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17 de junho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 509

MAJESTADE, FALTAM MÃES!

Calem-se os filósofos! Napoleão tem a palavra.
Falava certo dia o grande imperador Napoleão I com a sábia e famosa Madame Campan sobre os meios que se deveriam empregar em França, para formar uma geração nova de princípios sãos, de alma sã, de coração nobre e são.
Começou o general a traçar, planos e a expor sistemas com o mesmo tino e segurança com que andava nos campos de batalha. Escutava-o com atenção e sem dizer palavra a inteligente senhora; e quando ele parou de falar, disse ela com nobre liberdade:
— Majestade, a meu ver, uma coisa falta em França para que meninos e jovens saiam bem educados e consigamos essa brilhante regeneração que todos desejamos.
— Qual? — perguntou o imperador.
— Majestade, faltam mães.
Napoleão ficou um instante pensativo, e logo, compreendendo toda a extensão daquelas palavras, disse:
— Tendes razão: faltam mães. É, pois, necessário formar boas mães, que metam nos corações dos filhos as ideias cristãs, as verdades da fé, e a França estará regenerada.
Faltam mães! Não poderia ter acrescentado: faltará pais?
Nessa ocasião, o grande imperador, que as vezes recuperava o senso cristão que perdia nos campos de batalha e nos esplendores do trono, ao entregar seu filho aos cuidados da virtuosa senhora de Montesquieu, disse:
— Senhora, entrego-vos este meu filho, sobre o qual repousam os destinos da França e talvez de toda a Europa; fazei dele um grande cristão.
E houve alguém que, ao ouvir essas palavras, pôs-se a rir. Napoleão, porém, indignado, disse-lhe:
— Sim, senhor; eu sei o que digo; é preciso fazer de meu filho um bom cristão, porque, do contrário, não será bom francês.
E Napoleão não era, afinal, um reacionário nem um clerical; mas era um homem inteligente e sensato.

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