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25 de janeiro de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência VIII


Parte 3/6


Creio que dissemos bastante sobre o "casamento de experiência".
B) Há pessoas, que acham a ideia do "casamento de experiência" contraditória em si mesma, mas não querem admitir a forma cristã do matrimônio. Experimentam recorrer a uma outra fórmula. É o casamento de camaradagem. "Não sejamos esposos à moda antiga, mas vivamos como bons camaradas, um ao lado do outro".
Por inocente que pareça esta expressão romanesca, somos obrigados a ver claramente que o "casamento de camaradagem" não é menos perigoso que o de "experiência".
a - O casamento de camaradagem despreza em primeiro lugar, totalmente, o caráter feminino e, na verdade, quer transformar a natureza da mulher. Vós me compreendeis certamente se afirmo que o traço fundamental da natureza feminina é um certo grau de entusiasmo pelo qual olha com admiração aquele que ela ama, porque é mais forte, e maior que ela, podendo sentir-se tranquila em seu amor que a protege. Isto não vem do capricho do homem, mas da experiência dos séculos, que se expressa nos seguintes conselhos: o marido, o quanto possível, deve ser maior que sua mulher, mas pela instrução deve ser-lhe absolutamente superior.
Este desejo natural, que a mulher tem, de querer "admirar" seu marido, prova o absurdo daquela afirmação de que as relações entre marido e esposa consistem numa simples camaradagem.
b - Mesmo que tomássemos a palavra no bom sentido, e disséssemos que em todo o matrimônio ideal o marido e a mulher, em certo sentido, são como bons camaradas que se ajudam, se encorajam, se consolam e se distraem mutuamente, mesmo, então, não pensamos que tudo isto possa chamar-se "casamento de camaradagem". Aí, com efeito, a mulher não se coloca no mesmo nível que o marido, ela não é mais que um joguete entregue ao prazer do homem, que a conserva enquanto quer, e dela pode usar.
Não é menos evidente que este casamento não poderá dar, um dia, filhos. A mulher, pois, esta obrigada, por causa dos instintos egoístas de seu marido, a renunciar aos seus desejos naturais mais profundos e que para ela significam o cúmulo de sua felicidade terrestre: a maternidade. Respondei-me, não é brincar odiosamente com as palavras, chamar "camarada" um ser tão egoísta?
Esta "camaradagem" não satisfaz nem sequer o homem. É o que nos diz a vida com seus terríveis exemplos. Acontece frequentemente que o homem acaba cansando-se desta liberdade de procedimento, característica do casamento de camaradagem, e quer contrair um verdadeiro matrimônio. Sim, é o que acontece muitas vezes. Mas o que raramente acontece é ele casar-se com sua antiga "camarada". Ele a conhece muito bem, e sabe que ela não é digna de um verdadeiro matrimônio.
Nestes matrimônios "estilo novo", a mulher expõe-se à mesma sorte da folha arrancada à árvore: o vento brinca com ela, durante um certo tempo, leva-a, fá-la voltear, girar, mas, finalmente, deixa-a irremediavelmente cair na lama do caminho.
c - "Mas a Igreja não quer, então, compreender que a evolução cultural da humanidade tende para uma liberdade cada vez maior?" objetam os fervorosos adeptos deste casamento. "As velhas formas rígidas da vida conjugal não podem mais corresponder a esta aspiração crescente de liberdade".
Como este raciocínio é inexato e superficial! A característica do domínio cultural intelectual é o encadeamento cada vez maior das tendências indisciplinadas do homem. Faremos exceção só neste ponto? Quantas leis complicadas, que prescrições, que regras de decência, e de convenção social reprimem, dentro de nós, o livre impulso de nossos instintos e de nossas paixões! O homem criou todas estas leis e estas prescrições, no decurso de seu desenvolvimento cultural, gradativamente, compreendendo aos poucos que elas são indispensáveis à vida social.
A forma cristã do casamento não corresponde às aspirações humanas de liberdade? O homem não é livre senão na medida em que domina, em si, as tendências animais. Não é notável que as numerosas cerimônias e convenções de decoro e as inúmeras cerimônias e convenções sociais se encontram hoje, precisamente, no povo que é também o mais livre, os ingleses? A forma exterior e a liberdade interior de maneira alguma se contradizem. Ao contrário, são o sustentáculo inabalável da parte mais preciosa e mais nobre do nosso eu.

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