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19 de outubro de 2015

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência III

QUAL O PRESENTE DE CRISTO AOS ESPOSOS?


Parte 3/4


A) Os recém casados costumam ser presenteados pelos pais e conhecidos. Qual será o presente de casamento, que Nosso Senhor lhes oferece? Creio não fazer uma comparação forçada, dizendo que o presente de Nosso Senhor "é o sacramento do matrimônio e as suas graças abundantes".
a - Ah! se os jovens esposos, ante o altar, contemplassem com olhos admirados o magnífico presente, que recebem das mãos de Deus, no dia do casamento! 
Desgraçadamente, muitos jovens nem sequer pensam nisto ao se prepararem para o casamento. Todos os seus pensamentos são para outros problemas, como o dos convidados, o da toilette, o da decoração do altar, ou quem cantará o solo durante a missa, ou, se o terno do noivo, o véu da noiva são elegantes... e assim por diante. Quão poucos, porém, os que compreendem ser este luxo e esta pompa apenas o exterior, símbolos, o símbolo do grande tesouro que Nosso Senhor quer dar à sua alma, no sacramento do matrimônio.
b - E neste ponto não somos obrigados a pensar como os incrédulos. Hoje, mesmo os que possuem melhores sentimentos deixam-se influenciar pela ideia de que o casamento é exclusivamente um contrato terrestre, uma coisa material; e como se casaram atendendo apenas à beleza física ou os interesses materiais, é natural que desaparecendo estas qualidades efêmeras, também mutuamente eles se separem.
Este estado de espírito também existe, entre os que se julgam religiosos, e que, de nenhum modo, se contentariam apenas com o casamento puramente civil.
"Oh! isto nunca! Por nada deste mundo! Queremos nos casar na Igreja..."
"Por que? Por que quereis o casamento religioso?" pergunto eu.
Por que? Porque é cem vezes mais belo que o casamento civil, indiferente e frio. Como é comovente quando a jovem noiva entra na Igreja, envolta em seu véu branco, ao som do órgão, altar resplandecente na policromia de suas flores perfumadas, enquanto a Igreja esta repleta de conhecidos e curiosos! Que instante solene! Poderia eu dispensar tudo isto? por nada deste mundo!
Quantos assim falam! Ou pelo menos assim pensam. Deviam compreender que o casamento religioso é bem mais, é cem vezes mais do que esta impressão fugidia: é um juramento sagrado e solene de recíproca fidelidade e de amor até o sacrifício. É mais ainda, cem vezes mais: é a recepção de um sacramento, a origem de uma fonte divina, de uma fonte, donde brotam ondas de graças e forças, durante toda a sua vida.
Pouco tempo tem eles para nisto pensar!

B) Rápida emurcheceu-se a coroa de flores, secou-se o belo ramalhete de noiva, os convidados dispersaram-se, a recordação deste brilhante casamento apagou-se, o que, porém, não passa e sempre permanece é o sacramento que recebeste ao pé do altar.
a - O matrimônio é, de fato, um sacramento que permanece. "O Sacramento do matrimônio, escreve São Belarmino em linhas bastante expressivas, pode ser encarado sob dois pontos de vista. Tal qual ele é, e depois tal como vem a ser. Assemelha-se ele a Eucaristia, enquanto é sacramento, não apenas no instante em que é recebido, mas porque permanece. E, de fato, enquanto vivem os esposos, sua união será o sinal místico da graça de Cristo e da Igreja".
Santo Agostinho dá-lhe ainda uma responsabilidade maior, porque, segundo ele, o matrimônio é análogo ao sacramento da ordem, dando ao homem e à mulher uma força especial e sagrada, que não lhe pode ser arrebatada.
Eis por que podemos afirmar que, figuradamente, pelo matrimônio, o homem e a mulher tornam-se sacerdotes, dos quais Deus aguarda o cumprimento de imensas obrigações.
b - É verdade que lhes dá auxílio poderoso para realizar a sua tarefa. Somente é preciso que os esposos cooperem com a graça sacramental. No instante do casamento Deus infunde na alma dos esposos este dom precioso; deles depende utilizá-lo, guardá-lo e fazê-lo frutificar.
Infelizmente muitos cristãos se esquecem de que, se o matrimônio é "um sacramento", produz também a graça.
Os sacramentos, com efeito, produzem na alma a graça santificante (como o batismo e a penitência), ou então aumentam-na (como os outros 5 sacramentos).
Quando os esposos ante o altar pronunciam o seu juramento, administrando um ao outro o matrimônio, eles produzem em si o aumento da graça santificante que Nosso Senhor conferiu à veste nupcial. Podemos afirmar que, de certo modo, a veste nupcial de sua alma recebe no instante de seu casamento um novo brilho, e um novo ornamento de pérolas.
Mas além do aumento da graça santificante, recebem eles ainda graças especiais. Tem direito ao auxílio divino, para satisfazerem seus deveres conjugais.

C) Examinemos melhor este auxílio divino e vejamos quais "as graças sacramentais" que o matrimônio confere aos esposos.
a - É, em primeiro lugar, uma união sobrenatural das almas, enobrecendo as mútuas relações de ambos os sexos, assegurando-lhes duradoura felicidade em seu casamento.
Só esta união intima de almas poderá assegurar-lhes a harmonia, mesmo nos instantes em que a vida comum lhes manifeste ainda mais os comuns defeitos, momentos em que eles verão mais claramente quanto necessitam, um do outro, de paciência ou de indulgência, e no dia em que a beleza física, a robustez e a saúde começarem a se empalidecer, a se fanar para aos poucos desaparecer completamente.
Percebeis como ela é necessária, neste momento! Não falo agora aos meus ouvintes solteiros, mas aos que já se casaram. Pais e mães de família, quando entrais em casa, tristes e abatidos, porque os cuidados da vida presente pesam sobre vós, pedi, então, a graça sacramental: "Senhor, ajudai-nos agora!" Quando um de vós sente as tentações da infidelidade, ou percebe que se esfria o afeto e a união, recorrei à graça sacramental: "Senhor, ficai conosco!" Quando se torna necessário um grande império sobre si mesmo, uma vontade firme e um sentimento de heroísmo cristão, para se abster temporariamente do uso da vida conjugal, seja pela saúde, seja por razões econômicas, pedi a graça: "Senhor, queremos viver conforme vossos mandamentos; vinde em nosso auxílio!" Quando vossos filhos vos dão bastantes cuidados e sofrimentos, dizei então: "Senhor, ajudai-nos a educá-los!" E finalmente, quando a desgraça, ou a morte visitar vossa família, curvai a fronte e rezai: "Senhor, consolai-nos agora!"
Eis os inúmeros e preciosos socorros que a graça sacramental nos prodigaliza.
b - Alguém, contudo, após anos de feliz matrimônio, poderá, talvez, dizer: "É interessante. Nunca soube de semelhantes coisas, e nunca senti os dons de Deus em meu casamento".
Não os sentistes!
Quando, porém, ao lado do fidelíssimo amor recíproco, surgiu entre vós uma desavença, que generosamente soubestes aplainar - foi Deus quem vos concedeu o dom daquela reconciliação.
Quando vosso esposo entrou em casa tão abatido, algumas vezes, após o duro trabalho de um dia, e o reconfortastes com vossa delicadeza, - é ainda  a graça divina que brilhou em vossa casa!
Quando surgiram dias árduos, e vossa dispensa esta vazia, enquanto vossos filhos choravam de fome, e vós vos entregastes ao trabalho, intrepidamente, - era a graça divina que vos encorajava.
Quando fostes assaltados pela tentação de infidelidade, e com alma forte soubestes afastar a voz sedutora - foi a graça que vos deu aquela força.
E, finalmente, quantas dezenas e dezenas de anos passaram sobre vossas cabeças, e vossos cabelos se embranqueceram, e vossas frontes se enrugaram, e sempre com o amor de outrora, e com um amor hoje ainda mais profundo, e intimo, unistes-vos um ao outro, como se o tempo nada pudesse sobre vós - deveis ainda tudo isto à graça divina.
Não haveria, dizei-me, sobre a terra muito mais famílias felizes, pacíficas e abençoadas, se os esposos pensassem em todas estas coisas, ao se apresentarem ao pé do altar para receberem a graça de Deus?

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