque em seu interior não havia paixões desenfreadas, tudo estava ordenado.
Jovem, parecem-se os teus olhos com as da Virgem?
algumas vezes não assoma neles a paixão? Não assoma a ira? Não assoma a vaidade? Não assoma a soberba? Não assoma a sensualidade?
De quantas maneiras se assoma a luxúria pelas janelas dos olhos! Assoma-se com olhares maliciosos, que incitam ao pecado. Assoma-se com olhares curiosos, que procuram o que lhes agrada. Assoma-se com olhares concupiscentes, que querem apoderar-se dos objetos pecaminosos.
Jovem, ordena o teu interior para que não se assomem as paixões às janelas dos teus olhos.
Olhos da Virgem Santíssima, azuis e serenos como um céu sem nuvens, que só se enevoam quando contemplam as misérias dos homens, para chorá-las.
Que os teus olhos se pareçam aos da Santíssima Virgem.
O olhar da Virgem era cheio de pudor. O pudor é o defensor que Deus deu à pureza.
O pudor guardava os olhos da Virgem, para que não entrasse por eles nada que pudesse manchar a sua alma.
A Virgem, sim, é que podia dizer: a mim não me fazem impressão as coisas.
Podia dizê-lo com verdade, porque não tinha inclinação nenhuma para o pecado; e, não obstante, punha o pudor à frente dos olhos para impedir a entrada a toda a imagem pecaminosa.
Os olhos da Virgem estavam destinados a contemplar o Filho de Deus, e não podiam manchar-se com nada impuro.
Jovem, tu não és a Virgem. Ainda que digas que não te impressionam as coisas, tem paixões, tens inclinação para o pecado. Um olhar atrevido precipitou David no precipício do adultério e do homicídio.
Não presumas de ser mais santa que o santo rei David. E quantos inimigos da pureza pretendem entrar na tua alma pelos olhos!
Na sociedade em que vivia a Virgem não havia fotografias, não havia revistas, não havia cinemas, as pessoas eram mais recatadas, e não obstante Ela tinha sempre à frente dos seus olhos o pudor guardião, que os fechava quando se aproximava algum inimigo.
Que os teus olhos não estejam um só momento sem este guardião.
Também esses teus olhos têm um fim elevado.
Também eles estão destinados a contemplar o céu; e aqui na terra a contemplar a hóstia santa quando se eleva nas mãos do sacerdote e tu assistes à santa missa.
Não é uma profanação que esses olhos que na noite anterior mergulharam nas imagens obscuras do cinema, venham na manhã seguinte contemplar a hóstia imaculada; e a imagem de Jesus Sacramentado se confunda com as imagens dos artistas de cinema?
Que os teus olhos sejam semelhantes aos olhos da Santíssima Virgem.

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