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30 de outubro de 2015

Sermão para a Festa de Cristo Rei – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Cristo Rei


Em nome do Pai…
Ave Maria…
Nós vos proclamamos, ó Cristo, o único Príncipe dos séculos, o único Rei das nações e juiz das almas e dos corações. A multidão ímpia grita: não queremos que Cristo reine. Nós, aclamando-Vos, dizemos que sois o Rei supremo de todas as coisas. Ó Cristo, Príncipe pacificador, sujeitai as mentes rebeldes e reuni, no vosso único rebanho e por vosso amor, os que se desviaram. É para isso (para salvar os homens) que vós pendeis do madeiro ensanguentado e que exibis o Coração amante ferido pela lança cruel. É para isso que vos ocultais nos altares sob a figura do vinho e do pão, derramando, do vosso peito transpassado, a salvação para os filhos de Deus. Que os governantes das nações vos honrem publicamente. Que os professores e os magistrados vos venerem e que as artes e as leis exprimam a vossa realeza. Que as coroas dos reis, consagradas a vós, possam brilhar por essa submissão. Pelo vosso cetro brando, subjugai a pátria e as famílias. Glória a Vós, Jesus Cristo, que reinais sobre os reis da terra, com o Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos. Amém.
Essas são as palavras, caros católicos, do belo hino das vésperas da Festa de Cristo Rei. São palavras que devem nos levar às lagrimas. Nos levar às lagrimas porque parece que triunfou a multidão criminosa que grita: não queremos que Cristo reine. As nações já não reconhecem o seu criador e o seu redentor, tampouco reconhecem a Santa Igreja Católica pelo que ela é: a única religião verdadeira, a barca fora da qual não pode haver salvação. As almas e os corações parecem recusar-se a ter Cristo como Rei e juiz. Quem, hoje, proclama realmente Nosso Senhor Jesus Cristo como o Rei supremo de todas as coisas? Quem se preocupa com o homem-Deus pregado no madeiro para a nossa salvação? Quem dobra os joelhos em verdadeira adoração diante de Cristo realmente presente sob as espécies do pão e do vinho? Quem são os governantes que O honram publicamente e sinceramente? Quem são os professores e os juízes que veneram o Salvador? Quais são as leis e as obras humanas que exprimem a realeza de Cristo? Quais são as pátrias e quais são famílias que se submetem ao poder suave de Nosso Senhor Jesus Cristo?
E, todavia, Cristo reina sobre todos e sobre tudo. Cristo reina porque é Deus, evidentemente. Cristo reina também enquanto homem. Enquanto homem, Cristo é Rei em virtude da união hipostática, quer dizer, em razão da união da natureza humana e da natureza divina na pessoa do Verbo. Enquanto homem, Cristo é Rei também por direito de aquisição, em virtude da redenção que Ele operou, adquirindo-nos, assim, por seu sangue. Aqueles que não se submeterem voluntariamente ao seu cetro suave, aqueles que não submeterem voluntariamente a Cristo a inteligência, pela fé, e a vontade, pela caridade, cumprindo seus mandamentos, serão submetidos contra a própria vontade pela justiça divina, sofrendo os castigos devidos pelos seus atos de rebeldia. E que Nosso Senhor tenha piedade de nós, que vivemos nesses tempos tão rebeldes à sua realeza. Que Nosso Senhor tenha piedade de nós, que somos tantas vezes rebeldes à sua realeza pelos nossos pecados.
A realeza de Cristo precisa ser reconhecida pelo Estado, que deve, então, reconhecer Nosso Senhor como Salvador, como o homem-Deus, professando a religião fundada por Ele, a católica. O Estado é uma criatura e, como tal, deve reconhecer e cultuar o seu criador e o seu redentor. Os governantes das nações devem cultuar publicamente a Cristo e reconhecer os direitos da Santa Igreja Católica, submetendo-se também aos seus ensinamentos. A realeza de Cristo deve estar presente em todas as esferas da sociedade. A realeza de Cristo deve estar presente nas escolas, onde os ensinamentos não devem jamais se opor ao ensinamento de Cristo e de sua Igreja. A realeza de Cristo deve estar presente nas leis do país, que não podem se opor à lei natural nem à lei de Cristo e de sua Igreja. A realeza de Cristo deve estar presente nas artes, que têm a função justamente de transmitir a verdade, o bem e o belo, de modo que as almas possam, por meio dela, se elevar a Cristo e se inclinarem à submissão a Ele. A realeza de Cristo deve estar presente também nas famílias, que devem se submeter em tudo a Cristo e à sua Igreja, em particular no que toca aos deveres matrimoniais.
Devemos, então, fazer o que nos cabe para que a realeza de Cristo seja reconhecida em todas as esferas da sociedade. Para tanto, é preciso que Cristo seja verdadeiramente Rei de nossas almas. De nada adiantará, ou muito pouco adiantará reclamar da sociedade, das escolas, das leis, das artes, se não fazemos a nossa parte, se não colocamos Nosso Senhor Jesus Cristo realmente como o Rei de nossa alma. De nada adiantaria proclamar a realeza de Cristo com a boca, se com minhas ações, com meus pecados propago o reino do demônio. Para que Cristo reine na sociedade, é preciso, primeiro, que ele reine em boa parcela dos indivíduos que compõem essa sociedade. Devemos, então, caros católicos, protestar a realeza de Cristo sobre nós não somente com palavras, mas também com obras, nos submetendo inteiramente a Ele, observando suas santas leis, amando-o inteiramente, com todo o nosso ser e sendo filhos fiéis da Santa Igreja Católica. Comecemos o reinado de Cristo pela nossa alma.
A melhor forma, porém, para que Cristo reine de modo suave e duradouro sobre as almas, e termine reinando também sobre a sociedade, é que Ele reine sobre as famílias. Cristo é rei das famílias. Ele é Rei da família porque a redimiu, fazendo do casamento um sacramento e restaurando-o na sua dignidade e excelência primitivas com seus três bens: filhos, indissolubilidade e fidelidade, isto é, exclusividade entre um só homem e uma só mulher. As leis de Cristo sobre o matrimônio não mudam. Ningúem, nem mesmo o Vigário de Cristo na terra, pode mudá-las. Ninguém tem o direito de afastar-se delas nem na teoria, nem na prática, pastoralmente. A família prospera, isto é, avança espiritualmente, quando começa a se submeter a Cristo Rei, aos seus ensinamentos, às suas leis, em particular às leis estabelecidas por Ele para o matrimônio. Fazendo do matrimônio um sacramento, Cristo aplica-lhe de modo particular as graças obtidas na Cruz, ajudando não só os cônjuges, mas ajudando toda a sociedade. Leão XIII, em sua Encíclica Incrustabili dizia, há mais de cem anos, que “assim como de um tronco corrompido brotam ramos piores e frutos miseráveis, assim a corrupção que contamina as famílias contagia e vicia desgraçadamente cada um dos cidadãos. E, ao contrário, continua o Papa, em uma família ordenada à vida cristã, cada um de seus membros vão se acostumando pouco a pouco a amar a religião e a piedade, a abominar as doutrinas falsas e perniciosas, vão se acostumando a ser virtuosos, respeitar os superiores e a refrear essa procura insaciável do interesse puramente privado que tão profundamente abaixa e enerva a natureza humana.”
Cristo, Rei dos indivíduos, das famílias, da sociedade, dos Estados. Viva Cristo Rei.
Em nome do Pai…

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