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12 de outubro de 2015

Sermão para o 18º Domingo depois de Pentecostes – Padre Daniel Pinheiro, IBP


[Sermão] A cura do paralítico: o perdão dos pecados, a divindade de Cristo e a cura do enfermo


Em nome do Pai…
Ave Maria…
Filho, tem confiança, são-te perdoados os teus pecados (Evangelho do 18º Domingo depois de Pentecostes).
Consideremos o Evangelho de hoje – a cura do paralítico – com suas lições. São Lucas, em seu Evangelho, nos dá alguns outros detalhes desse episódio, não relatados por São Mateus. Nosso Senhor estava em Cafarnaum, chamada de sua cidade porque era o centro de onde irradiava a sua pregação. E Nosso Senhor estava ensinando na casa onde se encontrava, e havia tantas pessoas presentes que já não cabiam nem mesmo diante da porta da casa. E estavam presentes também fariseus e doutores da lei. O paralítico, carregado por quatro amigos, queria aproximar-se do Senhor, mas não podia, em virtude da multidão que o cercava. Eles subiram, então, ao teto com o paralítico, fizeram uma abertura nas telhas, e o desceram diante de Nosso Senhor.
São Lucas, nos Atos dos Apóstolos (10, 38), diz que Nosso Senhor passou (a sua vida) fazendo o bem. Podemos ver isso no Evangelho de hoje claramente, nas suas palavras de bondade e nos seus atos. Em primeiro lugar, vendo o esforço que tinham feito o paralítico e seus amigos para chegar perto do dEle, e reconhecendo a fé que os movia a tais esforços, Jesus diz ao paralítico: tem confiança. São duas palavras que enchem de esperança e de consolo a alma daquele pobre coitado, paralítico. Filho, tem confiança. Sim, somos filhos de Deus e podemos e devemos ter confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua bondade e misericórdia, se fazemos a nossa parte. Podemos e devemos ter confiança se estamos dispostos a negar a nós mesmos, para tomar a nossa cruz e segui-lo, se nos esforçamos para sermos bons cristãos. Assim, em meio às maiores provações e dificuldades, lembremo-nos dessas palavras do Salvador: Filho, tem confiança. Deus está pronto para nos ajudar e pode nos ajudar. Ele não nos dará, porém, uma ajuda qualquer. A ajuda que Deus nos dá é sempre, de um modo ou de outro, para que possamos alcançar a salvação eterna. Se seguirmos o exemplo do paralítico, que não mediu esforços para colocar-se diante de Cristo, teremos nossos pecados perdoados, iremos ao céu.
Em segundo lugar, vemos a bondade de Nosso Senhor quando Ele perdoa os pecados do paralítico. Tendo o paralítico procurado Jesus muito provavelmente para alcançar somente a cura de sua paralisia, acabou recebendo muito mais. Vendo Jesus a disposição da alma do paralítico, a sua fé, o arrependimento que tinha o enfermo de seus pecados e provavelmente a paciência com que padecia esse sofrimento, Jesus lhe dá, primeiramente, o que é mais importante: Ele perdoa os pecados, dando-lhe a graça santificante, isto é, a amizade com Deus.
Em terceiro lugar, vemos a bondade de Cristo ao nos ensinar a verdade. Aqui Ele nos ensina que é homem e Deus. Por esse gesto de perdoar os pecados, Jesus se declara, evidentemente, Deus. Apenas Deus pode perdoar os pecados. Mesmo na confissão, é Deus quem perdoa os pecados utilizando o padre como instrumento. Então, Jesus ao perdoar pura e simplesmente os pecados, se diz Deus. E os doutores da lei e fariseus compreenderam muito bem isso, tanto que pensaram: esse homem blasfema, blasfema porque disse ser Deus ao perdoar os pecados desse modo.
Jesus, porém, sendo Deus, conhecia o pensamento deles. Perguntou-lhes, então: “por que pensais mal nos vossos corações? O que é mais fácil dizer: são-te perdoados os teus pecados ou dizer: levanta-te e caminha?” Aqui, os presentes, em particular os fariseus e escribas, recebem a segunda prova da divindade de Cristo: Ele conhece os pensamentos mais íntimos dos homens. Nosso Senhor mostra que sabia exatamente o que eles estavam pensando. A bondade de Cristo dá uma segunda prova de sua divindade, para que acreditem.
Finalmente, para tirar qualquer dúvida acerca de sua divindade, Nosso Senhor faz o milagre da cura do paralítico, um bem para o paralítico e um bem para os presentes para que possam acreditar em sua divindade. O milagre só pode ter como origem Deus. O milagre é algo que está acima das forças de toda e qualquer natureza criada. Quando o milagre está ligado intimamente a um ensinamento, ele serve para confirmar que esse ensinamento é verdadeiro. E por isso Nosso Senhor faz tantos milagres ao longo do Evangelho: para comprovar que seus ensinamentos são verdadeiros, que eles vêm de Deus, realmente. Por isso também, os profetas faziam milagres associados aos seus ensinamentos no Antigo Testamento, pois os milagres eram a confirmação de que aquelas palavras vinham de Deus. E, também por isso, os falsos profetas tentam legitimar suas falsas doutrinas com falsos milagres, que são charlatanice ou obras do demônio, mas nunca de Deus. Jesus, para confirmar o seu poder de perdoar os pecados e, consequentemente, a sua divindade, opera, então, o milagre da cura do paralítico. Ele o diz expressamente: “para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar pecados”, isto é, para que saibais que o Filho do homem é Deus, pois somente Deus pode perdoar os pecados: “Levanta-te, disse Ele ao paralítico, toma o teu leito, e vai para tua casa.”
Caros católicos, nessa brevíssima passagem do Evangelho, Jesus Cristo demonstra três vezes a sua divindade. Ele é homem e Deus. Alguns pretendem falsamente dizer que Cristo foi um grande profeta, o maior homem que já existiu, como os mulçumanos ou espíritas respectivamente, mas negam a sua divindade, negando as palavras de Cristo e suas obras que provaram a sua divindade. Fazem dele, então, um grande mentiroso, que teria afirmado ser Deus sem o ser efetivamente. Mas Ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. E, se é assim, devemos acreditar naquilo que nos falou, devemos seguir os seus ensinamentos e o seu exemplo. Devemos acreditar que existe um só Deus em três pessoas. Devemos acreditar que a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, se fez homem para nos salvar e fez isso pela morte de cruz. Devemos acreditar que o seu sacrifício se renova pela Santa Missa e que Ele está realmente presente nas espécies consagradas, como nos disse na Santa Ceia. Ele nos ensinou o amor a Deus e o amor ao próximo, mesmo aos inimigos. Ensinou-nos a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, a verdadeira justiça… Ensinou-nos que devemos buscar primeiro o reino de Deus e que tudo o mais nos será dado por acréscimo.
Verdadeiramente, Nosso Senhor passou sua vida fazendo o bem, ensinando a verdade, levando os homens ao amor a Deus, curando os doentes, salvando-nos.
Em nome do Pai…


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