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3 de janeiro de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 36

COMO AS MODAS PEGAM

Certo dia, um mau caçador perseguía no juncal duma lagoa numeroso bando de patos silvestres.
Ao vê-lo, fugiram todos. Um, porém, ficou embaraçado e sobre ele disparou o caçador a sua carga de chumbos. O tiro pegou-o no rabo. As penas voaram pelos ares, sobrando só duas, tesas e ridículas, na cauda do pato. Teve vergonha de voltar deformado para o meio de seus companheiros, porquanto zombariam dele e de sua desgraça.
Fugiu, pois, para longe e, em sua vida errante, encontrou-se, um dia, junto duma lagoa com outro bando de patos silvestres. Quando o viram chegar com aquelas duas únicas penas no rabo, os novos companheiros soltaram uma gargalhada e gritaram:
— Olhem que espantalho! donde terá ele escapado?
Um dos patos mais velhos disse sisudamente:
— Pois olhem, parece-me um tipo interessante; talvez venha de Paris e quiçá seja por lá a última moda entre os patos.
Foram perguntar ao recém-chegado, e o astuto (que ouvira a conversa) saiu galhardamente do apuro dizendo que, realmente, aquela era a última moda de Paris.
— E assenta admiravelmente, comentaram as patinhas mais novas. E dentro de poucos dias, essas patinhas (primeiro uma, depois as outras) foram arrancando as penas do rabo, deixando somente duas á moda do hospede.
As patas-mães, a principio, não gostaram muito da novidade; mas, pouco tempo depois, elas também arrancaram as penas do rabo e, pelos arredores da lagoa, só se viam patas desrabadas.
O pato ridículo triunfara em toda a linha.
Entre os homens, e mormente entre as mulheres, há muitas modas que se originaram á semelhança desta. Vieram através das modistas importadas de Paris ou do cinema semipagão. E como nos parecem ridículas!... Oh! quantos sacrifícios para servir á moda, e quão poucos para agradar a Deus!

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