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7 de outubro de 2015

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência II

FOI DEUS QUEM INSTITUIU O MATRIMÔNIO

Parte 2/5

Desde sua origem, o matrimônio foi realmente instituído por Deus. Isto afirma claramente o Antigo Testamento. O jovem Tobias, orando a Deus antes de seu casamento, diz muito naturalmente: "Senhor Deus, meu Pai... criaste Adão do limo da terra e lhe deste Eva por companheira" (Tob 8, 7, 8). O livro dos Provérbios chama o casamento "uma aliança divina". Também no livro do Êxodo, o sexto mandamento divino protege o casamento contra a profanação (Ex 20, 14). Eis por que se termina o casamento com essa linda bênção: "Que Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacob, esteja convosco, que Ele mesmo vos una, e espalhe sobre vós a plenitude de suas bênçãos (Tob 7, 15).
Se procurarmos, porém, como se formou a concepção da origem divina do casamento, é preciso remontar às primeiras páginas do primeiro livro da Sagrada Escritura. O primeiro e o segundo capítulo do Gênese proclamam claramente e com uma firmeza indiscutível ser o casamento, na realidade, uma instituição divina, e não uma invenção humana.

A) A primeira prova da origem divina do casamento encontra-se, pois, no primeiro capitulo do primeiro livro da Bíblia, onde vemos a descrição da criação do homem e da mulher.
a - Quando se examinam os homens, notam-se entre eles grandes e múltiplas diferenças: um é grande, e outro pequeno; um é louro, e outro moreno, um é gordo e outro magro; um é forte, e outro fraco, e assim por diante. Há, porém, uma particularidade que é essencialmente mais importante que todas as outras: "há homens e há mulheres".
Coisa curiosa, há uma força misteriosa e regular que mantém esta diferença num equilíbrio tal que nascem, mais ou menos, sempre tantos rapazes e tantas moças; mais exatamente, há um pouco mais de rapazes, porém a cifra da mortalidade sendo mais elevada entre estes, a diferença diminui novamente.
Donde vem, pois, esta particularidade tão importante da humanidade?
Donde vem a origem do homem e da mulher?
As primeiras páginas da Santa Escritura esclarecem-nos sobre esta questão. Foi Deus quem criou separadamente o homem e a mulher, mas uniu-os, ao mesmo tempo, numa união santa, e, confiou-lhes uma tarefa magnífica. Escutai as próprias palavras da Escritura: "Deus criou o homem à sua imagem: criou-o à imagem de Deus; criou-os homem e mulher. E Deus abençoou-os, e disse-lhes:"Sede fecundos, multiplicai-vos, e enchei a terra" (Gn 1, 27 - 28).
b - Estas palavras da Escritura, porém, respondem ao mesmo tempo aqueles que perguntam, algumas vezes, admirados: Como é possível que seja permitido no casamento alguma coisa que fora do casamento constituí um pecado grave? Não é uma contradição: ali é permitido, aqui não é? A coisa não é a mesma em ambos os casos?
A resposta, porém, é clara, segundo os livros Santos. Fora do casamento é um pecado grave, porque Deus confiou ao matrimônio a união indissolúvel de um homem e de uma mulher, a conservação da raça humana, e pois, só no casamento é permitido o ato pelo qual nasce uma nova vida humana. Este ato, fora do casamento, é justamente um pecado grave porque fere o direito privilegiado do matrimônio, e arruína assim a família. Ora, isto é que se precisa evitar, a todo custo.

B) O que temos no primeiro capítulo da Sagrada Escritura não é uma elucubração artificial, mas realmente a vontade de Deus. Isto é a consequência clara do segundo capítulo, pois aí encontramos a narração minuciosa da instituição do matrimônio (Gn 2, 15 - 24).
a - O primeiro homem, embriagado pelas energias imensas de sua nova vida, passeia entre os esplendores da natureza em flor, sua alma freme quase à vista das maravilhas do paraíso terrestre, mas, a si mesmo, parece que falta alguma coisa: não há alguém a quem comunicar sua alegria, alguém para entender suas palavras, não há quem lhe seja semelhante na terra. E então - para que tenha um auxílio, um apoio, uma companheira na vida - Deus criou a primeira mulher.
b - Mas o que Adão sentia, no instante em que a consciência de suas jovens forças dominava seu corpo robusto, este desejo de um complemento, de uma compreensão, de uma comunicação de alma, de um aperfeiçoamento, sente igualmente todo descendente dos dois sexos da humanidade. Na plenitude de seu desenvolvimento orgânico, o homem e a mulher sentem que lhes falta alguma coisa, que se encontra no outro sexo. Necessitam de um complemento que se encontra nas qualidades diferentes de outro sexo, pois só então é que se realiza o ideal completo do homem.
É nesta união, nesta mescla, neste complemento mútuo dos dois gêneros da natureza humana, que se realiza aquela unidade dos esposos, cujo exemplo não se encontra no mundo, e do qual a Sagrada Escritura observa:" O homem deixará seu pai e sua mãe, unir-se-á à sua esposa, e tornar-se-ão uma só carne" (Gn 2, 24).
O homem faz alguma coisa de análogo, quando reúne metais cujas propriedades diferentes se completam mutuamente, e esta nova mistura, assim obtida, é mais forte e resistente.
c - Se assim é, se realmente é natural, desejável e conveniente que dois gêneros de seres humanos vivam sobre a terra, como características inteiramente diversas, mas atraindo-se reciprocamente, se isto é natural, então podeis julgar, vós mesmos, meus irmãos, quanto é prejudicial e contrário a natureza o moderno costume que educa as jovens como se fossem rapazes, querendo transformá-las em tais, enquanto quer fazer dos rapazes moças: forma rapazes moças, moças rapazes, e que suprimindo a diferença entre os dois sexos, arrebata-lhes justamente aquela força misteriosa de atração, que tem por objeto formar, na vida social, a célula mais importante, a fonte de uma renovação incessante da raça humana, e a garantia de sua propagação: uma nova família.



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