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15 de junho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 507

A JOVEM QUE SOFRIA ACESSOS DE LOUCURA

Filha única de pais honestos, que ganhavam a vida cultivando sua pequena propriedade, aquela jovem era a mais tranquila e religiosa do mundo. Uma tarde esperava em vão o pai que partira de madrugada para um povoado vizinho. Sozinha com a mãe, ao pé da lareira apagada, vivera horas de sobressalto, julgando ouvir a cada instante os passos do pai; em seguida saíra para fora e, rodeando a casa, chamava-o continuamente.
— Voltará amanhã cedo — dissera-lhe a mãe — mas o sol saíra e entrara e o pai não aparecera. Pesquisaram, interrogaram os amigos e conhecidos, mas tudo em vão. O silêncio tornava-se mais profundo, o mistério mais indecifrável.
Aconteceu que, por aquele tempo, se achava Geraldo na cidade vizinha (Lacedônia) e a mãe aflita foi consultá-lo. O Santo tinha de comunicar-lhe a triste notícia, mas a voz parava-lhe na garganta e a palidez da face aumentava. Finalmente, teve de falar e dizer aquela senhora que seu marido tinha sido assassinado e que a confirmação oficial chegaria logo. A senhora, voltando para casa sob o peso daquele cruel infortúnio, fechou-se na sua dor, e em poucos dias foi reunir-se ao marido.
A jovem, nesse breve espaço de tempo, órfã de pai e mãe, pôs-se a girar pela casa deserta da manhã à noite, chamando pelos pais e não comia, não dormia, não trabalhava. Por fim, com as mãos cruzadas sobre os joelhos, passava horas perdidas, a olhar para um ponto distante. Se as amigas tentavam distraí-la, perguntava-lhes ansiosamente:
— Para onde foi minha mãe? Estará salva?... Como? Não sabeis que morreu desesperada? Deus lhe terá perdoado?... E continuava a fazer perguntas, parecendo que os olhos lhe sal- tavam das órbitas.
As amigas lembraram-se de recorrer a Geraldo. Ele foi visitá-la:
— Coragem! — disse-lhe — tua mãe está no purgatório. Faze quarenta Comunhões por sua alma e ela irá para o céu.
A jovem acalmou-se e por quarenta dias foi vista na igreja a orar com grande fervor. Mas, no quadragésimo dia, reapareceu a crise. Pareceu-lhe ver naquele dia a mãe, que cercada de luz, feliz e radiante, desaparecia como um sonho. Aquela visão, em vez de a consolar, roubou-lhe toda a alegria; e só perguntava por que fora a mãe tão má indo para o céu e deixando-a só e desesperada. Aquele pensamento tornou-se uma obsessão, uma ideia fixa. Então rangia os dentes, enfurecia-se, sofria convulsões violentas e proferia blasfêmias horríveis.
Chamaram de novo a Geraldo. Veio imediatamente e encontrou a pobre criatura naquele estado de prostração em que costumava ficar após os acessos de loucura. Tocou-lhe na fronte sem que ela reagisse; mas, apenas deixou de sentir aquela mão benéfica, que acabava de traçar sobre ela o sinal da cruz, começou a cantar belos cânticos em louvor de Nossa Senhora.
Estava curada. Não teve mais acessos dali em diante e voltou ao seu natural alegre e feliz.

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