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17 de janeiro de 2016

Missa 1º Domingo Depois Do Natal - Padre Renato Coelho IBP

MISSA DO 1o DOM DEPOIS DO NATAL

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

José e Maria estavam maravilhados sobre o que diziam de Jesus. Em primeiro lugar um anjo lhes fala, depois os pastorezinhos e os reis sábios, e agora o velho Simeão. E Simeão faz uma profecia, ele declara que Jesus será a causa da queda e do erguer-se de muitos.
Mas não estamos no ano da misericórdia? Jesus não é misericordioso? Como, então, é dito que Ele virá para ser a causa da queda de muitos?
Jesus será a causa da queda daqueles que não acreditaram Nele, daqueles que pela própria estultice serão confundidos diante da Luz de Cristo, que não aceita desculpas mentirosas ou falsos silogismos para justificar o injustificável. Ele não veio abolir a Lei, mas aperfeiçoá-la. Quem vive mal, tem em Jesus uma oportunidade para mudar de vida, de erguer-se, mas não de continuar no mal em que está. Quem, apesar de todos os meios de obter misericórdia por meio de Cristo e de Sua Igreja, recusar mudar de vida, condição necessária e prévia para receber qualquer misericórdia da parte de Deus, está fadado a não recebê-la, e assim ficar reservado para si apenas a Ira Divina. Tais são ditos “indignos da misericórdia” de Deus, como o são os maus anjos e demais condenados ao inferno (Suplemento à Suma Teológica, q.99, a.2, ad 1).
Cristo faz cair aqueles que o veem como uma pedra de tropeço. E nesse sentido Cristo colocará um sinal de contradição para muitos, e esse sinal é a Cruz, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Também é dito que essa profecia se aplica em especial ao povo judeu (cf. S. Gregório de Nisa, Catena Aurea), que cairá depois da vinda de Cristo, sendo privados de seus privilégios iniciais, sofrendo mais gravemente que os outros povos, pois recusaram receber o Messias. 
Se tememos a Cruz de Cristo, se tememos a cruz em nossas vidas, então Cristo é para nós uma pedra de tropeço, na qual cairemos com todas as consequências nocivas dessa queda. Mas se vemos em Cristo a cruz da vitória, a cruz que com sua graça conseguimos carregar com fé, então ele será para nós força para nos erguemos e andarmos, carregando a nossa cruz até o destino final onde Deus nos espera como que com ansiedade. São Paulo não recusa sua cruz, mas diz querer completar aquilo que Cristo deixou para nós da Sua Cruz, bem como castigando a si mesmo, com medo de ele mesmo vir a ser excluído do número dos eleitos, mesmo após ter pregado Cristo aos outros (cf. 1 Cor 9, 27).
É um mistério, mas também é uma forma de misericórdia, a Cruz de Cristo. Como que com uma simples cruz podemos obter um bem infinito que é o Céu? Mesmo após termos fechado o caminho pelas ofensas infinitas feitas a Deus? E isso é misericórdia, carregar o jugo leve da Cruz, com fé, esperança e caridade, que após um curto e pequeno incômodo, ganhamos a indizível alegria do Céu (cf. 2 Cor 4, 17).

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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