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19 de junho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XIV


Parte 5/7


B - Falando, porém, assim, parece-me ver entre este ou aquele dentre os que me ouvem pelo rádio dizer: "Vou escrever ao pregador. É fácil dizer do altar, da cátedra, porque ele não conhece a vida".
Não me escrevais, não. Eu a conheço. Sei mesmo que há realmente, por causa das miseráveis condições materiais de hoje, famílias que receiam com razão a vinda de um novo filho, porque não poderiam sustentá-lo.
a - Que lhes diremos nós? Que lhes diremos, quando em sua amargura, eles não sabem mais quase o que dizem?
O ponto de vista católico é duro e severo, dizem eles. Já não há tanta miséria na terra? Já não falta o pão aqueles que vivem? E eis o cristianismo a proclamar que é um pecado defender-se contra os filhos. A Igreja não tem coração e nem indulgência!
Apresentei esta acusação em toda a severidade, para que vejais que a Igreja sabe de tudo isto. Como não haveria ela de saber a miséria por que passam tantas famílias de hoje? Como não teria ela compaixão de todos aqueles que, sem o merecerem, estão na miséria? Como não haveria ela de saber que, infelizmente, famílias realmente religiosas, por causa dessas dificuldades, ficam em uma terrível alternativa?
b - Para evitar mal entendidos, declaremos claramente que a Igreja nunca teve a ideia de que os pais pudessem pôr no mundo sempre mais filhos, irresponsavelmente. Nada disto. Há famílias que podem educar, convenientemente, os dez filhos, há outras que não podem educar mais que um ou dois. A Igreja o vê bem. Ela só  não o permite que a limitação de números de filhos se realize por intervenções culpáveis, manchando o santuário da família. Quando por sérias razões a família não quer mais aceitar filhos, é preciso para que ela não os aceite mais, recorrer a castidade conjugal, e não os meios criminosos.
É por excelência o dogma que hoje faz com que tantos falem das "lacunas da ética sexual católica" e da "falência moral do matrimônio católico", e da "impossibilidade do ideal católico do matrimônio".
O homem moderno gosta de ouvir falar de tudo, menos de uma coisa: Não quer ouvir falar do domínio de si. O homem que aprendeu dominar as forças mais selvagens do mundo material, esqueceu de aprender a dominar a si mesmo, esqueceu e, se for preciso, negará que todas as grandes obras do passado, no terreno da civilização material ou da intelectual, são o fruto de renúncia.
c - Mas, enquanto que a santa Igreja exige sem reserva a pureza moral da vida do casado, ela não cessa de exigir também para as famílias condições que tornem possível a observação da castidade conjugal, pois se conhecemos que para muitas famílias na realidade é difícil observar as leis divinas por causa da situação econômica atual, não se segue que tenham agora o direito de mudar a lei de Deus; pelo contrário, é preciso transformar a situação econômica. A lei divina é eterna e o homem não tem o direito de tocá-la. Mas as leis econômicas não são eternas. Elas dependem das transformações a que estão sujeitas as instituições da vida atual.Se o sol e o meu relógio não se combinam, eu não posso tocar no sol, mas somente no relógio:
Quem não vê a grandeza da tarefa que incumbe neste ponto à legislação? Com efeito, há hoje ainda homens que não têm família para sustentar, mas dissipam em uma só noite somas que bastariam para alimentar, durante a semana, várias famílias numerosas. Enquanto a Igreja corajosamente levanta a voz em favor dos filhos, e assim defende com eficácia o interesse da nação, a legislação civil não tem o direito de olhar, com indiferença, a luta difícil em que ela se empenha em favor da criança, mas deve, por inúmeras medidas legais, por intervenções no domínio educativo, impostos fiscais, por abonos e outros meios materiais, favorecer as famílias numerosas

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