9 de maio de 2010

Domingo das Rogações: Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo dará!

Tract. 102 in Joannem

Agora é oportuno tratar destas palavras do Senhor: Em verdade, em verdade vos digo que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará. Já foi dito nas partes anteriores desse sermão dominical, pelo bem daqueles que muito pedem ao Pai em nome de Cristo, sem receber, que não é pedido em nome do Salvador aquilo cujo fim é contra a salvação. Porque não é ao som das letras e sílabas, mas ao sentido do mesmo som e ao que dele honesta e verazmente se entende, que se referem as palavras: Em meu nome.

Donde se conclui que aquele que pensa em relação a Cristo aquilo que não é próprio de ser pensado em relação ao Filho único de Deus, este não pede em Seu nome, ainda que não deixe de pronunciar, com letras e sílabas, "Cristo", pois pede no nome daquele ser que ele imaginou, no qual pensa enquanto pede. Por outro lado, aquele que sente em relação a Ele aquilo que é próprio de ser sentido em relação a Ele, este pede em Seu nome, e recebe o que pede, se não pedir contra a sua eterna salvação. Recebe, porém, quando deve receber. Portanto, isso que ele pediu não lhe é negado, mas fica pendente até que chegue o tempo oportuno. Esta é a interpretação saudável das palavras: Dar-vo-lo-á: que se saiba que os benefícios significados por estas palavras são aqueles que pertencem propriamente àqueles que pedem. Serão atenditos, portanto, todos os Santos quando pedirem para si mesmos, mas nem sempre quando pelos seus amigos ou inimigos, ou quaisquer outros, porque não é dito simplesmente: Dará, senão: Dar-vo-lo-á.

Até agora, Ele diz, não haveis pedido nada em Meu nome. Pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja plena. Isso que Ele diz: Alegria plena, entenda-se que não é da alegria carnal, mas da espiritual que Ele diz, a qual, quando tanta for que não seja passível de ser aumentada, então sem dúvida será plena. Sendo assim, tudo aquilo que for pedido, que se refira a atingir essa alegria, isso deve ser pedido em nome de Cristo, se aspiramos à graça divina, se pedimos a vida bem-aventurada. Fora disso, tudo sendo pedido, não é pedido nada - não porque todas as coisas não sejam nada, mas porque, em comparação a isso, é nada tudo o que possa ser desejado.

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