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26 de janeiro de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência VIII


A IGREJA REJEITA ESTAS "REFORMAS" DO CASAMENTO



Parte 4/6

Após tudo isto será fácil compreender por que a Igreja condena estas "reformas" do casamento.
Rejeita-as, porque seus argumentos não provam. Condena-as também, pelas suas consequências calamitosas.
A) É preciso reconhecer que este ou aquele argumento é tão objetivo, tão aceitável, que, à primeira vista, se poderia facilmente ficar abalado. Examinando-se, contudo, a coisa mais profundamente, percebe-se a sua falsidade.
Entre outros raciocínios, conhecidos e aparentemente admissíveis, eis um por exemplo: "É bem verdade que nós nos juramos fidelidade, na vida e na morte. Tornou-se, porém, evidente que não fomos criados um para o outro. Durante anos procuramos nos acostumar um com o outro, mas a situação piorava cada vez mais. E hoje temos, um para com o outro, uma aversão insuperável, tão forte que a vida comum é uma perpétua mentira, uma disputa incessante. Não será mais honesto separarmo-nos do que continuar enganando o mundo, e simulando farisaicamente uma fidelidade e um amor que não existe?"
a - Em primeiro lugar, reconhecemos que o caso apresentado é possível! "Uma aversão insuperável"! Que palavras terríveis nos lábios de um cristão! Em que corações surgiu esta aversão, após o casamento? Naqueles cujo amor antes do matrimônio era insensato. Aconteceu, com efeito, que nestes o atrativo, o entusiasmo e exaltação, que repousavam sobre as sensações puramente exteriores, desapareceram após o casamento, e se transformaram em ódio. Porque tudo o que se baseia nas qualidades físicas sujeitas a mudanças transforma-se também com elas. Semelhante amor e semelhante acorde diminuem, a medida que decrescem a beleza, a saúde, a juventude, e algumas vezes também a fortuna, a reputação e os sucessos dos esposos.
Quem, contudo, realiza um matrimônio, sobre bases tão vacilantes, não tem o direito de se admirar se, no decurso dos anos, tudo isso desapareça, dando lugar a uma "aversão insuperável", de que falamos. Poderiam eles vencer esta aversão por uma conduta sábia, e um domínio de si, mas estas palavras de há muito estes esposos arrancaram de seu vocabulário.
b - Precisamos tratar ainda de uma outra questão. Uma vez que em um matrimônio, realizado sobre fundamentos puramente exteriores e sensuais, esta "aversão conjugal" realmente pode existir, não resulta dai que elas são livres, por esta razão, de faltar ao grande ideal da indissolubilidade do matrimônio?
Em absoluto.
Daí resulta a grande advertência que a Igreja não cessa de fazer: Não vos decidais nunca a casar-vos levados ou pela beleza exterior, ou pelo encanto físico, ou pela situação ou pela riqueza. Pois só não desaparece com a beleza física e com a juventude o amor que se baseia em valores morais. Esse amor, através dos anos, aumenta-se, transfigura-se, espiritualiza-se cada vez mais, porque não é o semblante exterior, sujeito à mudança e à velhice, que nele se ama e sim o ser intimo, a alma imutável, que não envelhece, mas embeleza cada vez mais.
B) Consideremos, além disso, as consequências catastróficas destes casamentos, para toda sociedade.
a - Aqueles que com tanto entusiasmo falam da necessidade de "reformar o matrimônio", e de "estabelecê-lo sobre novas bases, deveriam ver claramente como trabalham desatinadamente, para a ruína dos mais santos valores.
É horroroso, com efeito, pensar na decadência moral, que feriria a humanidade, se um dia essas formas frívolas que tantos, hoje, apregoam cegamente, mas que felizmente não seguem, fossem realmente postas em prática. Se hoje há ainda moralidade e honestidade entre os homens, ao menos o quanto possível, e se na vida conjugal atual se encontram, ainda, concórdia, paz, alegria e compreensão mútua, tudo isto tem por princípio o respeito religioso, com que vossos ancestrais rodeavam o casamento.
Que perspectivas, porém, nos aguardam se estes frívolos projetos de reforma conseguissem laicizar totalmente o casamento, e extirpar suas raízes religiosas, e reduzir realmente a união mais santa de suas criaturas humanas, ao plano de casamento de experiência ou de camaradagem?
Que caos moral reina já, hoje, no mundo neste domínio, e como se voltou para o paganismo! É supérfluo falar disto! Uma senhora da sociedade esta com o seu quarto marido, mas tem o hábito de se encontrar ocasionalmente com os três precedentes e entreter-se gentilmente com eles, pois, com efeito, "não se tratava senão de casamento de experiência". Tal senhor esta com sua terceira esposa, permanecendo em boa amizade com as outras duas, pois trata-se apenas de "casamento de experiência".
b - Não penseis que hoje é somente o padre que fala em mim, para deplorar este desprezo frívolo pelas leis de Deus. Não. Seria obrigado a chegar à mesma constatação, se eu temesse, unicamente, pelo futuro da humanidade, se as minhas palavras fossem somente ditadas pela solicitude e pelo amor ao futuro de nosso povo.

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