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7 de janeiro de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 39

COMO FAZ BEM A HUMILHAÇÃO

Bem poucos conhecem, mesmo de nome, a São Telmo.
Chamava-se, antes, Pedro González. Era muito moço, mas seu tio, o bispo de Palência, fê-lo cônego daquela catedral. Era o jovem cônego muito vaidoso e gostava demais das honras e dignidades. Sua vida contrastava com a de seus colegas que andavam escandalizados com a sua conduta. Apesar disso consegue seu tio que ele seja eleito deão do cabido. A posse foi marcada para o dia de Natal.
Chegado esse dia, González vestiu um elegante traje cortesão e, montando um ginete magnificamente ajaezado, atravessou as ruas da cidade, com grande escândalo do povo.
Entretanto Deus, em seus insondáveis desígnios, queria servir-se da vaidade de González para impor-lhe uma profunda humilhação. Queria por esse meio levá-lo a melhores sentimentos, fazendo-o sentir quão frívolas e efémeras são as honras mundanas. Chegando a grande praça de Palência, quis fazer seu cavalo corcovear graciosamente, a fim de provocar admiração do público e arrancar-lhe aplausos. Largou o cavalo a toda brida, mas, no meio da carreira, o animal empacou, deu um pinote e lançou o cavaleiro no meio da lama.
A multidão acolheu a queda com uma estrondosa gargalhada. A vaia foi tremenda. O vaidoso deão, coberto de lama até aos olhos, não ousava levantar-se do chão.
Muito salutar foi, todavia, tamanha confusão. Erguendo os olhos ao céu, exclamou: Como? este mundo, a quem eu desejava agradar, zomba de mim!? Pois bem, eu me rirei dele, voltar-lhe-ei as costas, e mudarei de vida.
Abandonou tudo, fez-se dominicano e com o nome de Frei Telmo viveu e morreu como santo.

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