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9 de setembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Noiva


Parte 6/8

Deve ser de boa família.
É verdade que numa família que não seja boa pode existir um jovem bom; porém isso não é o vulgar.
Ao homem fazem-no a natureza e a educação. A natureza recebe-a o homem de seus pais e de seus antepassados; e a educação, ainda que não completamente, também a recebe principalmente da família.
É verdade que se podem corrigir os defeitos herdados; é verdade que a má educação familiar pode ser contrariada por outra educação melhor; porém tudo isso é muito difícil. Por isso deve ser o jovem de boa família.
Deve gozar de boa saúde. sem enfermidades contraídas pelo vicio, que transmitirão taras gravíssimas aos seus filhos. sem enfermidades contagiosas que contaminarão os que vivem com ele. Sem enfermidades crônicas, que o impeçam de trabalhar e sustentar a casa e convertam a esposa numa enfermeira dele.
Não deve ser vicioso. Raparigas inconscientes e de gosto estragado, atrevem-se a dizer que preferem um jovem muito vivido; quer dizer, um jovem vicioso.
Por que o preferem? Será porque o julgam varonil? Que engano! Mais bestial, sim; porém mais varonil, não. Mais varonil é o que vive mais como homem; quer dizer, o que submete as suas paixões à razão.
O mais provável é que esse jovem vicioso conhece melhor a arte de enganar, porque enganou a muitas, e a jovem que o prefere será mais uma vitima.
O jovem vicioso leva para o matrimônio um coração envelhecido. O jovem vicioso é grosseiro, com as grosserias que aprendeu nos lugares de perdição. O homem que foi vicioso na sua juventude provavelmente continuará sendo-o depois de casado. E, sobretudo, o jovem vicioso transmitirá aos seus filhos uma natureza tarada pelo vicio.
O jovem e a jovem, que aspiram a ser esposos, devem procurar ter a maior semelhança possível. 
O primeiro matrimônio que Deus formou no paraíso foi um matrimônio ideal; e ouve o que disse Deus: Demos ao homem uma companheira semelhante a ele. Mais ideal ainda foi o matrimônio que o mesmo Deus preparou para que nesse lar vivesse o Filho de Deus feito homem. A Virgem e São José, que semelhantes eram! Nobre ele, e nobre ela. Empobrecido ele e empobrecida ela. Santo ele, e Santa ela. Com desejos de virgindade ele, e com voto de virgindade ela.
O companheiro que Deus te tem preparado, tem de ser semelhante a ti. Em que o há de ser? Há de ser semelhante na idade, um pouco mais velho do que tu.
Semelhante nos gostos e inclinações. 
Semelhantes no caráter; porque sempre haverá pequenos desgostos entre os esposos, porém dois caracteres opostos estarão chocando-se continuamente e tornarão a vida insuportável.
Semelhantes na posição social. É verdade que há esposos de posição social diferente, e que vivem felizes; porém existem nisso sérios perigos. Se o esposo é de posição muito mais elevada que a da esposa, existe o perigo de que a considere como uma criada mais. se sucede o contrário, o homem que tem pundonor, viverá numa suspeita constante, pensando que a sua esposa pode julgar que a procurou pelo dinheiro e não por amor, e qualquer motivo sem fundamento irá mexer na ferida que tem aberta no coração.
Mas os esposos devem ser semelhantes sobretudo no espírito religioso, porque nada há que una tanto os espíritos como a religião nem que os separe tanto como a diferença de crenças. Por isso a igreja põe obstáculos ao matrimônio entre pessoas de religiões diferentes.
Periga a fé do cônjuge católico e periga a educação religiosa dos filhos.
Perigos semelhantes existem entre uma jovem piedosa e um jovem sem religião.
Periga a fé da esposa, ainda que ele prometa respeitar as suas crenças; respeitá-las-á com o decorrer do tempo? E ainda supondo que as respeite, quanto terá que sofrer o coração da esposa!
sofrerá ao ver que vive na obscuridade e que corre o perigo de se condenar aquele homem a quem ela quer tanto.
Para conservar a paz, terão que evitar na conversação inumeráveis assuntos que dariam lugar a apreciações diferentes. E, sobretudo, surgirão entre eles conflitos muito graves de consciência.
É que no matrimônio existem problemas fundamentais, que tem de ser resolvidos de comum acordo; e para isso devem os esposos ter o mesmo critério cristão.
O problema dos deveres matrimoniais.
O problema do número de filhos.
O problema da educação laica ou religiosa que se deve dar a esses filhos.
Quando o marido sem religião pretenda opor-se a algum destes deveres sagrados, a esposa cristã terá que impedir isso e dizer: "Nom licet", não é permitido.
O homem sem religião não verá a razão por que é ilícito, e dar-se-á a discórdia num ponto fundamental dentro do matrimônio e tornar-se-á impossível a união.
Falamos do jovem sem religião, do jovem que não tem fé, ou a tem quase morta. Não falamos do jovem descuidado que conserva a fé que lhe infundiram na infância, porém tem-na enterrada sob as cinzas das vicissitudes da juventude.
A este jovem descuidado, a esposa pode trazê-lo a pouco e pouco ao bom caminho; poderá avivar essa fé oculta, porém não morta; ao jovem sem religião, não. Com este será uma de tantas apóstolas do marido fracassadas.
O jovem que escolheres para marido, deve ser trabalhador. Mais do que rico, trabalhador. O que foi destinado para esposo da Santíssima Virgem era pobre, mas trabalhador.
A jovem, e muito mais os pais, olham para o que o pretendente pode herdar; e não se fixam tanto em se é ou não trabalhador.
Não reparam que o rico borguista empobrecerá; e que o trabalhador, ainda que não seja rico, melhorará a sua posição social.
Não reparam que o rico se é folgazão, será vicioso; porque a ociosidade é origem de todos os males, e o dinheiro abre a porta a todos os vícios.
Esse marido rico e folgazão satisfará a sua esposa todos os caprichos; mas a esposa não será feliz, alguma traça roerá os seus vestidos preciosos.
Direis que é difícil encontrar um jovem que reúna todas estas condições.
É verdade. Mas eu pus-vos diante do jovem ideal. E apresentei-vos esse ideal, para que o jovem que escolhas, se aproxime o mais possível dele, embora não o iguale em tudo.



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